Após madrugada sem tiroteios, Rocinha registra confronto entre PMs e criminosos

Dois dias depois da saída das tropas do Exército, os moradores da comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio, seguem tentando manter a rotina. A aparente tranquilidade vivida desde o sábado (30), no entanto, foi interrompida por uma troca de tiros na manhã deste domingo (1).
De acordo com a Polícia Militar, “houve um breve confronto na Rua 1, Comunidade da Rocinha, com policiais do BPCHq que estão vasculhando o local”. A corporação não informou se houve vítimas da troca de tiros.
A PM destacou que mais de 500 policiais militares atuam em 15 pontos de cerco e 14 pontos de contenção no interior da comunidade, além do patrulhamento das tropas especiais. A comunidade conta também com bases avançadas do Comando de Operações Especiais (COE) e do Comando de Polícia Pacificadora (CCP).
No Morro do Vidigal, vizinho à Rocinha, o Batalhão de Ações com Cães (BAC) realizava uma operação desde o começo da manhã.
Conforme mostrou a GloboNews, a circulação de veículos e pedestres era normal nos acessos da comunidade nesta manhã e o comércio também funcionava normalmente.
Várias viaturas da Polícia Militar, incluindo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) estavam posicionadas nos principais acessos da Rocinha nesta manhã. De acordo com a PM, o policiamento na comunidade é feito por 500 homens.
Audácia do tráfico
Apesar da presença policial, moradores relataram à GloboNews que os traficantes voltaram a se fazer presentes nos becos e vielas. Faixas colocadas em alguns pontos da comunidade denotam que os criminosos voltaram a dar ordens no morro.
Na sexta-feira (29), os moradores foram surpreendidos pela colocação de uma faixa informando que o preço do gás de cozinha iria custar R$ 75 e que os preços abusivos cobrados até então ocorriam por ordens do traficante Nem, traficante preso na penitenciária em Rondônia. Os moradores estavam pagando cerca de R$ 90 pelo gás.

A faixa estava assinada pela “nova administração”, que dizia não estar envolvida nos abusos, pois não concordava com a taxa cobrada, como mostrou o RJTV.

“Tão vendendo droga, a atividade continua, mas não tão intensa assim porque eles estão com suas armas escondidas”, disse um morador que não se identificou por questão de segurança.
De acordo com a Polícia Civil, a primeira faixa foi colocada na noite de sexta e foi apreendida pelos policiais militares. No entanto, na manhã deste sábado(30) uma faixa com a mesmo texto foi recolocada na quadra da comunidade que fica ao lado da Auto Estrada Lagoa-Barra. Até às 19h, o cartaz ainda não havia sido retirado do local.
As investigações apontam que a ordem para colocar a faixa veio do grupo de traficantes ligados à Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. O grupo dele disputa o controle do tráfico de drogas com os criminosos ligados ao traficante Antonio Bonfim Lopes, Nem.
A Secretaria de Segurança Pública informou que não iria fazer comentários sobre a colocação da faixa e que a polícia está investigando.
Jovens torturados por traficantes
Um dos dois adolescentes que foram capturados pelo tráfico e torturados por traficantes na Rocinha na quarta-feira (27), durante quase uma hora, contou à polícia que os criminosos faziam muitas ameaças, entre elas, de queimar os jovens vivos.
O menino torturado, de 16 anos, contou que foi confundido com um rival do bando. “Levou nós dois para uma casa onde só tinha o colchão e pia… Aí amarrou a gente e deixou a gente lá… Falaram que ia tacar fogo na gente. Jogaram óleo, aí quando eles estavam jogando óleo, começaram a bater na gente de novo, deu uma madeirada, falaram que iam pegar um machado… Aí, nessa que eles tava jogando óleo, ele falou assim: “Ó os cana, ó os cana, piou, piou, piou!” Aí saiu correndo. Deixou a gente lá trancado “, disse o adolescente.
Um dos meninos é morador da Rocinha e estava com um colega quando foi abordado pelos traficantes. Eles foram resgatados por militares das Forças Armadas.
Uma semana de ocupação militar
As Forças Armadas deixaram a comunidade da Rocinha na sexta-feira (29), após uma semana de ocupação como resposta à guerra entre facções rivais. Cerca de mil homens foram retirados do local. Os comboios começaram a deixar a comunidade por volta das 3h30 desta madrugada. O último grupo de militares do Exército saiu da Rocinha às 7h30.

Segundo o porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Itamar, não cabe às Forças Armadas a prisão dos criminosos que estão foragidos. “A questão dos traficantes que ainda não foram presos, também é um objetivo dos órgãos de segurança pública do estado. Não se trata exatamente de uma atribuição das Forças Armadas a prisão de procurados pela polícia”, afirmou.
Na véspera da saída das tropas, o ministro da Defesa Raul Jungmann anunciou que o cerco das Forças Armadas na Rocinha começaria a ser desfeito nesta sexta. Em entrevista exclusiva ao RJTV, ele disse que está satisfeito com a atuação e que o objetivo do Governo Federal era acabar com a guerra que levava terror aos moradores, não a prisão de bandidos – pois isso cabe à polícia.
“Neste momento, a Rocinha está estabilizada. Isso foi alcançado sem uma bala perdida, sem uma criança ser morta ou ferida e também qualquer um membro da comunidade. Então, neste momento, já não se faz necessária a presença desses quase 1 mil homens que lá se encontram. Nós temos muitas comunidades aonde atuar”, disse o ministro.

