VÓ VIRGINIA

Caxumba, umba, catibiribumba,seja maticumba do firififumba, não queiram saber o que significam essas palavras, porque eu também nem imagino o que sejam.
Quem falava assim era a minha finada avó Virginia, baianinha pequenininha, atarracada, perninha torta, amarga igual jiló, azeda feito limão, ardida como pimenta, brava igual a uma cascavel, crente convicta, mas parecia o capeta.
A primeira vez que ouvi essas frases, foi quando eu peguei caxumba( naquela época ainda existia caxumba) fiquei com a cara inchada, parecia que tinha uma bola de bilhar na boca, a mãe não deixava fazer nada, tinha que ficar quieto, se possível de molho na cama, ela dizia que se eu ficasse pulando, a caxumba descia pro saco, hoje eu fico pensando, e quando era com as meninas, descia pra onde?
Pra cada palavra que eu falava, a vó vinha com suas maluquices e eu molequinho tranqueira que eu era, ficava falando palavrões só pra ouvir as doideiras da baianinha.
A vó e o vô não se bicavam, não se entendiam nem a pau, o vô Ezequiel também era baiano, mas ele era um velho muito do sossegado, tranquilo, mas quando azedava, não havia Cristo que o acalmasse.
Um dia a vó pegou um pedaço de carvão e fez um risco na sala de fora a fora, pegou um facão e falou pro vô, você fica do seu lado e eu fico do meu, eu passo pro seu lado a hora que eu quiser, mas se você passar pro meu lado, eu te retalho todo.
Podia até não acontecer, mas ele não pagou pra ver.
Volta e meia, eu tinha umas tretas com ela, ela gritava que eu era um moleque do capeta, eu falava que ela era uma velha ranzinza, mas eu falava bem baixinho( que eu não era bobo, nem nada) ela dizia que um dia eu ia pagar pelas malvadezas que eu fazia e olha que praga de vó pega, tempos depois eu me casei com uma baiana.
Mas, no fundo, a vó Virginia não era ruim, ruim foi a onça que não comeu ela.
Assim o tempo foi passando, a gente foi mudando de bairro, de cidade, cada um pro seu lado. Quando ela veio a falecer, eu morava em Campinas e ela em Rio Claro, acabei não indo no seu velório.
Apesar das nossas desavenças, eu tenho saudades da vó, que Deus a tenha, enha, catibiribenha……..

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com

Caxumba, umba, catibiribumba,seja maticumba do firififumba, não queiram saber o que significam essas palavras, porque eu também nem imagino o que sejam.
Quem falava assim era a minha finada avó Virginia, baianinha pequenininha, atarracada, perninha torta, amarga igual jiló, azeda feito limão, ardida como pimenta, brava igual a uma cascavel, crente convicta, mas parecia o capeta.
A primeira vez que ouvi essas frases, foi quando eu peguei caxumba( naquela época ainda existia caxumba) fiquei com a cara inchada, parecia que tinha uma bola de bilhar na boca, a mãe não deixava fazer nada, tinha que ficar quieto, se possível de molho na cama, ela dizia que se eu ficasse pulando, a caxumba descia pro saco, hoje eu fico pensando, e quando era com as meninas, descia pra onde?
Pra cada palavra que eu falava, a vó vinha com suas maluquices e eu molequinho tranqueira que eu era, ficava falando palavrões só pra ouvir as doideiras da baianinha.
A vó e o vô não se bicavam, não se entendiam nem a pau, o vô Ezequiel também era baiano, mas ele era um velho muito do sossegado, tranquilo, mas quando azedava, não havia Cristo que o acalmasse.
Um dia a vó pegou um pedaço de carvão e fez um risco na sala de fora a fora, pegou um facão e falou pro vô, você fica do seu lado e eu fico do meu, eu passo pro seu lado a hora que eu quiser, mas se você passar pro meu lado, eu te retalho todo.
Podia até não acontecer, mas ele não pagou pra ver.
Volta e meia, eu tinha umas tretas com ela, ela gritava que eu era um moleque do capeta, eu falava que ela era uma velha ranzinza, mas eu falava bem baixinho( que eu não era bobo, nem nada) ela dizia que um dia eu ia pagar pelas malvadezas que eu fazia e olha que praga de vó pega, tempos depois eu me casei com uma baiana.
Mas, no fundo, a vó Virginia não era ruim, ruim foi a onça que não comeu ela.
Assim o tempo foi passando, a gente foi mudando de bairro, de cidade, cada um pro seu lado. Quando ela veio a falecer, eu morava em Campinas e ela em Rio Claro, acabei não indo no seu velório.
Apesar das nossas desavenças, eu tenho saudades da vó, que Deus a tenha, enha, catibiribenha……..

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com