Como morte de principais líderes afeta sobrevivência do Estado Islâmico

terrorNa semana passada, o grupo autodenominado “Estado Islâmico” (EI) anunciou a morte de Abu Muhammad al-Adnani, seu porta-voz e um de seus principais líderes.
A agência de notícias Amaq, tida como um dos veículos oficiais do grupo, disse que ele foi morto quando inspecionava combatentes em Aleppo.
Os EUA disseram que Adnani foi alvejado em um bombardeio de alta precisão em al-Bab, o principal reduto do EI na Síria após Raqqa.
A Rússia também afirmou ter sido responsável por sua morte.
Adnani, um dos principais líderes jihadistas dos últimos cinco anos, cujo nome verdadeiro era Taha Subhi Fallaha, nasceu em Binnish, no interior da província de Idlib, no noroeste da Síria.
Ele era um do poucos líderes do EI ainda em atividade vindos de uma geração que fundou o grupo, após a invasão do Iraque em 2003 liderada pelos Estados Unidos, e depois reconstruiu o mesmo quando as tropas americanas deixaram o país, em 2010.
Mas antes da morte de Adnani, o EI tinha perdido 50% de seu território no Iraque e 20% na Síria. Mesmo assim, ainda controlava uma área do tamanho da Grécia.
O impacto dessas perdas é um teste para a capacidade de sobrevivência do grupo, cujo apelo dependia, em grande parte, de sua alegação de ter fundado um califado no Iraque e na Síria em 2014.
Mas uma questão menos discutida é o impacto da sistemática aniquilação de líderes que ajudaram o grupo a se tornar o que é hoje.

Apenas dois
Segundo Khaled al-Quaysi, especialista em EI, apenas dois deles estão vivos.
Muitos desses líderes tinham assumido múltiplas funções antes de suas mortes, e uma razão para isso é o fato de o grupo depender das pessoas em quem confiava para cuidar de suas operações.
Adnani, por exemplo, era o porta-voz do grupo e também seu principal comandante na Síria. Ele também comandava as operações internacionais orquestradas a partir da Síria, a maioria delas em países ocidentais.
Seu substituto provável no comando das operações internacionais é o saudita Tirad al-Jarba, cujo nome de guerra é Abu Muhammad al-Shimali, um dos fundadores do EI e que cuidava de seus combatentes estrangeiros.
Outro exemplo de como o EI aposta suas fichas em líderes com várias funções foi Abu Ali al-Anbari, que se explodiu após cair em uma emboscada de forças americanas perto da fronteira entre a Síria e o Iraque em março.
Antes de sua morte, segundo um detalhado obituário publicado pela revista e newsletter em árabe do EI – chamada al-Naba – Anbari tinha sido chamado para largar suas funções de pregador em sua cidade, Tal Afar, perto de Mosul, e assumir o gerenciamento das finanças do grupo.

Fase de transição
A perda da velha guarda certamente agrava os problemas do grupo e pode representar o seu maior desafio desde a revolta de árabes sunitas contra eles – com apoio dos EUA – no Iraque em 2005 e 2006.
A sobrevivência do grupo a essa transição depende do quanto seus antigos líderes conseguiram estruturá-lo e defini-lo.
As mudanças no segundo e terceiro escalão de liderança já estão a caminho, e o processo pode afetar a direção adotada pelo EI e a forma como opera.
Os novos líderes cresceram dentro do grupo em um momento em que ele passava pela transição de franquia estrangeira conduzida por jihadistas veteranos para grupo insurgente predominantemente no Iraque, e depois de volta para um grupo híbrido local com uma agenda global.
Muitos deles também cresceram sob a ocupação americana no Iraque em um ambiente marcado por tensões sectárias e guerras civis.
A perda dos líderes da velha guarda pode, assim, injetar vida nova no EI, com comandantes mais dogmáticos, resilientes e antenados com a dinâmica local do que a geração anterior.
A quase dois anos do lançamento da operação internacional liderada pelos EUA para destruir o EI, o grupo ainda mantém 50% do território que chegou a controlar no Iraque e na Síria, incluindo bastiões importantes como Mosul e Raqqa.
A metade que sobrou pode até se esfacelar mais rapidamente do que a primeira, mas pode, também, durar mais.
A habilidade dos líderes emergentes do EI de manter a organização dependerá de como eles lutarão pela metade que ainda é deles.
Independentemente do que ocorrer em seguida, essa é uma guerra longa e há poucas esperanças para soluções rápidas.
Hassan Hassan é pesquisador residente no Tahrir Institute for Middle East Policy, Washington, e co-autor de ‘ISIS: Inside the Army of Terror’, (‘Estado Islâmico: Por dentro do Exército do Terror)’ em tradução livre.
G1

