Casal gay prepara casamento no Rock in Rio: ‘Chance única’

casamentoMayara pediu Naira em casamento durante o show da Beyoncé no Rock in Rio 2013. Na época, ainda não sabiam que iriam protagonizar a primeira união gay da história do festival.
Juntas há três anos, elas são um dos sete casais ganhadores da promoção “Eu vou casar no Rock in Rio”.
A cerimônia está marcada para acontecer na Capela da Cidade do Rock no 26 de setembro, curiosamente no dia da apresentação de Rihanna, uma espécie de “concorrente” de Beyoncé.
‘Vai ficar na história’
“Geralmente aparecem na mídia mais casos de homofobia do que casos com finais felizes”, opina Mayara Monteiro, que é do Rio, tem 23 anos e trabalha como técnica em informática. “É uma chance única. Dizem que vamos levar uma bandeira e que vai ficar marcado para a história do Rock in Rio.”
Mayara acredita que muita gente sequer sabe que a união entre homossexuais é possível por aqui. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que obriga os cartórios de todo o Brasil a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.
Ela descreve como planejou tudo dois anos atrás: “Fomos ao show da Beyoncé porque a Naira é muito fã. Decorei ‘Crazy in love’, uma das músicas de que ela mais gosta, e armei com uns amigos que estavam lá: pedi para cada um segurar um cartaz com um trecho do refrão. Fizemos tipo a coreografia do clipe, e aconteceu o pedido”.
A surpresa deu tão certo, que Naira quase não se deu conta do que acontecia. “Eu estava fascinada, olhando para o palco, mas aí começaram a botar as plaquinhas no meu rosto e virei para trás”, conta ela, que é produtora de eventos e tem 23 anos.
“Quando vi, tinha uma fileirinha de amigos lá, e a Mayrava dançando! Quem conhece sabe que dançar não combina com ela – muito menos Beyoncé… Foi um misto de engraçado com surpreendente.”

Pessimistas
Depois do noivado, Mayara e Naira marcaram a data do casamento para 2016. “Só que aí surgiu a ideia do concurso…”, recordam. Meio descrentes, foram avançando fase a fase na disputa. Na última etapa, precisavam fazer um vídeo com um pedido surpresa de casamento – e tinha de ser de verdade.
“Fiquei completamente sem graça e completamente sem reação”, conta Naira (novamente) surpreendida. As duas não esperavam que o tal vídeo conseguisse tanta aprovação. Havia, por exemplo, um casal de homens entre os finalistas que despertou reações desfavoráveis.
“No vídeo deles, notei pessoas fazendo comentários ruins. E o nosso não teve nada disso, todo mundo curtiu e comentou”, diz Mayara. Ela tem um palpite do porquê: “Não sei, às vezes penso que um casal de meninas é mais aceito do que um casal de meninos”.

‘Somos duas mulheres’
Ainda assim, Naira esperava alguma rejeição. “Achei que teriam algum tipo de receio, porque o Rock in Rio tem um público abrangente”, fala. “Além disso, na festa que deram para os casais ganhadores, fiquei superfeliz porque nos trataram como um casal de duas mulheres, mesmo. Isso é importante. Normalmente, tratam uma como mulher e a outra como ‘homem’.”
Ela conta que esse tipo de “constrangimento” é recorrente. “Falam claramente que tem um homem e uma mulher da relação. E não é assim. Em restaurantes, por exemplo, as pessoas oferecem cardápio e a conta para a Mayara, como se ela fosse o homem. Acontece muito dessas coisinhas”, aponta.
“São detalhes que às vezes passam despercebidos até para a Mayara. Mas sou muito detalhista, sou ativista, sou negra, minha mãe sempre foi do movimento negro. Tenho uma visão diferente do preconceito. Talvez seja paranoia minha. E a gente não pode culpar as pessoas. É o mundo que elas conhecem desde que nasceram.”
Mayara e Naira contam que ainda não sabem quantas pessoas vão poder convidar para o casamento no Rock in Rio. Seja como for, devem promover uma festa posterior para chamar amigos e familiares que não estarão no festival.
No dia seguinte à cerimônia do evento, viajam para a lua de mel. Depois, mudam-se das casas em que vivem com as famílias. Compraram uma nova na Gávea. E aí tem outro problema. “Minha mãe e a da Mayara estão com a síndrome do ninho vazio”, brinca Naira.