Jungmann disse que, havendo necessidade, as tropas têm capacidade para chegar rapidamente a qualquer parte da cidade para dar apoio às forças de segurança estaduais.
G1
Dois dias depois da saída das tropas do Exército, os moradores da comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio, seguem tentando manter a rotina. A aparente tranquilidade vivida desde o sábado (30), no entanto, foi interrompida por uma troca de tiros na manhã deste domingo (1).
De acordo com a Polícia Militar, “houve um breve confronto na Rua 1, Comunidade da Rocinha, com policiais do BPCHq que estão vasculhando o local”. A corporação não informou se houve vítimas da troca de tiros.
A PM destacou que mais de 500 policiais militares atuam em 15 pontos de cerco e 14 pontos de contenção no interior da comunidade, além do patrulhamento das tropas especiais. A comunidade conta também com bases avançadas do Comando de Operações Especiais (COE) e do Comando de Polícia Pacificadora (CCP).
No Morro do Vidigal, vizinho à Rocinha, o Batalhão de Ações com Cães (BAC) realizava uma operação desde o começo da manhã.
Conforme mostrou a GloboNews, a circulação de veículos e pedestres era normal nos acessos da comunidade nesta manhã e o comércio também funcionava normalmente.
Várias viaturas da Polícia Militar, incluindo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) estavam posicionadas nos principais acessos da Rocinha nesta manhã. De acordo com a PM, o policiamento na comunidade é feito por 500 homens.
Audácia do tráfico
Apesar da presença policial, moradores relataram à GloboNews que os traficantes voltaram a se fazer presentes nos becos e vielas. Faixas colocadas em alguns pontos da comunidade denotam que os criminosos voltaram a dar ordens no morro.
Na sexta-feira (29), os moradores foram surpreendidos pela colocação de uma faixa informando que o preço do gás de cozinha iria custar R$ 75 e que os preços abusivos cobrados até então ocorriam por ordens do traficante Nem, traficante preso na penitenciária em Rondônia. Os moradores estavam pagando cerca de R$ 90 pelo gás.

A faixa estava assinada pela “nova administração”, que dizia não estar envolvida nos abusos, pois não concordava com a taxa cobrada, como mostrou o RJTV.

“Tão vendendo droga, a atividade continua, mas não tão intensa assim porque eles estão com suas armas escondidas”, disse um morador que não se identificou por questão de segurança.
De acordo com a Polícia Civil, a primeira faixa foi colocada na noite de sexta e foi apreendida pelos policiais militares. No entanto, na manhã deste sábado(30) uma faixa com a mesmo texto foi recolocada na quadra da comunidade que fica ao lado da Auto Estrada Lagoa-Barra. Até às 19h, o cartaz ainda não havia sido retirado do local.
As investigações apontam que a ordem para colocar a faixa veio do grupo de traficantes ligados à Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. O grupo dele disputa o controle do tráfico de drogas com os criminosos ligados ao traficante Antonio Bonfim Lopes, Nem.
A Secretaria de Segurança Pública informou que não iria fazer comentários sobre a colocação da faixa e que a polícia está investigando.
Jovens torturados por traficantes
Um dos dois adolescentes que foram capturados pelo tráfico e torturados por traficantes na Rocinha na quarta-feira (27), durante quase uma hora, contou à polícia que os criminosos faziam muitas ameaças, entre elas, de queimar os jovens vivos.
O menino torturado, de 16 anos, contou que foi confundido com um rival do bando. “Levou nós dois para uma casa onde só tinha o colchão e pia… Aí amarrou a gente e deixou a gente lá… Falaram que ia tacar fogo na gente. Jogaram óleo, aí quando eles estavam jogando óleo, começaram a bater na gente de novo, deu uma madeirada, falaram que iam pegar um machado… Aí, nessa que eles tava jogando óleo, ele falou assim: “Ó os cana, ó os cana, piou, piou, piou!” Aí saiu correndo. Deixou a gente lá trancado “, disse o adolescente.
Um dos meninos é morador da Rocinha e estava com um colega quando foi abordado pelos traficantes. Eles foram resgatados por militares das Forças Armadas.
Uma semana de ocupação militar
As Forças Armadas deixaram a comunidade da Rocinha na sexta-feira (29), após uma semana de ocupação como resposta à guerra entre facções rivais. Cerca de mil homens foram retirados do local. Os comboios começaram a deixar a comunidade por volta das 3h30 desta madrugada. O último grupo de militares do Exército saiu da Rocinha às 7h30.

Segundo o porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Itamar, não cabe às Forças Armadas a prisão dos criminosos que estão foragidos. “A questão dos traficantes que ainda não foram presos, também é um objetivo dos órgãos de segurança pública do estado. Não se trata exatamente de uma atribuição das Forças Armadas a prisão de procurados pela polícia”, afirmou.
Na véspera da saída das tropas, o ministro da Defesa Raul Jungmann anunciou que o cerco das Forças Armadas na Rocinha começaria a ser desfeito nesta sexta. Em entrevista exclusiva ao RJTV, ele disse que está satisfeito com a atuação e que o objetivo do Governo Federal era acabar com a guerra que levava terror aos moradores, não a prisão de bandidos – pois isso cabe à polícia.
“Neste momento, a Rocinha está estabilizada. Isso foi alcançado sem uma bala perdida, sem uma criança ser morta ou ferida e também qualquer um membro da comunidade. Então, neste momento, já não se faz necessária a presença desses quase 1 mil homens que lá se encontram. Nós temos muitas comunidades aonde atuar”, disse o ministro.

Jungmann disse que, havendo necessidade, as tropas têm capacidade para chegar rapidamente a qualquer parte da cidade para dar apoio às forças de segurança estaduais.
G1