O SEGREDO

Faltava poucos dias pro Vitinho completar cinco anos, ele já estava um molecão parrudo, já sabia contar até dez em inglês, conhecia cores, já chacoalhava o pipi quando fazia xixi, limpava a bunda sozinho, mas tinha uma coisa que ele não sabia e o seu pai, seu Vitorino, decidiu contar no dia do seu aniversário, tava decidido, desse dia não passava.
Mas, dona Vitória, mãe zelosa e preocupada, achou que não estava na hora, Vitor Hugo ainda era muito criança e talvez essa revelação pudesse afetar seu psicológico quem sabe até precisasse fazer terapia, resolveram então esperar mais um pouco.
Faltava poucos dias pro sexto aniversário do pimpolho, esse ano ele já estava mais parrudo, pra não dizer, balofo, pançudo, obeso, já sabia fazer mais coisas, como, soltar pipas, girar pião, porem a coisa que ele mais precisava saber, o que talvez fosse mudar o seu destino completamente, ele ainda não sabia e não era esse ano que seus pais iriam te contar, eles não acumularam coragem suficiente pra isso, talvez no próximo niver.
Chegou o ano sete, Vitinho já era Vitão, mais magro, mais sabido, já arriscava alguns acordes no violão, já sabia quando um cara era viado, mas continuava sem saber do grande segredo
Oito anos, já andava de bicicleta, sem as duas rodinha auxiliares, mesmo assim, seu Vitorino e dona Vitória, ainda achavam que era cedo pra tão terrível revelação.
Nove, dez onze anos, Vitor já era um varapau, dominava o inglês, craque no basquete e já arriscava umas bitocas de língua nas menininhas, era só orgulho para os pais, talvez por esse motivo eles tinham medo de contar a grande incógnita, medo que o garoto regredisse mentalmente, então mais uma vez omitiram;
Quando ele fez dezoito anos, se alistou no exército, como ele era um rapagão forte, inteligente e prendado, os caras do quartel acharam que ele seria útil para o país, então iria servir.
Mais outra preocupação para os pais, pois achavam que naquele monte de homem, algum também podia saber do enorme segredo e contar pro soldado Vitor e poderia acontecer uma tragédia na guarnição.
Graças a Deus, nada aconteceu.
Então os anos foram passando normalmente e para o agora homem, aquele segredo, ainda era segredo. Foram tantas namoradas, grandes desilusões, muitas dores de barriga, diversos porres, piolho, caspa, chato, o escambau, até já estar pronto para o casório.
Era chegada a hora dos pais marcarem uma reunião e finalmente acabar com essa lenga lenga….só que não.
Talvez ainda fosse cedo, vá que o menino fique abalado e broxe, então a lua de mel vai pras cucuias.
Não faz mal esperar mais um pouco.
A festa foi pra la de supimpa, a viagem, um espetáculo e voltaram.
Vitinho tinha uma novidade, juntou a família e deu a boa noticia, …vocês vão ser avós.
Depois foi a vez do seu Vitorino falar,….sua noticia foi boa foi a melhor que já recebemos, à muito esperávamos por ela, você nos deixou felizes, mas nós temos um segredo que esteve guardado a sete chaves o tempo todo e chegou a hora de te contar.
Espera sua mãe chegar com um copo de água com açúcar, porquê isso vai te chocar e muito, esperamos que essa revelação não te traga consequências, nem te deixe sequelas, então seja forte e escute….meu filho Papai Noel não existe.

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com

Faltava poucos dias pro Vitinho completar cinco anos, ele já estava um molecão parrudo, já sabia contar até dez em inglês, conhecia cores, já chacoalhava o pipi quando fazia xixi, limpava a bunda sozinho, mas tinha uma coisa que ele não sabia e o seu pai, seu Vitorino, decidiu contar no dia do seu aniversário, tava decidido, desse dia não passava.
Mas, dona Vitória, mãe zelosa e preocupada, achou que não estava na hora, Vitor Hugo ainda era muito criança e talvez essa revelação pudesse afetar seu psicológico quem sabe até precisasse fazer terapia, resolveram então esperar mais um pouco.
Faltava poucos dias pro sexto aniversário do pimpolho, esse ano ele já estava mais parrudo, pra não dizer, balofo, pançudo, obeso, já sabia fazer mais coisas, como, soltar pipas, girar pião, porem a coisa que ele mais precisava saber, o que talvez fosse mudar o seu destino completamente, ele ainda não sabia e não era esse ano que seus pais iriam te contar, eles não acumularam coragem suficiente pra isso, talvez no próximo niver.
Chegou o ano sete, Vitinho já era Vitão, mais magro, mais sabido, já arriscava alguns acordes no violão, já sabia quando um cara era viado, mas continuava sem saber do grande segredo
Oito anos, já andava de bicicleta, sem as duas rodinha auxiliares, mesmo assim, seu Vitorino e dona Vitória, ainda achavam que era cedo pra tão terrível revelação.
Nove, dez onze anos, Vitor já era um varapau, dominava o inglês, craque no basquete e já arriscava umas bitocas de língua nas menininhas, era só orgulho para os pais, talvez por esse motivo eles tinham medo de contar a grande incógnita, medo que o garoto regredisse mentalmente, então mais uma vez omitiram;
Quando ele fez dezoito anos, se alistou no exército, como ele era um rapagão forte, inteligente e prendado, os caras do quartel acharam que ele seria útil para o país, então iria servir.
Mais outra preocupação para os pais, pois achavam que naquele monte de homem, algum também podia saber do enorme segredo e contar pro soldado Vitor e poderia acontecer uma tragédia na guarnição.
Graças a Deus, nada aconteceu.
Então os anos foram passando normalmente e para o agora homem, aquele segredo, ainda era segredo. Foram tantas namoradas, grandes desilusões, muitas dores de barriga, diversos porres, piolho, caspa, chato, o escambau, até já estar pronto para o casório.
Era chegada a hora dos pais marcarem uma reunião e finalmente acabar com essa lenga lenga….só que não.
Talvez ainda fosse cedo, vá que o menino fique abalado e broxe, então a lua de mel vai pras cucuias.
Não faz mal esperar mais um pouco.
A festa foi pra la de supimpa, a viagem, um espetáculo e voltaram.
Vitinho tinha uma novidade, juntou a família e deu a boa noticia, …vocês vão ser avós.
Depois foi a vez do seu Vitorino falar,….sua noticia foi boa foi a melhor que já recebemos, à muito esperávamos por ela, você nos deixou felizes, mas nós temos um segredo que esteve guardado a sete chaves o tempo todo e chegou a hora de te contar.
Espera sua mãe chegar com um copo de água com açúcar, porquê isso vai te chocar e muito, esperamos que essa revelação não te traga consequências, nem te deixe sequelas, então seja forte e escute….meu filho Papai Noel não existe.

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com