Veja casos em que o pagamento de propina rendeu benefícios concretos à Odebrecht, segundo delatores

Em muitos dos casos de pagamentos indevidos a políticos denunciados na operação Lava-Jato, funcionários e ex-funcionários da Odebrecht relataram que as propinas renderam benefícios concretos à construtora.
Aprovação de medidas provisórias e leis que atendem aos seus interesses e interferências em licitações, principalmente da área de transportes e hidrelétricas, estão entre os casos mais comuns.
As acusações aparecem em inquérito autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A PGR fez o pedido com base nas delações dos ex-executivos da Odebrecht.
Veja a seguir uma lista desses casos, sempre segundo os relatos e os documentos apresentados pelos delatores. Os envolvidos negam as irregularidades. A defesa de cada um dos investigados pode ser vista clicando no nome do político, onde há links para as reportagens que detalham cada denúncia.
Obras da Olimpíada
A empresa teria pago R$ 15 milhões para que o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes facilitasse contratos relativos à Olímpiada de 2016.

Cidade Administrativa de MG e usinas hidrelétricas
A empresa teria pago propina ao senador Aécio Neves em troca do apoio do parlamentar, em especial em relação a obras de interesse da Odebrecht no Rio Madeira e nas usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Outro inquérito aponta que o tucano organizou um esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de um cartel de empreiteiras, na construção da “Cidade Administrativa” de Minas Gerais. O objetivo, dizem os colaboradores, era obter propinas com as obras.

Hidrelétrica de Jirau
O senador Edison Lobão é suspeito de receber R$ 5 milhões para interferir junto ao governo para anular adjudicação da obra referente à Usina Hidrelétrica de Jirau.

Rodoanel Sul
José Serra e o ministro Aloysio Nunes são investigados por supostas irregularidades no processo de licitação das obras do Rodoanel Sul que favoreceram a Odebrecht, líder do consórcio vencedor do contrato. De acordo com as denúncias, após pagamentos, houve promessa de evitar mudanças nos contratos das empresas do consórcio com o governo do estado.

Medidas provisórias
De acordo com as denúncias, a Odebrecht pagou a Eunício Oliveira, Romero Jucá, Renan Calheiros, Rodrigo Maia e Lúcio Lima para a aprovação de legislação favorável aos seus interesses – as MPs 470/09, 472/10 e 613/12. Alguns desses pagamentos foram para financiar a campanha de Dilma em 2010 e 2014. O grupo também teria pago valores aos parlamentares para converter as medidas provisórias em lei.

Torre comercial e shopping-center
Segundo o inquérito, Carlos Zarattini, Cândido Vacarezza e Guido Mantega receberam propina pela atuação na aprovação, pela Previ, de aquisição de torre comercial e de shopping-center no empreendimento “Parque da Cidade”. A Odebrecht queria vender os empreendimentos. Delatores dizem também que a empresa pagou Carlos Zarattini para a aprovação de emendas às medidas provisórias 641, 670, 677 e 688, direcionadas ao setor metroviário.

Canal do sertão alagoano
A empresa teria pago R$ 500 mil a Renan Calheiros para “realizar um acordo de mercado entre as empresas que participariam da obra canal do sertão alagoano”. Também teria pago R$ 4 milhões para ele aprovar MPs e as converter em lei. Em outro inquérito, relata-se que, após repasse da empresa ao PMDB como doação oficial – R$ 800 mil para a campanha de Renan Filho -, a MP 677/2015 foi convertida na Lei 13.182/15, que beneficiou a Braskem S/A, empresa controlada pelo grupo Odebrecht.

Pagamento de dívidas
Com créditos com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul decorrentes de obras realizadas no passado, mas sem conseguir receber porque os estados estavam quebrados, a Odebrecht teria pago propina ao ministro Blairo Maggi para acelerar os trabalhos de uma comissão criada para angariar repasses da União para pagar dívidas do estado com a construtora.

Usina Hidrelétrica de Santo Antônio
O senador Romero Jucá é suspeito de ter recebido R$ 10 milhões para proteger o grupo Odebrecht de ataques do governo federal relacionados à Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. O senador Ivo Cassol também é suspeito de receber R$ 2 milhões por “favorecimento nos procedimentos administrativos” referentes à execução das obras da mesma hidrelétrica, e seu secretário na época, João Carlos Gonçalves Ribeiro, teria recebido R$ 1 milhão.

