Time feminino vira fenômeno de público e “desbanca” a Série A; entenda

timeFSe no Brasileirão masculino o Corinthians lidera a média de público, no feminino, quem “esmaga” os adversários é o Hulk da Amazônia. O Iranduba, equipe amazonense, está pela primeira vez nas semifinais do Brasileiro feminino. É o mais longe que a equipe já chegou dentro de campo. Fora dele, bateu todos os recordes de público. Nesta quinta, no jogo de ida das semis, diante do Santos, arrastou 25.371 pessoas, maior público de todos os tempos do futebol feminino entre clubes do Brasil, para a Arena da Amazônia, estádio de Copa do Mundo.
Não foi o primeiro recorde. O time, que caiu nas graças da torcida amazonense, conseguiu levar 15.107 pessoas para assistir ao jogo contra o Flamengo, pelas quartas de final. Também na Arena. É de graça? Não. As entradas do último jogo, por exemplo, custaram R$ 20 (inteira). É apego ao time.
Não é futebol masculino, não tem centenário, tampouco tem grandes nomes no elenco. Com apenas seis anos de existência, o Iranduba da Amazônia contraria as regras e arrasta multidão para os seus jogos. Como, quando e por quê? Carisma, basicamente. A conta é: carisma + resultados + carência de futebol local. Com os ingredientes, conquista-se um público amazonense sedento por bola. A oferta para a demanda é um time que enfrenta “gigantes” do Brasil e disputa a principal competição do país.
No futebol masculino, o Amazonas não emplaca um time nas primeiras divisões do país há anos. Atualmente, o estado teve dois representantes na primeira fase Série D – o Fast Clube e o Princesa do Solimões (que avançou para a segunda fase). Todos os outros clubes já fecharam a temporada. E, diga-se de passagem, em nenhuma ocasião o profissional conseguiu levar tanta gente para o estádio. Para parâmetro: a final do Amazonense teve público total de 3.079. É o contraste de um futebol obsoleto com um exponente.
– Eu acho que o primeiro dos fatores, como tudo no futebol, é o resultado. Nós alcançamos os bons resultados desde que chegamos. Segundo que nós temos estratégias de venda. O que é isso? As meninas, ao venderem (ingressos), se aproximam mais do torcedor e criam um carisma. E elas nos ajudam na venda porque reveste para elas também. Nós vendemos muitos ingressos em empresas também. E também tem a parte das doações. O Iranduba, no Brasil, deve ser um dos clubes que mais faz doações a escolas. Mas o principal é o resultado dentro de campo, e a empatia que o torcedor criou com elas – explicou o diretor de futebol do clube, Lauro Tentardini.
Mas o amor do torcedor amazonense não é de hoje. Ano passado, por exemplo, o jogo entre Iranduba e Corinthians, pela segunda fase também da etapa nacional, registrou o recorde – até então -, de mais de 8 mil pessoas. Neste ano, o amistoso da seleção brasileira comandada por Emily Lima contra a Bolívia chegou à marca de 16 mil torcedores na Arena.
timeF2A marca de maior público entre clubes do futebol feminino do Brasil, que agora é do jogo entre Iranduba x Santos, já era do time amazonense. Em 2016, no duelo contra o Adeco-SP, pela final da Liga Nacional de Futebol Feminino Sub-20, registrou 17.322 pessoas na Arena da Amazônia e superou o público de Saad-MT x Cresspom-DF, de 12.300, em 2007, que até então tinha a maior marca. Na ocasião, o time amazonense perdeu por 1 a 0 e ficou com o vice-campeonato.

Iranduba x Brasileirão Masculino
Na última semana o Iranduba recebeu o Flamengo, também na Arena. O público foi de 15.107 pessoas. Na mesma “rodada”, Botafogo e Vasco fizeram clássico pela Série A. Público presente? 15.048. As amazonenses ainda bateram os números de Vitória x Santos e Avaí x Fluminense,
que tiveram 8.179 e 5.342, respectivamente.

