A BOLINHA DE PING PONG VERMELHA

E nasce o Inácio. Conta a história que numa manhã chuvosa do mês de janeiro do ano de mil novecentos e bolinha, na maternidade Alice da Luz da cidade de Santo Antônio das Codorninhas, cidade esta, ao norte de um estado lá do norte. Veio ao mundo, um menino que ganhou o nome de Inácio Pinto, primogênito de um casal endinheirado e metido a besta, sendo o pai, o sr. Armando Pinto e a mãe, a sra. A. Dora Pinto.
A cidade toda pagava um pau pra família, então todo mundo foi levar presentes pro pirralho recém nascido, fez até fila na porta da casa, parecia os Reis Magos, cada um levava uma coisa, tinha tapete de retalho, farinha, biju, guizo de cascavel, só não tinha mirra.
Assim foi o ano todo, presentes, festas, tombos, hematomas e muito mais. No seu primeiro aniversário, o riquinho ainda não tinha noção do que queria, então aceitou o presente que o pai deu, no segundo ano, ele já conseguia arranhar algumas palavras, por isso pediu uma bolinha de pingpong vermelha. O genitor ficou estupefato ……que desejo mais doido, menino, pra que você quer isso? me conta……e ele respondeu……conto, me da que depois eu conto.
Mas o pai, com todo seu dinheiro e ignorância, não ia dar um presente tão mixuruca, comprou uma coisa mil vezes mais caro, o guri gostou, mas ficou chateado, poxa dad, eu queria uma bolinha de pingpong vermelha, obrigado assim mesmo.
Um ano depois, outro aniversário, porem, o mesmo pedido, uma bolinha de pingpong vermelha.
Mas o que ele ganhou foi uma bicicleta toda de ouro, feita por encomenda lá na Cochinchina. De novo outra reclamação…..caramba Popoio..e a minha bolinha de pingpong vermelha?.. e o pai…..mas nenem, você não me conta porquê você quer, ai eu não compro….e o merdinha…eu não conto porquê você não me da, me da que eu conto.
365 dias depois, ano quarto, dr. Armando pergunta….filhote, que rico presente você quer ganhar esse ano? ..fedelho diz….não quero um rico, mas sim, um humilde presente, quero uma bolinha de pingpong vermelha e só vou dizer porquê quero depois de ganhar.
Oh moleque chato, eu desvio dinheiro da merenda escolar (dr Pinto era o vereador mais votado da cidade ) pra dar vida boa pra família e ele me pede uma bolinha de pingpong vermelha e ainda por cima não me conta o porquê desse desejo troncho, vai ganhar uma bola de capotão feita com couro de javali da Indonésia.
Os olhos do traquinas brilharam de alegria pelo mimo, mas ao mesmo tempo uma lágrima caiu, pois mais uma vez, seu desejo não foi atendido.
Redsmallballpingpong, foi assim, fazendo charminho, no seu inglês furreca, que no quinto aniversário, ele tentou mais uma vez ganhar sua bolinha de ping pong vermelha, mas não teve jeito, não ganhou, não quis dizer porquê de querer tanto esse brinquedinho, bem feito mas ganhou um long play dos Beatles,, vindo exclusivamente pra ele da Inglaterra, autografado pelos garotos de Liverpool.
Oh yeah, i´lltellyousomething, passou o dia inteiro cantarolando essa música, quando o pai chegou a noite da câmara, depois de um estafante dia de falcatruas, o beatlemaniacozinho questionou…..pai, e o meu pedido, cadê?….o pai responde ..,você não me disse porquê quer essa bolinha….o nojentinho retruca……me dá que eu conto, prometo.
Os anos foram passando, os aniversários chegando, presentes caros ganhando, e a bolinha e pingpong vermelha não vindo e o pai insistindo,..meu filho, faz tempo que você me pede essa tal de bolinha de pingpong vermelha, por favor meu filho, fala pra mim o porquê desse desejo e o rapaz dizendo ….quero porquê quero, enquanto não ganhar, vou continuar querendo até o senhor me dar.
E foi assim até Inacinho se formar médico, então ele foi medicar na clínica que seu avô, o dr. Serafim do Pinto fundou, lá já estavam seus primos, dra. A. Lisa Pinto, dr. Caio Pinto e dr. H. Romeu Pinto.
Quando ele fez sua primeira cirurgia sozinho, seu pai quis te dar um presente, dr. Armando, agora no seu quinto mandato, tinha ganho uma boa grana de propina, falou pro doutorzinho escolher seu presente, as opções eram, um Opala, um Maverick, ou um Puma, ele pediu uma bolinha de pingpong vermelha….ganhou um puma.
Domingo a tarde, Inácio a 150 por hora (o Puma corria pra cacete) inexperiente se arrebentaram todo ( ele e o Puma) .
No hospital, o doutor falou, tio, infelizmente não dá pra fazer nada por ele, agora é só rezar e pedir pra Deus levar ele em paz.
No leito de morte , o pai pergunta, ….meu filho, qual o seu último desejo?
….Uma bolinha de pingpong vermelha.
E foi aquela procura desesperada pra achar a danada da bolinha, lugar nenhum tinha, correram então pra capital, la também não tinha, então sugeriram comprar uma branca e pintar de vermelho, assim foi feito.
Voltaram para o hospital, ele já estava nas últimas.
Pronto meu filho, aqui está sua bolinha de pingpong vermelha, agora por favor acabe com essa tortura e conta porquê você tanto a quis.
Quase sem voz, mas com um brilho imenso no olhar, ele pega a bolinha, com um esforço enorme ergue o braço e exibe com orgulho o presente que a vida toda almejou, calmamente apertou a bolinha de pingpong vermelha contra o peito e morreu.

