Catadores de materiais recicláveis e moradores se unem em protesto

catadorescontra funcionamento irregular do novo aterro de Campina Grande
Na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, cerca de 60 pessoas, entre catadores e catadoras de materiais recicláveis e moradores do Distrito de Catolé de Boa Vista em Campina Grande se uniram em um protesto contra a forma como vem sendo feita a destinação do lixo no recém aberto aterro sanitário da cidade.

O grupo de catadores é morador do bairro do Mutirão, onde funcionou o lixão da cidade até 2012. Segundo eles, o lixo vem sendo aterrado no local sem tratamento e sem dar a possibilidade deles terem acesso ao material reciclável e poderem conseguir o seu sustento. Eles reivindicam uma central de triagem, para que possam fazer a separação e coleta do material e que apenas o rejeito, que não pode mais ser aproveitado, seja destinado ao aterro: “Tem muito material lá dentro, nós precisamos, somos todos pais de família, a gente não tá pedindo nada demais, não. Queremos o trabalho da gente, pois esse galpão era para ter sido construído em 90 dias, nós estamos quase passando fome”, conta Cenira dos Santos, catadora do bairro do Mutirão.

Durante toda a manhã, os manifestantes impediram a entrada de caminhões para descarregar lixo no local e usaram um carro de som para apresentar suas reivindicações. Eles bloquearam a entrada dos caminhões e fecharam parcialmente a pista com galhos, pedras e pneus, dando passagem para o restante dos veículos que transitaram pelo quilômetro 10 da rodovia PB 138. A polícia militar acompanhou toda a ação, que foi pacífica. Além dos moradores da localidade, os manifestantes receberam apoio da equipe do Projeto “Cooperara para Melhor Coletar” do Centro de Ação Cultural (Centrac), da Cooperativa Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Auto Promoção (Coonap) que presta assistência técnica a assentamentos da região e do Vereador Napoleão Maracajá (PCdoB-PB).

Os catadores estavam dispostos a permanecer no local, bloqueando a entrada dos caminhões até que suas reivindicações fossem atendidas, mas final da manhã, o secretário municipal da Secretaria de Obras e Serviços Urbanos e Meio Ambiente (SESUMA) Geraldo Nobre, chegou ao local e negociou com os manifestantes a liberação da entrada, agendando uma audiência com uma comissão de catadores e moradores para às 15h desta sexta-feira (17), na sede da Secretaria, localizada às margens do Açude Velho, em Campina Grande.

O gestor se comprometeu a em um prazo que ainda não pode ser fixado, viabilizar um espaço onde irá funcionar uma central de triagem para recolhimento dos recicláveis para os catadores, antes de chegar ao aterro. Este e outros assuntos com relação a implantação da coleta seletiva no município, serão tratados na audiência desta sexta-feira. Os catadores também solicitaram a presença da equipe técnica do CENTRAC e de representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), para discutir e encaminhar soluções para remediar a situação de vulnerabilidade social em que as famílias se encontram.

Histórico – No dia 06 de julho deste ano, após uma denúncia da Prefeitura Municipal de Puxinanã, o aterro sanitário de Campina Grande que estava funcionando no município por meio de convênio, foi interditado. A gestão pública de Puxinanã alegou irregularidades como a ausência de tratamento do lixo depositado no local, ocasionando problemas ao meio ambiente e incomodando os moradores da localidade. No dia seguinte após a interdição, a Prefeitura de Campina Grande passou a depositar o lixo em um novo aterro, que estava sendo construído na zona rural da cidade, próximo ao Distrito de Catolé de Boa Vista. Desde essa data o lixo da cidade vem sendo depositado lá e aterrado sem triagem, de acordo com a denúncia dos catadores.

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