Apoio em greve e invasão e nas hidrelétricas do Rio Madeira
O inquérito afirma que o deputado Paulinho da Força recebeu R$ 1 milhão em contrapartida a um apoio político em função de uma greve na Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport), em Santos (SP), e de uma invasão que o grupo empresarial sofreu no ano de 2013. Ele também teria auxiliado a empresa nas soluções de problemas na obra RNEST e nas Usinas Hidrelétricas do Rio Madeira.

Obras de saneamento básico
A empresa teria pago ao ministro Helder Barbalho e ao senador Paulo Rocha para conseguir concessão na área de saneamento básico no Pará.

Aeroportos e linha de trem
Segundo as denúncias, a empresa pagou ao ministro Eliseu Padilha para garantir cláusulas em uma rodada de concessão de aeroportos e para interferência em uma licitação de linha de trem entre Novo Hamburgo e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O ministro Moreira Franco também estaria envolvido no caso das concessões aeroportuárias.

Obras de saneamento em Blumenau
A Odebrecht teria pago R$ 500 mil a Napoleão Bernardes, candidato à prefeitura de Blumenau na época, para buscar apoio à manutenção dos contratos de saneamento de água e esgoto no município. O repasse teria sido articulado pelo senador Dalírio Beber.

Pagamento de dívidas no Maranhão
O deputado José Reinaldo é suspeito de ter sido conivente, quando era governador do Maranhão, com suposta propina recebida da Odebrecht pelo então procurador-geral de seu estado, Ulisses César Martins de Sousa. Segundo três delatores, a propina foi dada para facilitar o pagamento de valores devidos à construtora decorrentes de contrato administrativo.

Obras de saneamento no Rio Grande do Norte
A Odebrecht, que queria desenvolver PPPs de saneamento no Rio Grande do Norte, teria pago R$ 350 mil ao governador Robinson Faria na campanha de 2010 em troca de “eventual favorecimento em projetos” nessa área.
G1

Em muitos dos casos de pagamentos indevidos a políticos denunciados na operação Lava-Jato, funcionários e ex-funcionários da Odebrecht relataram que as propinas renderam benefícios concretos à construtora.
Aprovação de medidas provisórias e leis que atendem aos seus interesses e interferências em licitações, principalmente da área de transportes e hidrelétricas, estão entre os casos mais comuns.
As acusações aparecem em inquérito autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A PGR fez o pedido com base nas delações dos ex-executivos da Odebrecht.
Veja a seguir uma lista desses casos, sempre segundo os relatos e os documentos apresentados pelos delatores. Os envolvidos negam as irregularidades. A defesa de cada um dos investigados pode ser vista clicando no nome do político, onde há links para as reportagens que detalham cada denúncia.
Obras da Olimpíada
A empresa teria pago R$ 15 milhões para que o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes facilitasse contratos relativos à Olímpiada de 2016.

Cidade Administrativa de MG e usinas hidrelétricas
A empresa teria pago propina ao senador Aécio Neves em troca do apoio do parlamentar, em especial em relação a obras de interesse da Odebrecht no Rio Madeira e nas usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Outro inquérito aponta que o tucano organizou um esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de um cartel de empreiteiras, na construção da “Cidade Administrativa” de Minas Gerais. O objetivo, dizem os colaboradores, era obter propinas com as obras.

Hidrelétrica de Jirau
O senador Edison Lobão é suspeito de receber R$ 5 milhões para interferir junto ao governo para anular adjudicação da obra referente à Usina Hidrelétrica de Jirau.

Rodoanel Sul
José Serra e o ministro Aloysio Nunes são investigados por supostas irregularidades no processo de licitação das obras do Rodoanel Sul que favoreceram a Odebrecht, líder do consórcio vencedor do contrato. De acordo com as denúncias, após pagamentos, houve promessa de evitar mudanças nos contratos das empresas do consórcio com o governo do estado.

