CALIX BENTO

Ó Deus salve o oratório, ó Deus salve o oratório, onde Deus fez a morada oiá, meu Deus, onde Deus fez a morada, oiá.
Folia de Reis, Reisado, ou festa de Santo Reis é uma manifestação cultural, religiosa, festiva e classificado no Brasil, como folclore; praticada pelos adeptos e simpatizantes do catolicismo, no intuito de rememorar a atitude dos Três Reis Magos, que partiram em uma jornada à procura do esconderijo do prometido Messias (o menino Jesus Cristo ) para prestar-lhe homenagem e dar- lhe presentes.
Os palhaços vem com suas acrobacias e danças, protegendo a bandeira, jamais dançando em frente à ela, o coro empolgando com as músicas tradicionais, o mestre organizando tudo e o bandeireiro respeitosamente carregando a bandeira.
E o dono da casa gentilmente oferecendo a residência e a próxima parada era a casa do Onofrinho.
Se naquelas redondezas houvesse um sujeito pão-duro, mesquinho, avarento e unha-de-fome, esse era o Zé Onofre, o homem era daqueles que batia palmas com a mão fechada, aliás, nem batia palmas, pois não ia à lugar nenhum pra não gastar dinheiro; nunca teve filhos, é claro, filhos dão despesa e olha que naquela época nem existia fralda descartável, que custa uma nota preta, nem se fazia enxoval, os vizinhos e parentes iam passando as roupinhas dos bebês que já não lhes serviam mais.
Luz elétrica, geladeira, televisão, nem que a vaca tussa, carro? pra que? a charrete ainda estava boa e o pangaré ainda aguentava o tranco; Se a comadre Ivani chamasse pra almoçar fora, ele já gritava, só se for na casa do seu pai, pega la na horta uma raiz de mandioca e leva, pra ninguém falar que a gente só vai pra filar boia.
Mas eu acho que ele era assim, porquê nasceu de família pobre, comeu muita farinha com rapadura, tinha dia que só tinha cambuquira pro almoço; Teve que comer o pão que o Diabo amassou, pra conseguir alguma coisinha, trabalhando de mascate, retireiro, capataz, padeiro feirante, mas conseguiu juntar uns troquinhos.
Comecinho do mês de janeiro, quase chegando o dia de Reis, Zé Onofre escuta la longe….. De Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara nasceu a flor oiá, meu Deus, da vara nasceu a flor oiá……..e os foliões se aproximavam, então ele falou pra patroa,……não vou dar dinheiro nenhum pra esses cantadores barulhentos( era e talvez ainda seja, costume, os donos da casa , ajudar a folia com alguns trocados) vou fazer o seguinte,eu me deito no sofá, tu me cobre com o lençol e me finjo de morto, a comadre retrucou, ……não faz isso não, meu velho, é feio, mas acabou fazendo.
O mestre então disse…..a folia aceita ajuda, mas também ajuda quando é preciso, fica com algum dinheiro nosso, pra senhora fazer o enterro dele…. e saíram.
E da flor nasceu Maria, e da flor nasceu Maria, de Maria o Salvador oiá, meu Deus, de Maria o Salvador oiá…..o som da melodia ia diminuindo, enquanto os foliões iam se afastando.. ….pronto Zé, eles já foram, pode se levantar…..levanta Zé, deixa de brincadeira sem graça, pelo amor de Deus, homem arreda desse sofá, levanta Zé, Zé, Zééééé….

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com

Ó Deus salve o oratório, ó Deus salve o oratório, onde Deus fez a morada oiá, meu Deus, onde Deus fez a morada, oiá.
Folia de Reis, Reisado, ou festa de Santo Reis é uma manifestação cultural, religiosa, festiva e classificado no Brasil, como folclore; praticada pelos adeptos e simpatizantes do catolicismo, no intuito de rememorar a atitude dos Três Reis Magos, que partiram em uma jornada à procura do esconderijo do prometido Messias (o menino Jesus Cristo ) para prestar-lhe homenagem e dar- lhe presentes.
Os palhaços vem com suas acrobacias e danças, protegendo a bandeira, jamais dançando em frente à ela, o coro empolgando com as músicas tradicionais, o mestre organizando tudo e o bandeireiro respeitosamente carregando a bandeira.
E o dono da casa gentilmente oferecendo a residência e a próxima parada era a casa do Onofrinho.
Se naquelas redondezas houvesse um sujeito pão-duro, mesquinho, avarento e unha-de-fome, esse era o Zé Onofre, o homem era daqueles que batia palmas com a mão fechada, aliás, nem batia palmas, pois não ia à lugar nenhum pra não gastar dinheiro; nunca teve filhos, é claro, filhos dão despesa e olha que naquela época nem existia fralda descartável, que custa uma nota preta, nem se fazia enxoval, os vizinhos e parentes iam passando as roupinhas dos bebês que já não lhes serviam mais.
Luz elétrica, geladeira, televisão, nem que a vaca tussa, carro? pra que? a charrete ainda estava boa e o pangaré ainda aguentava o tranco; Se a comadre Ivani chamasse pra almoçar fora, ele já gritava, só se for na casa do seu pai, pega la na horta uma raiz de mandioca e leva, pra ninguém falar que a gente só vai pra filar boia.
Mas eu acho que ele era assim, porquê nasceu de família pobre, comeu muita farinha com rapadura, tinha dia que só tinha cambuquira pro almoço; Teve que comer o pão que o Diabo amassou, pra conseguir alguma coisinha, trabalhando de mascate, retireiro, capataz, padeiro feirante, mas conseguiu juntar uns troquinhos.
Comecinho do mês de janeiro, quase chegando o dia de Reis, Zé Onofre escuta la longe….. De Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara nasceu a flor oiá, meu Deus, da vara nasceu a flor oiá……..e os foliões se aproximavam, então ele falou pra patroa,……não vou dar dinheiro nenhum pra esses cantadores barulhentos( era e talvez ainda seja, costume, os donos da casa , ajudar a folia com alguns trocados) vou fazer o seguinte,eu me deito no sofá, tu me cobre com o lençol e me finjo de morto, a comadre retrucou, ……não faz isso não, meu velho, é feio, mas acabou fazendo.
O mestre então disse…..a folia aceita ajuda, mas também ajuda quando é preciso, fica com algum dinheiro nosso, pra senhora fazer o enterro dele…. e saíram.
E da flor nasceu Maria, e da flor nasceu Maria, de Maria o Salvador oiá, meu Deus, de Maria o Salvador oiá…..o som da melodia ia diminuindo, enquanto os foliões iam se afastando.. ….pronto Zé, eles já foram, pode se levantar…..levanta Zé, deixa de brincadeira sem graça, pelo amor de Deus, homem arreda desse sofá, levanta Zé, Zé, Zééééé….

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com