Como familiares de vítimas assumiram investigações sobre voo que sumiu misteriosamente

sumiu2A investigação de um acidente aéreo que vem sendo liderada não por especialistas, mas por um grupo de detetives amadores (e enlutados) e por um aventureiro americano ansioso pela verdade.
Como jornalista que cobre o setor de transportes há vários anos para a BBC, eu não tinha visto nada parecido.
No momento em que escrevo, oito pessoas que perderam entes queridos no voo MH370 da Malaysia Airlines – que desapareceu em março de 2014 – mais o advogado e aventureiro americano Blaine Alan Gibson estão averiguando minuciosamente praias distantes na gigante ilha de Madagascar, no leste da África, em busca de prováveis destroços do avião.
Gibson, que adora viajar pelo mundo e é comparado por alguns ao personagem aventureiro do cinema Indiana Jones, já passou mais de um ano procurando pela aeronave – e usando dinheiro do próprio bolso.
Aos que o acusam de estar obcecado, ele responde dizendo que se vê numa missão.

Descoberta de novos objetos
O grupo está em Madagascar há uma semana e descobriu vários pedaços que poderiam ser do MH370.
A aeronave da Malaysia Airlines voava de Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China, e sumiu dos radares depois de uma hora, enquanto sobrevoava o Golfo da Tailândia, no Mar da China.
A mãe de Grace Subathirai Nathan estava entre os 239 passageiros e tripulantes desaparecidos.
Grace divulgou as fotos abaixo na sua página no Facebook.
“NOVA parte de potenciais DESTROÇOS do MH370 encontrados na praia de Riake, na Ilha Sainte-Marie por um familiar de Jiang Hui há duas horas! Pela primeira vez uma peça foi encontrada por um de nós. Uma grande mistura de sentimentos para todos – dor, tristeza, confusão, esperança”, escreveu Grace, em inglês.
Um dos pedaços encontrados, ou uma combinação deles, pode eventualmente ser a chave para resolver o mistério.
Até agora, foram pedaços levados pelo mar até as praias e achados por gente comum – e não peças obtidas pela grande busca submarina oficial – que vêm dando uma ideia melhor do que deve ter acontecido a bordo.
Partes do sistema de flaps (dispositivos de sustentação) das asas encontrados em praias levaram os investigadores a suspeitar que a aeronave perdeu altitude rapidamente e sem controle, em vez de planar de maneira suave e controlada.

Em busca de olhos e ouvidos
Quando conversei com Grace por telefone, ela me contou sobre essa sua viagem incrível e única.
“Apenas um morador já tinha ouvido falar do MH370. Alguns provavelmente nunca tinham visto um avião de carreira, mas todos entenderam a dor da perda”, disse.
Os parentes dos desaparecidos querem que os habitantes das ilhas da região sejam seus olhos e ouvidos, procurando por possíveis destroços depois que as famílias voltarem para casa.
“Fizemos livretos em inglês, francês e malaio. São um passo a passo do que fazer – como lidar com destroços se você encontrá-los, como fotografar e entregá-los às pessoas certas”, explica.
“Os livretos são plastificados para que pescadores possam tê-los a bordo sem que sejam molhados e se percam. A autoridade de turismo local também nos ajudou a fazer um vídeo em malaio, que podemos exibir para os moradores. Alguns não sabem ler.”
Os familiares também recrutaram o prefeito, que vai guardar as peças encontradas até que elas sejam enviadas para os especialistas na Malásia.
A responsabilidade pela apuração do caso do sumiço do voo MH370 é do governo do país asiático.

Equipe de familiares
Durante meses, as famílias vêm questionando por que elas mesmas – em vez das autoridades malaias – têm coordenado buscas nas praias em todo o mundo.
Grace está em Madagascar com um grupo de familiares que vivem na Malásia, China e França. Nenhum deles se conhecia antes da tragédia. Agora, formam uma equipe que está determinada a manter viva a procura por pistas.
As buscas marítimas devem ser encerradas em breve e os familiares vão ser os únicos procurando vestígios do voo.
Tudo o que eles estão achando ainda precisa ser analisado por peritos para confirmar se são partes do avião desaparecido.
Eles estão vasculhando milhares de quilômetros a partir de onde os investigadores acreditam que o avião caiu, o que faz sentido se pensarmos em como se comportam os oceanos.
Depois de meses de experimentos, cientistas mostraram que as correntes marinhas e os ventos devem ter levado pequenas partes do Boeing 777 flutuando pelo Oceano Índico para as costas de África do Sul, Tanzânia, Madagascar, Moçambique e Ilha Reunião.