O novo Iranduba
A equipe foi criada em 2011 e virou potência local e nacional. Tem cinco títulos consecutivos nos últimos anos e sempre participou do Brasileiro e da Copa do Brasil, tudo sob o comando do técnico Olavo Dantas.
Em 2016, as coisas mudaram e o presidente do clube, Amarildo Dutra resolveu investir pesado na equipe. Contratou o diretor de futebol Lauro Tentardini e, junto com ele, trouxe jogadoras que tiveram passagem pelas seleções brasileiras de base. A maioria vinda do Kindermann-SC, campeão da Copa do Brasil de futebol feminino em 2015. Em 2016, a equipe catarinense se afastou do futebol após a morte do treinador Josué Henrique Kaercher e que foi assassinado por um ex-técnico do time, Carlos Correa. O pacotão foi todo parar no Amazonas.
O investimento deu resultado. Na temporada passada, a equipe conseguiu a classificação inédita para a segunda fase do Brasileiro, mas foi eliminado pelo Flamengo, que viria a ser campeão. Segue o jogo. O projeto e elenco foram mantidos.
Neste ano, na primeira fase do Brasileiro feminino, a equipe venceu 12 das 14 partidas que disputou e ficou com a segunda melhor campanha no geral, com 36 pontos, um a menos que o Corinthians. Nas quartas de final, após dois empates (2 a 2 fora e 1 a 1 em casa), passou pelo Flamengo.
Investimento no elenco
De acordo com Lauro Tentardini, o investimento da equipe é o terceiro maior do futebol feminino do país, atrás apenas de Corinthians e Santos.
– Acredito que quem tem folha maior que nós só Corinthians e Santos. Acho que somos o terceiro maior investimento com a folha mensal de R$ 60 mil só com atletas, sem contar a comissão técnica. Então temos um bom investimento – completou.

Convocações para a seleção
A campanha no Brasileiro feminino deste ano trouxe outros bons resultados individuais também. A volante e capitã Djenifer Becker e a atacante Kamilla foram convocadas por Emily Lima para amistosos da seleção brasileira contra a Alemanha, no dia 4 de julho, na cidade de Sandhausen. Antes deste jogo, Djenifer já havia sido convocada e participou de outros dois jogos da equipe principal, contra Espanha e Islândia.

Maiores públicos do Iranduba na Arena da Amazônia
29/05/2017 – Iranduba x Santos (semifinais do Brasileiro feminino) – 25.371 pessoas
24/06/2016- Iranduba x Adeco-SP (Liga feminina Sub-20) – 17.322 pessoas
29/05/2017 – Iranduba x Flamengo (semifinais do Brasileiro feminino) – 15.107 pessoas
23/03/2016- Iranduba x Corinthians (1ª fase do Brasileiro feminino) – 8.147 pessoas
21/04/2016 – Iranduba x Flamengo (quartas do Brasileiro feminino) – 7.135 pessoas
12/04/2017 – Iranduba x Corinthians (1ª fase do Brasileiro feminino) – 3.357 pessoas
* Foto destaque: Bruno Kelly/All Sports
G1

timeFSe no Brasileirão masculino o Corinthians lidera a média de público, no feminino, quem “esmaga” os adversários é o Hulk da Amazônia. O Iranduba, equipe amazonense, está pela primeira vez nas semifinais do Brasileiro feminino. É o mais longe que a equipe já chegou dentro de campo. Fora dele, bateu todos os recordes de público. Nesta quinta, no jogo de ida das semis, diante do Santos, arrastou 25.371 pessoas, maior público de todos os tempos do futebol feminino entre clubes do Brasil, para a Arena da Amazônia, estádio de Copa do Mundo.
Não foi o primeiro recorde. O time, que caiu nas graças da torcida amazonense, conseguiu levar 15.107 pessoas para assistir ao jogo contra o Flamengo, pelas quartas de final. Também na Arena. É de graça? Não. As entradas do último jogo, por exemplo, custaram R$ 20 (inteira). É apego ao time.
Não é futebol masculino, não tem centenário, tampouco tem grandes nomes no elenco. Com apenas seis anos de existência, o Iranduba da Amazônia contraria as regras e arrasta multidão para os seus jogos. Como, quando e por quê? Carisma, basicamente. A conta é: carisma + resultados + carência de futebol local. Com os ingredientes, conquista-se um público amazonense sedento por bola. A oferta para a demanda é um time que enfrenta “gigantes” do Brasil e disputa a principal competição do país.
No futebol masculino, o Amazonas não emplaca um time nas primeiras divisões do país há anos. Atualmente, o estado teve dois representantes na primeira fase Série D – o Fast Clube e o Princesa do Solimões (que avançou para a segunda fase). Todos os outros clubes já fecharam a temporada. E, diga-se de passagem, em nenhuma ocasião o profissional conseguiu levar tanta gente para o estádio. Para parâmetro: a final do Amazonense teve público total de 3.079. É o contraste de um futebol obsoleto com um exponente.
– Eu acho que o primeiro dos fatores, como tudo no futebol, é o resultado. Nós alcançamos os bons resultados desde que chegamos. Segundo que nós temos estratégias de venda. O que é isso? As meninas, ao venderem (ingressos), se aproximam mais do torcedor e criam um carisma. E elas nos ajudam na venda porque reveste para elas também. Nós vendemos muitos ingressos em empresas também. E também tem a parte das doações. O Iranduba, no Brasil, deve ser um dos clubes que mais faz doações a escolas. Mas o principal é o resultado dentro de campo, e a empatia que o torcedor criou com elas – explicou o diretor de futebol do clube, Lauro Tentardini.
Mas o amor do torcedor amazonense não é de hoje. Ano passado, por exemplo, o jogo entre Iranduba e Corinthians, pela segunda fase também da etapa nacional, registrou o recorde – até então -, de mais de 8 mil pessoas. Neste ano, o amistoso da seleção brasileira comandada por Emily Lima contra a Bolívia chegou à marca de 16 mil torcedores na Arena.
timeF2A marca de maior público entre clubes do futebol feminino do Brasil, que agora é do jogo entre Iranduba x Santos, já era do time amazonense. Em 2016, no duelo contra o Adeco-SP, pela final da Liga Nacional de Futebol Feminino Sub-20, registrou 17.322 pessoas na Arena da Amazônia e superou o público de Saad-MT x Cresspom-DF, de 12.300, em 2007, que até então tinha a maior marca. Na ocasião, o time amazonense perdeu por 1 a 0 e ficou com o vice-campeonato.

