‘Tenho dois pais e um cachorro’, diz filho adotado por casal de Campinas

doisPais“O mundo parece que começa a girar diferente”, afirma o supervisor educacional Marcos Leme ao falar sobre a emoção de ser pai adotivo de Wesley, de 6 anos. Ele e o companheiro Paulo Reis dos Santos aguardaram seis anos para conseguirem o direito na Justiça.
Mesmo sabendo que a legislação não garantia a adoção, Marcos conta que optou por entrar com o pedido junto com o companheiro em meados de 2007. Eles passaram pelo processo inicial, que teve avaliação positiva, porém, na sequência tiveram a solicitação rejeitada.
Entretanto, após o pedido negado, Leme conta que foi o próprio juiz quem recomendou que o casal não desistisse. Então, eles juntaram depoimentos de amigos e entraram com recurso em 2008. Depois de cinco anos, a Justiça finalmente concedeu a adoção do menino ao casal.

Susto
Leme se emociona ao lembrar o susto que levou ao receber o telefonema de uma psicóloga da Vara da Infância e Juventude pedindo para conversar com eles. “Ela disse que tinha uma criança e aí, foi um susto a priori, depois de anos esperando”, conta o supervisor.
No dia seguinte a ligação, eles foram até a unidade. Durante as visitas no local, crianças mais velhas chegaram a perguntar ao casal se eles eram irmãos.
“Nós dois somos carecas, queriam saber se éramos irmãos. Quando dissemos que éramos casados, elas perguntaram se podia e nós dissemos que sim”, brinca Leme.

Dois pais na certidão
“Hoje ele tem dois pais na certidão de nascimento e na carteira de identidade”, explica Leme. Ele destaca ainda que ele e o companheiro foram o primeiro casal gay a conseguir este tipo de adoção.
Para isso, os registros tiveram que ser adequados e o juiz orientou que nos documentos de Wesley constassem o nome dos dois pais. “Geralmente está escrito filho de pai e mãe, mas na dele aparece filho de Paulo e Marcos”, destaca.

Dois pais e um cachorro
O supervisor conta que logo no início da convivência com a criança, um professor fez uma roda de conversa sobre o tema família.
“Mesmo tímido, ele disse aos colegas em sala de aula ‘eu tenho dois pais e um cachorro’. Nesse dia a gente percebeu que o Wesley entendeu a ideia”, explica.
Hoje, a família convive naturalmente com a adoção e o casal afirma que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito. “Uma vez fomos a uma lanchonete e o garçom perguntou: ‘ele é filho de vocês? No plural. Quando dissemos que sim, ele achou legal”, lembra.
Juntos há 15 anos, o casal disse que busca construir com o filho o sentido da paternidade. “O Wesley chama os dois de pai. Quando quer falar com um específico, ele chama pelo nome para não confundir”, conta.
“Queremos construí-lo como uma pessoa capaz de melhorar este mundo, como um indivíduo ético, um amigo, confiável e leal”, escreveu Paulo em um de seus artigos do grupo interdisciplinar de sexualidade humana da Faculdade de Educação da Unicamp.

Mudança de 360 graus
Em setembro de 2015, a adoção vai completar dois anos e Leme destaca que a vida mudou 360 graus. “Mudaram as reflexões emocionais e a forma de ver o mundo”, afirma. O casal pretende até mesmo mudar de um apartamento para uma casa, para dar mais espaço para o filho tão esperado.
“Acho que o Dia dos Pais representa a paternidade, o fato de nós nos encontrarmos como pais e de ter ele chamando nós dois de pais”, finaliza o supervisor educacional.
G1

doisPais“O mundo parece que começa a girar diferente”, afirma o supervisor educacional Marcos Leme ao falar sobre a emoção de ser pai adotivo de Wesley, de 6 anos. Ele e o companheiro Paulo Reis dos Santos aguardaram seis anos para conseguirem o direito na Justiça.
Mesmo sabendo que a legislação não garantia a adoção, Marcos conta que optou por entrar com o pedido junto com o companheiro em meados de 2007. Eles passaram pelo processo inicial, que teve avaliação positiva, porém, na sequência tiveram a solicitação rejeitada.
Entretanto, após o pedido negado, Leme conta que foi o próprio juiz quem recomendou que o casal não desistisse. Então, eles juntaram depoimentos de amigos e entraram com recurso em 2008. Depois de cinco anos, a Justiça finalmente concedeu a adoção do menino ao casal.

Susto
Leme se emociona ao lembrar o susto que levou ao receber o telefonema de uma psicóloga da Vara da Infância e Juventude pedindo para conversar com eles. “Ela disse que tinha uma criança e aí, foi um susto a priori, depois de anos esperando”, conta o supervisor.
No dia seguinte a ligação, eles foram até a unidade. Durante as visitas no local, crianças mais velhas chegaram a perguntar ao casal se eles eram irmãos.
“Nós dois somos carecas, queriam saber se éramos irmãos. Quando dissemos que éramos casados, elas perguntaram se podia e nós dissemos que sim”, brinca Leme.

Dois pais na certidão
“Hoje ele tem dois pais na certidão de nascimento e na carteira de identidade”, explica Leme. Ele destaca ainda que ele e o companheiro foram o primeiro casal gay a conseguir este tipo de adoção.
Para isso, os registros tiveram que ser adequados e o juiz orientou que nos documentos de Wesley constassem o nome dos dois pais. “Geralmente está escrito filho de pai e mãe, mas na dele aparece filho de Paulo e Marcos”, destaca.

Dois pais e um cachorro
O supervisor conta que logo no início da convivência com a criança, um professor fez uma roda de conversa sobre o tema família.
“Mesmo tímido, ele disse aos colegas em sala de aula ‘eu tenho dois pais e um cachorro’. Nesse dia a gente percebeu que o Wesley entendeu a ideia”, explica.
Hoje, a família convive naturalmente com a adoção e o casal afirma que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito. “Uma vez fomos a uma lanchonete e o garçom perguntou: ‘ele é filho de vocês? No plural. Quando dissemos que sim, ele achou legal”, lembra.
Juntos há 15 anos, o casal disse que busca construir com o filho o sentido da paternidade. “O Wesley chama os dois de pai. Quando quer falar com um específico, ele chama pelo nome para não confundir”, conta.
“Queremos construí-lo como uma pessoa capaz de melhorar este mundo, como um indivíduo ético, um amigo, confiável e leal”, escreveu Paulo em um de seus artigos do grupo interdisciplinar de sexualidade humana da Faculdade de Educação da Unicamp.

Mudança de 360 graus
Em setembro de 2015, a adoção vai completar dois anos e Leme destaca que a vida mudou 360 graus. “Mudaram as reflexões emocionais e a forma de ver o mundo”, afirma. O casal pretende até mesmo mudar de um apartamento para uma casa, para dar mais espaço para o filho tão esperado.
“Acho que o Dia dos Pais representa a paternidade, o fato de nós nos encontrarmos como pais e de ter ele chamando nós dois de pais”, finaliza o supervisor educacional.
G1