Um casamento por dia
A cada dia do Rock in Rio 2015, que marca os 30 anos do festival, será realizado um novo casamento. Um juiz de paz irá se encarregar de oficializar a união civil.
Casar no Rock in Rio já pode ser considerado tradição. Na edição de 2011, no dia do show do Red Hot Chilli Peppers, a professora Raquel Lettres e o analista de sistemas Gabriel Gemelly trocaram alianças em uma cerimônia realizada na Rock Street.
Em 2013, Daniele Sant’Ana e Alan Gomes combinaram com a produção do evento e se casaram no dia do show do Bon Jovi.
G1

casamentoMayara pediu Naira em casamento durante o show da Beyoncé no Rock in Rio 2013. Na época, ainda não sabiam que iriam protagonizar a primeira união gay da história do festival.
Juntas há três anos, elas são um dos sete casais ganhadores da promoção “Eu vou casar no Rock in Rio”.
A cerimônia está marcada para acontecer na Capela da Cidade do Rock no 26 de setembro, curiosamente no dia da apresentação de Rihanna, uma espécie de “concorrente” de Beyoncé.
‘Vai ficar na história’
“Geralmente aparecem na mídia mais casos de homofobia do que casos com finais felizes”, opina Mayara Monteiro, que é do Rio, tem 23 anos e trabalha como técnica em informática. “É uma chance única. Dizem que vamos levar uma bandeira e que vai ficar marcado para a história do Rock in Rio.”
Mayara acredita que muita gente sequer sabe que a união entre homossexuais é possível por aqui. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que obriga os cartórios de todo o Brasil a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.
Ela descreve como planejou tudo dois anos atrás: “Fomos ao show da Beyoncé porque a Naira é muito fã. Decorei ‘Crazy in love’, uma das músicas de que ela mais gosta, e armei com uns amigos que estavam lá: pedi para cada um segurar um cartaz com um trecho do refrão. Fizemos tipo a coreografia do clipe, e aconteceu o pedido”.
A surpresa deu tão certo, que Naira quase não se deu conta do que acontecia. “Eu estava fascinada, olhando para o palco, mas aí começaram a botar as plaquinhas no meu rosto e virei para trás”, conta ela, que é produtora de eventos e tem 23 anos.
“Quando vi, tinha uma fileirinha de amigos lá, e a Mayrava dançando! Quem conhece sabe que dançar não combina com ela – muito menos Beyoncé… Foi um misto de engraçado com surpreendente.”

Pessimistas
Depois do noivado, Mayara e Naira marcaram a data do casamento para 2016. “Só que aí surgiu a ideia do concurso…”, recordam. Meio descrentes, foram avançando fase a fase na disputa. Na última etapa, precisavam fazer um vídeo com um pedido surpresa de casamento – e tinha de ser de verdade.
“Fiquei completamente sem graça e completamente sem reação”, conta Naira (novamente) surpreendida. As duas não esperavam que o tal vídeo conseguisse tanta aprovação. Havia, por exemplo, um casal de homens entre os finalistas que despertou reações desfavoráveis.
“No vídeo deles, notei pessoas fazendo comentários ruins. E o nosso não teve nada disso, todo mundo curtiu e comentou”, diz Mayara. Ela tem um palpite do porquê: “Não sei, às vezes penso que um casal de meninas é mais aceito do que um casal de meninos”.

‘Somos duas mulheres’
Ainda assim, Naira esperava alguma rejeição. “Achei que teriam algum tipo de receio, porque o Rock in Rio tem um público abrangente”, fala. “Além disso, na festa que deram para os casais ganhadores, fiquei superfeliz porque nos trataram como um casal de duas mulheres, mesmo. Isso é importante. Normalmente, tratam uma como mulher e a outra como ‘homem’.”
Ela conta que esse tipo de “constrangimento” é recorrente. “Falam claramente que tem um homem e uma mulher da relação. E não é assim. Em restaurantes, por exemplo, as pessoas oferecem cardápio e a conta para a Mayara, como se ela fosse o homem. Acontece muito dessas coisinhas”, aponta.
“São detalhes que às vezes passam despercebidos até para a Mayara. Mas sou muito detalhista, sou ativista, sou negra, minha mãe sempre foi do movimento negro. Tenho uma visão diferente do preconceito. Talvez seja paranoia minha. E a gente não pode culpar as pessoas. É o mundo que elas conhecem desde que nasceram.”
Mayara e Naira contam que ainda não sabem quantas pessoas vão poder convidar para o casamento no Rock in Rio. Seja como for, devem promover uma festa posterior para chamar amigos e familiares que não estarão no festival.
No dia seguinte à cerimônia do evento, viajam para a lua de mel. Depois, mudam-se das casas em que vivem com as famílias. Compraram uma nova na Gávea. E aí tem outro problema. “Minha mãe e a da Mayara estão com a síndrome do ninho vazio”, brinca Naira.

Um casamento por dia
A cada dia do Rock in Rio 2015, que marca os 30 anos do festival, será realizado um novo casamento. Um juiz de paz irá se encarregar de oficializar a união civil.
Casar no Rock in Rio já pode ser considerado tradição. Na edição de 2011, no dia do show do Red Hot Chilli Peppers, a professora Raquel Lettres e o analista de sistemas Gabriel Gemelly trocaram alianças em uma cerimônia realizada na Rock Street.
Em 2013, Daniele Sant’Ana e Alan Gomes combinaram com a produção do evento e se casaram no dia do show do Bon Jovi.
G1