RASCUNHOS

Quando a saudade chega, ela vem fazendo um regaço, não importa se seu coração é mole, duro, peludo, ou insensível, ela vem atropelando tudo, não adianta você dizer que é forte, muito macho, que ela nunca te afeta, mas é mentira, ela é igual pra todos, chega e faz estrago.
Ontem, a saudade dela veio me visitar, foi chegando igual mineiro, devagarzinho, comendo pelas beiradas, quando dei por mim, ela já tinha me envolvido por inteiro.
Tentei assistir um filme pra não pensar nela, mas o filme me lembrava ela, quis ler um livro, a história parecia com a nossa, resolvi escrever um carta.
Eu sei que isso, hoje em dia está fora de moda, mas assim eu colocaria meus sentimentos todos nas linhas do caderno, mesmo que depois eu não a enviasse, mas com certeza aplacaria essa angustia do meu peito.
Eu já tinha fumado um milhão de cigarros e rasgado um milhão de folhas, sem ter conseguido escrever pelo menos dez linhas.
Num canto do quarto, o rádio ligado estava tocando de tudo, mas eu não estava ouvindo nada, tocava rock, bolero, gospel, até a porcaria do funk, então o locutor anuncia……ouçam agora, João Renes e Reny….então eu ouço…..um milhão de cigarros fumei, um milhão de folhas rasguei e mais uma vez desisti…….Jack e Valdir Fachini.
Consegui ouvir a música inteira e chorar o tempo todo, pois eu vi a minha vida nessa melodia.
No meio da fumaça do milionésimo primeiro cigarro estava eu, agora sem conseguir escrever nem mesmo uma letra, a saudade me cutucando, como se fosse um acupunturista, da minha caneta só saia tinta pra desenhar mil corações, que acabavam sendo borrados com lágrimas que rolavam do meu rosto.
Mais uma vez não consegui escrever a carta, assim como na noite de anteontem, tresontontem (não sei se existe essa palavra, minha mãe costumava dizer) e muitas outras noites, em que a saudade aparece, estraçalhando tudo, me fazendo ficar até de madrugada, fumando feito um louco, rasgando e amassando as folhas do caderno.
Outra vez, minha futura carta não chega alem de dez linhas, outra vez, o que era pra ser uma carta se transforma numa bola de papel, então desisto e vou tentar dormir.
Mas já está decidido, não vou mais tentar escrever pra tentar acalmar minha tristeza, nem vou deixar a saudade fazer o que bem entender comigo, eu vou deixar tudo o que me prende aqui e vou ao encontro dela, porquê sei que nos seus braços, tristeza não existe e quando aquela música tocar no rádio novamente eu cantarei junto…….você, mulher dos meus sonhos, tudo que quero, amor que procuro e tanto espero, você é o elo, entre o amor e o prazer……você, amor infinito, tudo que preciso, razão do meu pranto e do meu sorriso, resumindo tudo, minha vida é você.

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com

Quando a saudade chega, ela vem fazendo um regaço, não importa se seu coração é mole, duro, peludo, ou insensível, ela vem atropelando tudo, não adianta você dizer que é forte, muito macho, que ela nunca te afeta, mas é mentira, ela é igual pra todos, chega e faz estrago.
Ontem, a saudade dela veio me visitar, foi chegando igual mineiro, devagarzinho, comendo pelas beiradas, quando dei por mim, ela já tinha me envolvido por inteiro.
Tentei assistir um filme pra não pensar nela, mas o filme me lembrava ela, quis ler um livro, a história parecia com a nossa, resolvi escrever um carta.
Eu sei que isso, hoje em dia está fora de moda, mas assim eu colocaria meus sentimentos todos nas linhas do caderno, mesmo que depois eu não a enviasse, mas com certeza aplacaria essa angustia do meu peito.
Eu já tinha fumado um milhão de cigarros e rasgado um milhão de folhas, sem ter conseguido escrever pelo menos dez linhas.
Num canto do quarto, o rádio ligado estava tocando de tudo, mas eu não estava ouvindo nada, tocava rock, bolero, gospel, até a porcaria do funk, então o locutor anuncia……ouçam agora, João Renes e Reny….então eu ouço…..um milhão de cigarros fumei, um milhão de folhas rasguei e mais uma vez desisti…….Jack e Valdir Fachini.
Consegui ouvir a música inteira e chorar o tempo todo, pois eu vi a minha vida nessa melodia.
No meio da fumaça do milionésimo primeiro cigarro estava eu, agora sem conseguir escrever nem mesmo uma letra, a saudade me cutucando, como se fosse um acupunturista, da minha caneta só saia tinta pra desenhar mil corações, que acabavam sendo borrados com lágrimas que rolavam do meu rosto.
Mais uma vez não consegui escrever a carta, assim como na noite de anteontem, tresontontem (não sei se existe essa palavra, minha mãe costumava dizer) e muitas outras noites, em que a saudade aparece, estraçalhando tudo, me fazendo ficar até de madrugada, fumando feito um louco, rasgando e amassando as folhas do caderno.
Outra vez, minha futura carta não chega alem de dez linhas, outra vez, o que era pra ser uma carta se transforma numa bola de papel, então desisto e vou tentar dormir.
Mas já está decidido, não vou mais tentar escrever pra tentar acalmar minha tristeza, nem vou deixar a saudade fazer o que bem entender comigo, eu vou deixar tudo o que me prende aqui e vou ao encontro dela, porquê sei que nos seus braços, tristeza não existe e quando aquela música tocar no rádio novamente eu cantarei junto…….você, mulher dos meus sonhos, tudo que quero, amor que procuro e tanto espero, você é o elo, entre o amor e o prazer……você, amor infinito, tudo que preciso, razão do meu pranto e do meu sorriso, resumindo tudo, minha vida é você.

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com