Pistas não procuradas
Acredita-se que milhares de pistas ainda possam surgir, apenas porque ninguém as está procurando.
Algumas podem ser objetos pessoais dos passageiros. Outras, levar a respostas sobre o que aconteceu.
Um exemplo: se aparecer um pedaço danificado por fogo, isso pode indicar que houve um acidente, não um ato deliberado.
O que aconteceu com o voo MH370 é um dos maiores mistérios da aviação mundial. E são as pessoas que perderam entes queridos e um aventureiro americano ansioso pela verdade que mantêm viva a busca por respostas.
G1

sumiu2A investigação de um acidente aéreo que vem sendo liderada não por especialistas, mas por um grupo de detetives amadores (e enlutados) e por um aventureiro americano ansioso pela verdade.
Como jornalista que cobre o setor de transportes há vários anos para a BBC, eu não tinha visto nada parecido.
No momento em que escrevo, oito pessoas que perderam entes queridos no voo MH370 da Malaysia Airlines – que desapareceu em março de 2014 – mais o advogado e aventureiro americano Blaine Alan Gibson estão averiguando minuciosamente praias distantes na gigante ilha de Madagascar, no leste da África, em busca de prováveis destroços do avião.
Gibson, que adora viajar pelo mundo e é comparado por alguns ao personagem aventureiro do cinema Indiana Jones, já passou mais de um ano procurando pela aeronave – e usando dinheiro do próprio bolso.
Aos que o acusam de estar obcecado, ele responde dizendo que se vê numa missão.

Descoberta de novos objetos
O grupo está em Madagascar há uma semana e descobriu vários pedaços que poderiam ser do MH370.
A aeronave da Malaysia Airlines voava de Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China, e sumiu dos radares depois de uma hora, enquanto sobrevoava o Golfo da Tailândia, no Mar da China.
A mãe de Grace Subathirai Nathan estava entre os 239 passageiros e tripulantes desaparecidos.
Grace divulgou as fotos abaixo na sua página no Facebook.
“NOVA parte de potenciais DESTROÇOS do MH370 encontrados na praia de Riake, na Ilha Sainte-Marie por um familiar de Jiang Hui há duas horas! Pela primeira vez uma peça foi encontrada por um de nós. Uma grande mistura de sentimentos para todos – dor, tristeza, confusão, esperança”, escreveu Grace, em inglês.
Um dos pedaços encontrados, ou uma combinação deles, pode eventualmente ser a chave para resolver o mistério.
Até agora, foram pedaços levados pelo mar até as praias e achados por gente comum – e não peças obtidas pela grande busca submarina oficial – que vêm dando uma ideia melhor do que deve ter acontecido a bordo.
Partes do sistema de flaps (dispositivos de sustentação) das asas encontrados em praias levaram os investigadores a suspeitar que a aeronave perdeu altitude rapidamente e sem controle, em vez de planar de maneira suave e controlada.

Em busca de olhos e ouvidos
Quando conversei com Grace por telefone, ela me contou sobre essa sua viagem incrível e única.
“Apenas um morador já tinha ouvido falar do MH370. Alguns provavelmente nunca tinham visto um avião de carreira, mas todos entenderam a dor da perda”, disse.
Os parentes dos desaparecidos querem que os habitantes das ilhas da região sejam seus olhos e ouvidos, procurando por possíveis destroços depois que as famílias voltarem para casa.
“Fizemos livretos em inglês, francês e malaio. São um passo a passo do que fazer – como lidar com destroços se você encontrá-los, como fotografar e entregá-los às pessoas certas”, explica.
“Os livretos são plastificados para que pescadores possam tê-los a bordo sem que sejam molhados e se percam. A autoridade de turismo local também nos ajudou a fazer um vídeo em malaio, que podemos exibir para os moradores. Alguns não sabem ler.”
Os familiares também recrutaram o prefeito, que vai guardar as peças encontradas até que elas sejam enviadas para os especialistas na Malásia.
A responsabilidade pela apuração do caso do sumiço do voo MH370 é do governo do país asiático.

Equipe de familiares
Durante meses, as famílias vêm questionando por que elas mesmas – em vez das autoridades malaias – têm coordenado buscas nas praias em todo o mundo.
Grace está em Madagascar com um grupo de familiares que vivem na Malásia, China e França. Nenhum deles se conhecia antes da tragédia. Agora, formam uma equipe que está determinada a manter viva a procura por pistas.
As buscas marítimas devem ser encerradas em breve e os familiares vão ser os únicos procurando vestígios do voo.
Tudo o que eles estão achando ainda precisa ser analisado por peritos para confirmar se são partes do avião desaparecido.
Eles estão vasculhando milhares de quilômetros a partir de onde os investigadores acreditam que o avião caiu, o que faz sentido se pensarmos em como se comportam os oceanos.
Depois de meses de experimentos, cientistas mostraram que as correntes marinhas e os ventos devem ter levado pequenas partes do Boeing 777 flutuando pelo Oceano Índico para as costas de África do Sul, Tanzânia, Madagascar, Moçambique e Ilha Reunião.

Pistas não procuradas
Acredita-se que milhares de pistas ainda possam surgir, apenas porque ninguém as está procurando.
Algumas podem ser objetos pessoais dos passageiros. Outras, levar a respostas sobre o que aconteceu.
Um exemplo: se aparecer um pedaço danificado por fogo, isso pode indicar que houve um acidente, não um ato deliberado.
O que aconteceu com o voo MH370 é um dos maiores mistérios da aviação mundial. E são as pessoas que perderam entes queridos e um aventureiro americano ansioso pela verdade que mantêm viva a busca por respostas.
G1