Cientista é envenenado por perereca e identifica espécies peçonhentas

pererecaO pesquisador do Instituto Butantan Carlos Jared estava coletando pererecas na caatinga do Rio Grande do Norte quando começou a sentir uma dor insuportável em todo o braço. A espécie que estava coletando era a Corythomantis greeningi, que faz parte de um grupo conhecido como pererecas-de-capacete.
Só anos depois é que veio a conclusão de que aquela era uma espécie peçonhenta, algo inédito entre as pererecas. A descoberta foi publicada na revista “Current Biology” nesta quinta-feira (6).
Jared explica que muitas outras pererecas, sapos e rãs têm glândulas que produzem veneno. Quando um predador morde um desses bichos, a pressão da mordida faz a glândula ejetar esse veneno. Trata-se de uma defesa passiva, já que o próprio animal não tem controle sobre esse mecanismo. Quem aciona o veneno é o agressor.
Já a espécie que fez o braço do cientista latejar de dor durante cerca de cinco horas apresenta um mecanismo de defesa que é um misto entre passivo e ativo. Isso porque sua cabeça tem espinhos que passam por dentro das glândulas de veneno, que é injetado em um possível agressor em situações de perigo.
A perereca é capaz de fazer movimentos com a cabeça de modo que, encostando em outro animal, o veneno é injetado com a ajuda dos espinhos. Ou seja, essa perereca tem um mecanismo capaz de inocular ativamente o veneno no agressor, por isso pode ser considerada peçonhenta (assim como algumas espécies de cobras, escorpiões ou aranhas).
Posteriormente, um mecanismo igual a esse foi identificado em uma segunda espécie de perereca-de-capacete, desta vez na Mata Atlântica. A espécie, chamada Aparasphenodon brunoi, tem um veneno 25 vezes mais potentes do que o da Corythomantis greeningi.

Nada a temer
Cálculos feitos pelos pesquisadores sugerem que um grama da toxina dessa perereca seria suficiente para matar mais de 300 mil camundongos ou 80 seres humanos. Apesar de produzir esse veneno altamente mortífero, não há motivo para temer os bichos, já que eles só “atacariam” alguém que se portasse como um predador.
“A possibilidade de acontecer um acidente com pessoas é remotíssima. Apesar de ser extremamente peçonhento, não há nenhuma implicação em saúde pública”, diz Jared, que é diretor do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan.
Ele destaca o duplo papel da cabeça das pererecas-de-capacete. Com a pele totalmente calcificada, a cabeça dura desses bichos, além de envenenar os inimigos, é usada como tampa em situação em que o animal se esconde em um buraco e o “tampa” com a própria cabeça para se proteger.
A pesquisa foi feita em uma colaboração entre o Instituto Butantan, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade do Estado do Utah, dos Estados Unidos.
G1

pererecaO pesquisador do Instituto Butantan Carlos Jared estava coletando pererecas na caatinga do Rio Grande do Norte quando começou a sentir uma dor insuportável em todo o braço. A espécie que estava coletando era a Corythomantis greeningi, que faz parte de um grupo conhecido como pererecas-de-capacete.
Só anos depois é que veio a conclusão de que aquela era uma espécie peçonhenta, algo inédito entre as pererecas. A descoberta foi publicada na revista “Current Biology” nesta quinta-feira (6).
Jared explica que muitas outras pererecas, sapos e rãs têm glândulas que produzem veneno. Quando um predador morde um desses bichos, a pressão da mordida faz a glândula ejetar esse veneno. Trata-se de uma defesa passiva, já que o próprio animal não tem controle sobre esse mecanismo. Quem aciona o veneno é o agressor.
Já a espécie que fez o braço do cientista latejar de dor durante cerca de cinco horas apresenta um mecanismo de defesa que é um misto entre passivo e ativo. Isso porque sua cabeça tem espinhos que passam por dentro das glândulas de veneno, que é injetado em um possível agressor em situações de perigo.
A perereca é capaz de fazer movimentos com a cabeça de modo que, encostando em outro animal, o veneno é injetado com a ajuda dos espinhos. Ou seja, essa perereca tem um mecanismo capaz de inocular ativamente o veneno no agressor, por isso pode ser considerada peçonhenta (assim como algumas espécies de cobras, escorpiões ou aranhas).
Posteriormente, um mecanismo igual a esse foi identificado em uma segunda espécie de perereca-de-capacete, desta vez na Mata Atlântica. A espécie, chamada Aparasphenodon brunoi, tem um veneno 25 vezes mais potentes do que o da Corythomantis greeningi.

Nada a temer
Cálculos feitos pelos pesquisadores sugerem que um grama da toxina dessa perereca seria suficiente para matar mais de 300 mil camundongos ou 80 seres humanos. Apesar de produzir esse veneno altamente mortífero, não há motivo para temer os bichos, já que eles só “atacariam” alguém que se portasse como um predador.
“A possibilidade de acontecer um acidente com pessoas é remotíssima. Apesar de ser extremamente peçonhento, não há nenhuma implicação em saúde pública”, diz Jared, que é diretor do Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan.
Ele destaca o duplo papel da cabeça das pererecas-de-capacete. Com a pele totalmente calcificada, a cabeça dura desses bichos, além de envenenar os inimigos, é usada como tampa em situação em que o animal se esconde em um buraco e o “tampa” com a própria cabeça para se proteger.
A pesquisa foi feita em uma colaboração entre o Instituto Butantan, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade do Estado do Utah, dos Estados Unidos.
G1