Medidas provisórias
De acordo com as denúncias, a Odebrecht pagou a Eunício Oliveira, Romero Jucá, Renan Calheiros, Rodrigo Maia e Lúcio Lima para a aprovação de legislação favorável aos seus interesses – as MPs 470/09, 472/10 e 613/12. Alguns desses pagamentos foram para financiar a campanha de Dilma em 2010 e 2014. O grupo também teria pago valores aos parlamentares para converter as medidas provisórias em lei.

Torre comercial e shopping-center
Segundo o inquérito, Carlos Zarattini, Cândido Vacarezza e Guido Mantega receberam propina pela atuação na aprovação, pela Previ, de aquisição de torre comercial e de shopping-center no empreendimento “Parque da Cidade”. A Odebrecht queria vender os empreendimentos. Delatores dizem também que a empresa pagou Carlos Zarattini para a aprovação de emendas às medidas provisórias 641, 670, 677 e 688, direcionadas ao setor metroviário.

Canal do sertão alagoano
A empresa teria pago R$ 500 mil a Renan Calheiros para “realizar um acordo de mercado entre as empresas que participariam da obra canal do sertão alagoano”. Também teria pago R$ 4 milhões para ele aprovar MPs e as converter em lei. Em outro inquérito, relata-se que, após repasse da empresa ao PMDB como doação oficial – R$ 800 mil para a campanha de Renan Filho -, a MP 677/2015 foi convertida na Lei 13.182/15, que beneficiou a Braskem S/A, empresa controlada pelo grupo Odebrecht.

Pagamento de dívidas
Com créditos com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul decorrentes de obras realizadas no passado, mas sem conseguir receber porque os estados estavam quebrados, a Odebrecht teria pago propina ao ministro Blairo Maggi para acelerar os trabalhos de uma comissão criada para angariar repasses da União para pagar dívidas do estado com a construtora.

Usina Hidrelétrica de Santo Antônio
O senador Romero Jucá é suspeito de ter recebido R$ 10 milhões para proteger o grupo Odebrecht de ataques do governo federal relacionados à Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. O senador Ivo Cassol também é suspeito de receber R$ 2 milhões por “favorecimento nos procedimentos administrativos” referentes à execução das obras da mesma hidrelétrica, e seu secretário na época, João Carlos Gonçalves Ribeiro, teria recebido R$ 1 milhão.

Apoio em greve e invasão e nas hidrelétricas do Rio Madeira
O inquérito afirma que o deputado Paulinho da Força recebeu R$ 1 milhão em contrapartida a um apoio político em função de uma greve na Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport), em Santos (SP), e de uma invasão que o grupo empresarial sofreu no ano de 2013. Ele também teria auxiliado a empresa nas soluções de problemas na obra RNEST e nas Usinas Hidrelétricas do Rio Madeira.

Obras de saneamento básico
A empresa teria pago ao ministro Helder Barbalho e ao senador Paulo Rocha para conseguir concessão na área de saneamento básico no Pará.

Aeroportos e linha de trem
Segundo as denúncias, a empresa pagou ao ministro Eliseu Padilha para garantir cláusulas em uma rodada de concessão de aeroportos e para interferência em uma licitação de linha de trem entre Novo Hamburgo e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O ministro Moreira Franco também estaria envolvido no caso das concessões aeroportuárias.

Obras de saneamento em Blumenau
A Odebrecht teria pago R$ 500 mil a Napoleão Bernardes, candidato à prefeitura de Blumenau na época, para buscar apoio à manutenção dos contratos de saneamento de água e esgoto no município. O repasse teria sido articulado pelo senador Dalírio Beber.

Pagamento de dívidas no Maranhão
O deputado José Reinaldo é suspeito de ter sido conivente, quando era governador do Maranhão, com suposta propina recebida da Odebrecht pelo então procurador-geral de seu estado, Ulisses César Martins de Sousa. Segundo três delatores, a propina foi dada para facilitar o pagamento de valores devidos à construtora decorrentes de contrato administrativo.

Obras de saneamento no Rio Grande do Norte
A Odebrecht, que queria desenvolver PPPs de saneamento no Rio Grande do Norte, teria pago R$ 350 mil ao governador Robinson Faria na campanha de 2010 em troca de “eventual favorecimento em projetos” nessa área.
G1