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com

E nasce o Inácio. Conta a história que numa manhã chuvosa do mês de janeiro do ano de mil novecentos e bolinha, na maternidade Alice da Luz da cidade de Santo Antônio das Codorninhas, cidade esta, ao norte de um estado lá do norte. Veio ao mundo, um menino que ganhou o nome de Inácio Pinto, primogênito de um casal endinheirado e metido a besta, sendo o pai, o sr. Armando Pinto e a mãe, a sra. A. Dora Pinto.
A cidade toda pagava um pau pra família, então todo mundo foi levar presentes pro pirralho recém nascido, fez até fila na porta da casa, parecia os Reis Magos, cada um levava uma coisa, tinha tapete de retalho, farinha, biju, guizo de cascavel, só não tinha mirra.
Assim foi o ano todo, presentes, festas, tombos, hematomas e muito mais. No seu primeiro aniversário, o riquinho ainda não tinha noção do que queria, então aceitou o presente que o pai deu, no segundo ano, ele já conseguia arranhar algumas palavras, por isso pediu uma bolinha de pingpong vermelha. O genitor ficou estupefato ……que desejo mais doido, menino, pra que você quer isso? me conta……e ele respondeu……conto, me da que depois eu conto.
Mas o pai, com todo seu dinheiro e ignorância, não ia dar um presente tão mixuruca, comprou uma coisa mil vezes mais caro, o guri gostou, mas ficou chateado, poxa dad, eu queria uma bolinha de pingpong vermelha, obrigado assim mesmo.
Um ano depois, outro aniversário, porem, o mesmo pedido, uma bolinha de pingpong vermelha.
Mas o que ele ganhou foi uma bicicleta toda de ouro, feita por encomenda lá na Cochinchina. De novo outra reclamação…..caramba Popoio..e a minha bolinha de pingpong vermelha?.. e o pai…..mas nenem, você não me conta porquê você quer, ai eu não compro….e o merdinha…eu não conto porquê você não me da, me da que eu conto.
365 dias depois, ano quarto, dr. Armando pergunta….filhote, que rico presente você quer ganhar esse ano? ..fedelho diz….não quero um rico, mas sim, um humilde presente, quero uma bolinha de pingpong vermelha e só vou dizer porquê quero depois de ganhar.
Oh moleque chato, eu desvio dinheiro da merenda escolar (dr Pinto era o vereador mais votado da cidade ) pra dar vida boa pra família e ele me pede uma bolinha de pingpong vermelha e ainda por cima não me conta o porquê desse desejo troncho, vai ganhar uma bola de capotão feita com couro de javali da Indonésia.
Os olhos do traquinas brilharam de alegria pelo mimo, mas ao mesmo tempo uma lágrima caiu, pois mais uma vez, seu desejo não foi atendido.
Redsmallballpingpong, foi assim, fazendo charminho, no seu inglês furreca, que no quinto aniversário, ele tentou mais uma vez ganhar sua bolinha de ping pong vermelha, mas não teve jeito, não ganhou, não quis dizer porquê de querer tanto esse brinquedinho, bem feito mas ganhou um long play dos Beatles,, vindo exclusivamente pra ele da Inglaterra, autografado pelos garotos de Liverpool.
Oh yeah, i´lltellyousomething, passou o dia inteiro cantarolando essa música, quando o pai chegou a noite da câmara, depois de um estafante dia de falcatruas, o beatlemaniacozinho questionou…..pai, e o meu pedido, cadê?….o pai responde ..,você não me disse porquê quer essa bolinha….o nojentinho retruca……me dá que eu conto, prometo.
Os anos foram passando, os aniversários chegando, presentes caros ganhando, e a bolinha e pingpong vermelha não vindo e o pai insistindo,..meu filho, faz tempo que você me pede essa tal de bolinha de pingpong vermelha, por favor meu filho, fala pra mim o porquê desse desejo e o rapaz dizendo ….quero porquê quero, enquanto não ganhar, vou continuar querendo até o senhor me dar.
E foi assim até Inacinho se formar médico, então ele foi medicar na clínica que seu avô, o dr. Serafim do Pinto fundou, lá já estavam seus primos, dra. A. Lisa Pinto, dr. Caio Pinto e dr. H. Romeu Pinto.
Quando ele fez sua primeira cirurgia sozinho, seu pai quis te dar um presente, dr. Armando, agora no seu quinto mandato, tinha ganho uma boa grana de propina, falou pro doutorzinho escolher seu presente, as opções eram, um Opala, um Maverick, ou um Puma, ele pediu uma bolinha de pingpong vermelha….ganhou um puma.
Domingo a tarde, Inácio a 150 por hora (o Puma corria pra cacete) inexperiente se arrebentaram todo ( ele e o Puma) .
No hospital, o doutor falou, tio, infelizmente não dá pra fazer nada por ele, agora é só rezar e pedir pra Deus levar ele em paz.
No leito de morte , o pai pergunta, ….meu filho, qual o seu último desejo?
….Uma bolinha de pingpong vermelha.
E foi aquela procura desesperada pra achar a danada da bolinha, lugar nenhum tinha, correram então pra capital, la também não tinha, então sugeriram comprar uma branca e pintar de vermelho, assim foi feito.
Voltaram para o hospital, ele já estava nas últimas.
Pronto meu filho, aqui está sua bolinha de pingpong vermelha, agora por favor acabe com essa tortura e conta porquê você tanto a quis.
Quase sem voz, mas com um brilho imenso no olhar, ele pega a bolinha, com um esforço enorme ergue o braço e exibe com orgulho o presente que a vida toda almejou, calmamente apertou a bolinha de pingpong vermelha contra o peito e morreu.

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com