Terezinha queima e fica sem pódio nos 200: “Me perdoo porque sou humana”

Mesmo que as concorrentes fossem mais rápidas, Terezinha Guilhermina sempre frisava que ela mesma era sua maior adversária. Ficou com a britânica Libby Clegg entalada na garganta devido a uma polêmica nas semifinais dos 100m, mas seguiu bradando que, nos 200m, a conquista do tricampeonato paralímpico passaria apenas por seu próprio desempenho. Quis o destino que as palavras da brasileira ganhassem contornos irônicos. Ao queimar a largada na final, Terezinha foi desclassificada e, assim como na prova mais rápida, ficou fora do pódio.
– Ainda não sei se choro ou se rio. Não sei se foi azar ou se foi sorte, mas em 16 anos na minha vida (no esporte) eu nunca queimei. Sempre tenho uma reação que não é a melhor, e quando o Rafael (guia) me contou que eu queimei, falei que não podia ser. Ele falou que estava no meu bloco. Estava escrito. Ter queimado na prova que eu mais gosto, na prova para qual mais me preparei realmente é uma frustração, não é divertido (…) Hoje eu perdi para mim. Saio da pista como alguém que perdeu, só que alguém que perdeu por um erro. Peço perdão ao Brasil por ter errado, mas eu me perdoo porque sou humana. Um erro meu em 16 anos não vai apagar minha história. Que venham as próximas provas, as próximas medalhas.
Sem a presença da brasileira, Clegg, campeã nos 100m, voltou a ser a mais rápida. Com o tempo de 24s51, ela e seu guia conquistaram o ouro com direito a recorde paralímpico. O pódio teve ainda duas chinesas. A prata ficou com Cuiqing Liu, com 24s85, enquanto Guohua Zhou levou o bronze com 24s99.

Terezinha ainda disputa outras duas provas na Paralimpíada do Rio. Nesta quinta, representa o Brasil no revezamento 4x100m T11-13. O único evento individual que resta são os 400m, onde será acompanhada por outro guia,Rodrigo Chieregatto.
O resultado é decepcionante principalmente porque a brasileira conseguiu os melhores tempos tanto da fase classificatória quanto da semifinal. A confiança pelo desempenho na pista se refletia nas palavras nas entrevistas concedidas na sequência.
Para a final desta terça-feira, Terezinha chegou animada. Quando entrou na pista acenou sorridente para o público junto com o guia Rafael Lazarini. Mandou beijos, fez um coração com as mãos. Posicionada no bloco de largada, saiu antes do tiro de partida. A organização ainda demorou alguns segundos para confirmar a desclassificação e mostrar o cartão vermelho. Terezinha aplaudiu o público, fez novamente o coração e se retirou da área de competição.
– O que recebi de amor, carinho e respeito do público pelo meu trabalho tem sido um grande presente. Eu podia ter saído do estádio vaiada, porque sei que um monte de gente veio simplesmente para me assistir correr. Mas eles me aplaudiram, me motivaram, me amaram. Quando comecei a pular o Rafael falou “Terezinha, você acabou de queimar a prova!”, mas falei que ia me divertir. O mínimo que eu podia fazer era corresponder o carinho do público, o carinho que eles estavam pedindo de mim. Errando ou não, vou continuar sendo alegre.
Como as provas para cegos possuem apenas quatro finalistas para que haja raias suficientes para atletas e guias, a eliminação da brasileira deixou todas as competidoras remanescentes com medalha garantida. Faltava apenas definir a ordem. Clegg mais uma vez voou para garantir o ouro, o segundo dela na Rio 2016.
Na semana passada, Terezinha havia ficado sem medalha nos 100m e alimentou uma polêmica envolvendo da britânica, que chegou a ser desclassificada por uma suposta ”puxada” de seu guia, mas teve a punição revogada. A brasileira disparou várias vezes contra a organização, alegando que o resultado era injusto e que não tinha se preparado para ”correr contras homens”.
G1

