No Pará, criança de 12 anos tem bebê e diz que foi abusada pelo padrasto

Mais de 800 crianças e adolescentes menores de 14 anos foram vítimas de abuso sexual, este ano, no estado do Pará. Esse é o registro oficial. Mas o número pode ser ainda maior, por causa do medo de denunciar o agressor.
Uma criança de 12 anos é mãe de um recém-nascido. Ela contou à polícia que foi abusada pelo padrasto dentro da própria casa. No depoimento, a menina disse que isso ocorreu três vezes.
No ano passado, o Jornal Nacional mostrou as denúncias de abusos contra crianças feitas pelo então bispo da Ilha do Marajó, Dom José Luiz Azcona. Ameaçado de morte, ele reclamou da falta de empenho das autoridades para combater a violência sexual na região. Dom José Azcona se aposentou e agora é bispo emérito da Ilha do Marajó. Ele continua morando na região e dá apoio ao trabalho do novo bispo.
Este ano, o Conselho Tutelar de São Sebastião da Boa Vista, uma das cidades da Ilha, recebeu 13 denúncias de abuso contra crianças e adolescentes. Seis meninas de 12 e 13 anos estão grávidas e duas vítimas de abuso têm apenas 8 anos de idade. Uma delas foi violentada por um vizinho. “Ele pegou nas minhas partes e aí ficou falando que não era para eu falar para ninguém. Aí eu fui e falei para minha mãe”, conta a menina.
“Minha esposa ficou desesperada falando o que tinha acontecido e que alguém tinha abusado da minha filha. Vieram dois policiais imediatamente ao encontro do cidadão, mas ele tinha fugido”, diz o pai da menina.
Na maioria dos casos os suspeitos de abuso sexual convivem com as vítimas no dia a dia: são padrastos, tios, vizinhos. E quando esses crimes acontecem no ambiente familiar, muitas crianças preferem manter o silêncio por medo de serem abandonadas.
“A família acha que isso vai ficar mal e começa a colocar pressão na criança, de não contar, ‘’Você não deve contar’, mas eles não sabem que por trás disso estão comprometendo o futuro dessa criança”, diz a conselheira tutelar Paula Rodrigues.
O Jornal Nacional foi até a casa da menina de 12 anos que disse ter sido violentada pelo padrasto. A mãe dela tem mais dez filhos.
“Olha, eu não acreditei muito nela, porque ela não parava em casa”, disse a mãe.
O padrasto foi preso acusado de estupro de vulnerável. A menina está sob a guarda provisória de uma outra família.
O delegado de São Sebastião da Boa Vista disse que está investigando as denúncias. ”Esses casos são muito mais complexos, são difíceis de apurar, mas a gente tem feito um esforço para tentar esclarecê-los”, explica o delegado Tarso Martins.
Este ano, em todo o estado do Pará, o governo atendeu mais de 860 crianças e adolescentes menores de 14 anos que denunciaram terem sido vítimas de abuso sexual.
“Ainda existe uma subnotificação. E é em cima disso que nós estamos trabalhando. E hoje, a integração do sistema de segurança com o judiciário, com promotores em todos os municípios, tem fortalecido e muito o processo de responsabilização e o fim da sensação de impunidade com essa temática de violência contra a criança e o adolescente no arquipélago do Marajó”, diz.
G1

Mais de 800 crianças e adolescentes menores de 14 anos foram vítimas de abuso sexual, este ano, no estado do Pará. Esse é o registro oficial. Mas o número pode ser ainda maior, por causa do medo de denunciar o agressor.
Uma criança de 12 anos é mãe de um recém-nascido. Ela contou à polícia que foi abusada pelo padrasto dentro da própria casa. No depoimento, a menina disse que isso ocorreu três vezes.
No ano passado, o Jornal Nacional mostrou as denúncias de abusos contra crianças feitas pelo então bispo da Ilha do Marajó, Dom José Luiz Azcona. Ameaçado de morte, ele reclamou da falta de empenho das autoridades para combater a violência sexual na região. Dom José Azcona se aposentou e agora é bispo emérito da Ilha do Marajó. Ele continua morando na região e dá apoio ao trabalho do novo bispo.
Este ano, o Conselho Tutelar de São Sebastião da Boa Vista, uma das cidades da Ilha, recebeu 13 denúncias de abuso contra crianças e adolescentes. Seis meninas de 12 e 13 anos estão grávidas e duas vítimas de abuso têm apenas 8 anos de idade. Uma delas foi violentada por um vizinho. “Ele pegou nas minhas partes e aí ficou falando que não era para eu falar para ninguém. Aí eu fui e falei para minha mãe”, conta a menina.
“Minha esposa ficou desesperada falando o que tinha acontecido e que alguém tinha abusado da minha filha. Vieram dois policiais imediatamente ao encontro do cidadão, mas ele tinha fugido”, diz o pai da menina.
Na maioria dos casos os suspeitos de abuso sexual convivem com as vítimas no dia a dia: são padrastos, tios, vizinhos. E quando esses crimes acontecem no ambiente familiar, muitas crianças preferem manter o silêncio por medo de serem abandonadas.
“A família acha que isso vai ficar mal e começa a colocar pressão na criança, de não contar, ‘’Você não deve contar’, mas eles não sabem que por trás disso estão comprometendo o futuro dessa criança”, diz a conselheira tutelar Paula Rodrigues.
O Jornal Nacional foi até a casa da menina de 12 anos que disse ter sido violentada pelo padrasto. A mãe dela tem mais dez filhos.
“Olha, eu não acreditei muito nela, porque ela não parava em casa”, disse a mãe.
O padrasto foi preso acusado de estupro de vulnerável. A menina está sob a guarda provisória de uma outra família.
O delegado de São Sebastião da Boa Vista disse que está investigando as denúncias. ”Esses casos são muito mais complexos, são difíceis de apurar, mas a gente tem feito um esforço para tentar esclarecê-los”, explica o delegado Tarso Martins.
Este ano, em todo o estado do Pará, o governo atendeu mais de 860 crianças e adolescentes menores de 14 anos que denunciaram terem sido vítimas de abuso sexual.
“Ainda existe uma subnotificação. E é em cima disso que nós estamos trabalhando. E hoje, a integração do sistema de segurança com o judiciário, com promotores em todos os municípios, tem fortalecido e muito o processo de responsabilização e o fim da sensação de impunidade com essa temática de violência contra a criança e o adolescente no arquipélago do Marajó”, diz.
G1