Idosa que nunca foi à escola realiza sonho de lançar livro de poesias

escritoraUma moradora de Itupeva (SP) que nunca frequentou a escola realizou, aos 94 anos, o sonho de lançar um livro com suas poesias. Leonira Gentini teve o gosto pela literatura apurado por causa de um grande amor na adolescência. Apesar das dificuldades – devido a uma doença, ela perdeu parte das mãos – ela conseguiu aprender a escrever e publicar o primeiro livro, entitulado “Só Poesias”.
A poetisa perdeu uma das mãos por causa de uma doença degenerativa em 1988 e, nove anos depois, teve um câncer na palma da mão esquerda, que tirou dela a outra parte do corpo.
Mas para Leonira, o coração foi o suficiente para sobrepor o que foi perdido. “Ele é grande, para caber tanta poesia, ele deve ser bem grande”, diz. E foi justamente por amor que a poetisa começou a escrever.
Aos 15 anos, conheceu o primeiro e único grande amor da vida, segundo ela. O namoro, que depois se transformou em noivado, não durou muito, mas criou lembranças que se tornaram fonte de inspiração para a vida toda. “Foi o meu grande amor. Depois até namorei alguém, mas nunca foi como o primeiro. Talvez o coração tenha ficado carente e começou a expelir, jogar fora as coisas bonitas, e eu comecei a escrever.”
Palavras cuidadosamente pensadas e letras caprichosamente escritas saem do coração da poetisa, que conhece a escola somente pelo nome.
Leonira conta que nunca frequentou um colégio. Aos 8 anos, o pai tentou apresentá-la às letras e, na primeira dificuldade, o alfabeto passou a ser algo distante de se completar. Leonira tinha dificuldade com as letras P, B e D. “Para mim eram sempre as mesmas coisas”, conta.
Até que um dia, seu pai perdeu a paciência durante os estudos e atirou uma carteira em seu rosto. “Apontando o dedo na minha cara, disse em italiano: ‘Santo Deus, você é uma burra’. Ele matou o meu desejo de aprender a ler com aquela brutalidade”, lembra.
Mais velha de quatro irmãs, Leonira mora hoje com a caçula, Judite André. Mas, além de cuidar da irmã, Judite também tem a responsabilidade de ser a primeira a ouvir cada novo poema. “Ela fica no quarto escrevendo e me chama para ouvir. É muito lindo”, diz Judite.
A realização do sonho demorou mais de 90 anos, mas o recém-lançado livro carrega nas páginas fragmentos do coração de Leonira, que garante ainda ter poesias, histórias e coração para outras publicações. “Eu me acho jovem ainda. Apesar das rugas, a juventude está aqui, na cabeça. Tenho bastante histórias para contar ainda.”
G1

escritoraUma moradora de Itupeva (SP) que nunca frequentou a escola realizou, aos 94 anos, o sonho de lançar um livro com suas poesias. Leonira Gentini teve o gosto pela literatura apurado por causa de um grande amor na adolescência. Apesar das dificuldades – devido a uma doença, ela perdeu parte das mãos – ela conseguiu aprender a escrever e publicar o primeiro livro, entitulado “Só Poesias”.
A poetisa perdeu uma das mãos por causa de uma doença degenerativa em 1988 e, nove anos depois, teve um câncer na palma da mão esquerda, que tirou dela a outra parte do corpo.
Mas para Leonira, o coração foi o suficiente para sobrepor o que foi perdido. “Ele é grande, para caber tanta poesia, ele deve ser bem grande”, diz. E foi justamente por amor que a poetisa começou a escrever.
Aos 15 anos, conheceu o primeiro e único grande amor da vida, segundo ela. O namoro, que depois se transformou em noivado, não durou muito, mas criou lembranças que se tornaram fonte de inspiração para a vida toda. “Foi o meu grande amor. Depois até namorei alguém, mas nunca foi como o primeiro. Talvez o coração tenha ficado carente e começou a expelir, jogar fora as coisas bonitas, e eu comecei a escrever.”
Palavras cuidadosamente pensadas e letras caprichosamente escritas saem do coração da poetisa, que conhece a escola somente pelo nome.
Leonira conta que nunca frequentou um colégio. Aos 8 anos, o pai tentou apresentá-la às letras e, na primeira dificuldade, o alfabeto passou a ser algo distante de se completar. Leonira tinha dificuldade com as letras P, B e D. “Para mim eram sempre as mesmas coisas”, conta.
Até que um dia, seu pai perdeu a paciência durante os estudos e atirou uma carteira em seu rosto. “Apontando o dedo na minha cara, disse em italiano: ‘Santo Deus, você é uma burra’. Ele matou o meu desejo de aprender a ler com aquela brutalidade”, lembra.
Mais velha de quatro irmãs, Leonira mora hoje com a caçula, Judite André. Mas, além de cuidar da irmã, Judite também tem a responsabilidade de ser a primeira a ouvir cada novo poema. “Ela fica no quarto escrevendo e me chama para ouvir. É muito lindo”, diz Judite.
A realização do sonho demorou mais de 90 anos, mas o recém-lançado livro carrega nas páginas fragmentos do coração de Leonira, que garante ainda ter poesias, histórias e coração para outras publicações. “Eu me acho jovem ainda. Apesar das rugas, a juventude está aqui, na cabeça. Tenho bastante histórias para contar ainda.”
G1