Mesmo que as concorrentes fossem mais rápidas, Terezinha Guilhermina sempre frisava que ela mesma era sua maior adversária. Ficou com a britânica Libby Clegg entalada na garganta devido a uma polêmica nas semifinais dos 100m, mas seguiu bradando que, nos 200m, a conquista do tricampeonato paralímpico passaria apenas por seu próprio desempenho. Quis o destino que as palavras da brasileira ganhassem contornos irônicos. Ao queimar a largada na final, Terezinha foi desclassificada e, assim como na prova mais rápida, ficou fora do pódio.
– Ainda não sei se choro ou se rio. Não sei se foi azar ou se foi sorte, mas em 16 anos na minha vida (no esporte) eu nunca queimei. Sempre tenho uma reação que não é a melhor, e quando o Rafael (guia) me contou que eu queimei, falei que não podia ser. Ele falou que estava no meu bloco. Estava escrito. Ter queimado na prova que eu mais gosto, na prova para qual mais me preparei realmente é uma frustração, não é divertido (…) Hoje eu perdi para mim. Saio da pista como alguém que perdeu, só que alguém que perdeu por um erro. Peço perdão ao Brasil por ter errado, mas eu me perdoo porque sou humana. Um erro meu em 16 anos não vai apagar minha história. Que venham as próximas provas, as próximas medalhas.
Sem a presença da brasileira, Clegg, campeã nos 100m, voltou a ser a mais rápida. Com o tempo de 24s51, ela e seu guia conquistaram o ouro com direito a recorde paralímpico. O pódio teve ainda duas chinesas. A prata ficou com Cuiqing Liu, com 24s85, enquanto Guohua Zhou levou o bronze com 24s99.

Terezinha ainda disputa outras duas provas na Paralimpíada do Rio. Nesta quinta, representa o Brasil no revezamento 4x100m T11-13. O único evento individual que resta são os 400m, onde será acompanhada por outro guia,Rodrigo Chieregatto.
O resultado é decepcionante principalmente porque a brasileira conseguiu os melhores tempos tanto da fase classificatória quanto da semifinal. A confiança pelo desempenho na pista se refletia nas palavras nas entrevistas concedidas na sequência.
Para a final desta terça-feira, Terezinha chegou animada. Quando entrou na pista acenou sorridente para o público junto com o guia Rafael Lazarini. Mandou beijos, fez um coração com as mãos. Posicionada no bloco de largada, saiu antes do tiro de partida. A organização ainda demorou alguns segundos para confirmar a desclassificação e mostrar o cartão vermelho. Terezinha aplaudiu o público, fez novamente o coração e se retirou da área de competição.
– O que recebi de amor, carinho e respeito do público pelo meu trabalho tem sido um grande presente. Eu podia ter saído do estádio vaiada, porque sei que um monte de gente veio simplesmente para me assistir correr. Mas eles me aplaudiram, me motivaram, me amaram. Quando comecei a pular o Rafael falou “Terezinha, você acabou de queimar a prova!”, mas falei que ia me divertir. O mínimo que eu podia fazer era corresponder o carinho do público, o carinho que eles estavam pedindo de mim. Errando ou não, vou continuar sendo alegre.
Como as provas para cegos possuem apenas quatro finalistas para que haja raias suficientes para atletas e guias, a eliminação da brasileira deixou todas as competidoras remanescentes com medalha garantida. Faltava apenas definir a ordem. Clegg mais uma vez voou para garantir o ouro, o segundo dela na Rio 2016.
Na semana passada, Terezinha havia ficado sem medalha nos 100m e alimentou uma polêmica envolvendo da britânica, que chegou a ser desclassificada por uma suposta ”puxada” de seu guia, mas teve a punição revogada. A brasileira disparou várias vezes contra a organização, alegando que o resultado era injusto e que não tinha se preparado para ”correr contras homens”.
G1