Iranduba x Brasileirão Masculino
Na última semana o Iranduba recebeu o Flamengo, também na Arena. O público foi de 15.107 pessoas. Na mesma “rodada”, Botafogo e Vasco fizeram clássico pela Série A. Público presente? 15.048. As amazonenses ainda bateram os números de Vitória x Santos e Avaí x Fluminense,
que tiveram 8.179 e 5.342, respectivamente.

O novo Iranduba
A equipe foi criada em 2011 e virou potência local e nacional. Tem cinco títulos consecutivos nos últimos anos e sempre participou do Brasileiro e da Copa do Brasil, tudo sob o comando do técnico Olavo Dantas.
Em 2016, as coisas mudaram e o presidente do clube, Amarildo Dutra resolveu investir pesado na equipe. Contratou o diretor de futebol Lauro Tentardini e, junto com ele, trouxe jogadoras que tiveram passagem pelas seleções brasileiras de base. A maioria vinda do Kindermann-SC, campeão da Copa do Brasil de futebol feminino em 2015. Em 2016, a equipe catarinense se afastou do futebol após a morte do treinador Josué Henrique Kaercher e que foi assassinado por um ex-técnico do time, Carlos Correa. O pacotão foi todo parar no Amazonas.
O investimento deu resultado. Na temporada passada, a equipe conseguiu a classificação inédita para a segunda fase do Brasileiro, mas foi eliminado pelo Flamengo, que viria a ser campeão. Segue o jogo. O projeto e elenco foram mantidos.
Neste ano, na primeira fase do Brasileiro feminino, a equipe venceu 12 das 14 partidas que disputou e ficou com a segunda melhor campanha no geral, com 36 pontos, um a menos que o Corinthians. Nas quartas de final, após dois empates (2 a 2 fora e 1 a 1 em casa), passou pelo Flamengo.
Investimento no elenco
De acordo com Lauro Tentardini, o investimento da equipe é o terceiro maior do futebol feminino do país, atrás apenas de Corinthians e Santos.
– Acredito que quem tem folha maior que nós só Corinthians e Santos. Acho que somos o terceiro maior investimento com a folha mensal de R$ 60 mil só com atletas, sem contar a comissão técnica. Então temos um bom investimento – completou.

Convocações para a seleção
A campanha no Brasileiro feminino deste ano trouxe outros bons resultados individuais também. A volante e capitã Djenifer Becker e a atacante Kamilla foram convocadas por Emily Lima para amistosos da seleção brasileira contra a Alemanha, no dia 4 de julho, na cidade de Sandhausen. Antes deste jogo, Djenifer já havia sido convocada e participou de outros dois jogos da equipe principal, contra Espanha e Islândia.

Maiores públicos do Iranduba na Arena da Amazônia
29/05/2017 – Iranduba x Santos (semifinais do Brasileiro feminino) – 25.371 pessoas
24/06/2016- Iranduba x Adeco-SP (Liga feminina Sub-20) – 17.322 pessoas
29/05/2017 – Iranduba x Flamengo (semifinais do Brasileiro feminino) – 15.107 pessoas
23/03/2016- Iranduba x Corinthians (1ª fase do Brasileiro feminino) – 8.147 pessoas
21/04/2016 – Iranduba x Flamengo (quartas do Brasileiro feminino) – 7.135 pessoas
12/04/2017 – Iranduba x Corinthians (1ª fase do Brasileiro feminino) – 3.357 pessoas
* Foto destaque: Bruno Kelly/All Sports
G1