terrorNa semana passada, o grupo autodenominado “Estado Islâmico” (EI) anunciou a morte de Abu Muhammad al-Adnani, seu porta-voz e um de seus principais líderes.
A agência de notícias Amaq, tida como um dos veículos oficiais do grupo, disse que ele foi morto quando inspecionava combatentes em Aleppo.
Os EUA disseram que Adnani foi alvejado em um bombardeio de alta precisão em al-Bab, o principal reduto do EI na Síria após Raqqa.
A Rússia também afirmou ter sido responsável por sua morte.
Adnani, um dos principais líderes jihadistas dos últimos cinco anos, cujo nome verdadeiro era Taha Subhi Fallaha, nasceu em Binnish, no interior da província de Idlib, no noroeste da Síria.
Ele era um do poucos líderes do EI ainda em atividade vindos de uma geração que fundou o grupo, após a invasão do Iraque em 2003 liderada pelos Estados Unidos, e depois reconstruiu o mesmo quando as tropas americanas deixaram o país, em 2010.
Mas antes da morte de Adnani, o EI tinha perdido 50% de seu território no Iraque e 20% na Síria. Mesmo assim, ainda controlava uma área do tamanho da Grécia.
O impacto dessas perdas é um teste para a capacidade de sobrevivência do grupo, cujo apelo dependia, em grande parte, de sua alegação de ter fundado um califado no Iraque e na Síria em 2014.
Mas uma questão menos discutida é o impacto da sistemática aniquilação de líderes que ajudaram o grupo a se tornar o que é hoje.

Apenas dois
Segundo Khaled al-Quaysi, especialista em EI, apenas dois deles estão vivos.
Muitos desses líderes tinham assumido múltiplas funções antes de suas mortes, e uma razão para isso é o fato de o grupo depender das pessoas em quem confiava para cuidar de suas operações.
Adnani, por exemplo, era o porta-voz do grupo e também seu principal comandante na Síria. Ele também comandava as operações internacionais orquestradas a partir da Síria, a maioria delas em países ocidentais.
Seu substituto provável no comando das operações internacionais é o saudita Tirad al-Jarba, cujo nome de guerra é Abu Muhammad al-Shimali, um dos fundadores do EI e que cuidava de seus combatentes estrangeiros.
Outro exemplo de como o EI aposta suas fichas em líderes com várias funções foi Abu Ali al-Anbari, que se explodiu após cair em uma emboscada de forças americanas perto da fronteira entre a Síria e o Iraque em março.
Antes de sua morte, segundo um detalhado obituário publicado pela revista e newsletter em árabe do EI – chamada al-Naba – Anbari tinha sido chamado para largar suas funções de pregador em sua cidade, Tal Afar, perto de Mosul, e assumir o gerenciamento das finanças do grupo.

Fase de transição
A perda da velha guarda certamente agrava os problemas do grupo e pode representar o seu maior desafio desde a revolta de árabes sunitas contra eles – com apoio dos EUA – no Iraque em 2005 e 2006.
A sobrevivência do grupo a essa transição depende do quanto seus antigos líderes conseguiram estruturá-lo e defini-lo.
As mudanças no segundo e terceiro escalão de liderança já estão a caminho, e o processo pode afetar a direção adotada pelo EI e a forma como opera.
Os novos líderes cresceram dentro do grupo em um momento em que ele passava pela transição de franquia estrangeira conduzida por jihadistas veteranos para grupo insurgente predominantemente no Iraque, e depois de volta para um grupo híbrido local com uma agenda global.
Muitos deles também cresceram sob a ocupação americana no Iraque em um ambiente marcado por tensões sectárias e guerras civis.
A perda dos líderes da velha guarda pode, assim, injetar vida nova no EI, com comandantes mais dogmáticos, resilientes e antenados com a dinâmica local do que a geração anterior.
A quase dois anos do lançamento da operação internacional liderada pelos EUA para destruir o EI, o grupo ainda mantém 50% do território que chegou a controlar no Iraque e na Síria, incluindo bastiões importantes como Mosul e Raqqa.
A metade que sobrou pode até se esfacelar mais rapidamente do que a primeira, mas pode, também, durar mais.
A habilidade dos líderes emergentes do EI de manter a organização dependerá de como eles lutarão pela metade que ainda é deles.
Independentemente do que ocorrer em seguida, essa é uma guerra longa e há poucas esperanças para soluções rápidas.
Hassan Hassan é pesquisador residente no Tahrir Institute for Middle East Policy, Washington, e co-autor de ‘ISIS: Inside the Army of Terror’, (‘Estado Islâmico: Por dentro do Exército do Terror)’ em tradução livre.
G1