O CASAMENTO

 

Se hoje em dia a situação está difícil, você tem que apertar o cinto e dar seus pulos pra manter as dívidas em dia, antigamente o negócio não era tão diferente, mesmo quem tinha dinheiro tinha que se controlar pra não passar perereco.
La pelos anos de mil novecentos e não sei quando, o coronel Teófilo, tinha três filhas no ponto de abate, todas colocando as manguinhas de fora, se emperequetando todas, vestidinho decotado, quase mostrando os joelhos.
O pai, então preocupado com os falatórios, decidiu que ia casar todas e de uma vez só, ja que os convidados seriam os mesmos seria uma festa só, pra não pesar tanto no bolso do fazendeiro.
Assim aconteceu, foi uma festança inesquecível, foram dois bois, quatro leitoas, um monte de galinhas, chopp a vontade, vinho, pinga e guaraná pra criançada.
Luis Gonzaga não pode ir tocar, mas mandou um pupilo, com recomendações de fazer bonito, sanfona, zabumba e triângulo e a festa foi até as tantas.
Os noivos ansiosos e as noivas pra la de ansiosas não esperaram o baile acabar e foram pra lua de mel, cada casal num quarto da casa, que a mãe tinha arrumado com muito zelo, vaso de flor, castiçal com três velas cada, crucifixo em cima da porta e o famoso lençol branco, pra ver o resultado no dia seguinte.
A mãe, muito xereta não se assossegava, até parece que tinha formiga no fiofó, não se aguentou e foi pro andar de cima assuntar o movimento.
Pé ante pé, se achegava em cada porta e colocava o ouvido, pra escutar o som do acasalamento.
Mariana, a filha do meio, mais o então marido Quincas era uma bagunça só, Mariana gritava, resmungava, gemia e pedia mais,mais, não para, de novo, Nossa Senhora, vou morrer, me mata.
Juliana, a mais velha e o seu Tonho, faziam um escândalo que dava gosto, Juliana parecia que estava com o Diabo no corpo, pulava, gritava, derrubou o vaso no chão, pintava e bordava e dava.
Ja molhadinha, dona Clotilde foi no quarto da mais nova, a Adriana e o cônjuge Chico, silêncio total, não se ouvia nada, nem o barulho da cortina ao sabor do vento.
Preocupada saiu de mansinho, escutou mais um pouco da farra das outras e voltou pra festa.
No outro dia, todo mundo reunido na área, pai, mãe, os três machos satisfeitos, com pinta de heróis e as três ex donzelas, com a cabeça baixa, com um sorriso amarelo, a mãe não se aguentou e perguntou.
Adriana, minha filha, ontem a noite, por acaso, foi por acaso mesmo, eu passei la em cima e nos quartos das suas irmãs era uma bagunça de lascar, uma animação sem tamanho, elas gemiam gritavam e pediam mais e mais, ja no seu quarto estava tudo quieto, você não gemia, não gritava, não falava nada, aconteceu ou deixou de acontecer alguma coisa?
Não, mãe, não tinha nada de errado, não foi a senhora mesmo que nos ensinou a não falar de boca cheia?

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com

 

Se hoje em dia a situação está difícil, você tem que apertar o cinto e dar seus pulos pra manter as dívidas em dia, antigamente o negócio não era tão diferente, mesmo quem tinha dinheiro tinha que se controlar pra não passar perereco.
La pelos anos de mil novecentos e não sei quando, o coronel Teófilo, tinha três filhas no ponto de abate, todas colocando as manguinhas de fora, se emperequetando todas, vestidinho decotado, quase mostrando os joelhos.
O pai, então preocupado com os falatórios, decidiu que ia casar todas e de uma vez só, ja que os convidados seriam os mesmos seria uma festa só, pra não pesar tanto no bolso do fazendeiro.
Assim aconteceu, foi uma festança inesquecível, foram dois bois, quatro leitoas, um monte de galinhas, chopp a vontade, vinho, pinga e guaraná pra criançada.
Luis Gonzaga não pode ir tocar, mas mandou um pupilo, com recomendações de fazer bonito, sanfona, zabumba e triângulo e a festa foi até as tantas.
Os noivos ansiosos e as noivas pra la de ansiosas não esperaram o baile acabar e foram pra lua de mel, cada casal num quarto da casa, que a mãe tinha arrumado com muito zelo, vaso de flor, castiçal com três velas cada, crucifixo em cima da porta e o famoso lençol branco, pra ver o resultado no dia seguinte.
A mãe, muito xereta não se assossegava, até parece que tinha formiga no fiofó, não se aguentou e foi pro andar de cima assuntar o movimento.
Pé ante pé, se achegava em cada porta e colocava o ouvido, pra escutar o som do acasalamento.
Mariana, a filha do meio, mais o então marido Quincas era uma bagunça só, Mariana gritava, resmungava, gemia e pedia mais,mais, não para, de novo, Nossa Senhora, vou morrer, me mata.
Juliana, a mais velha e o seu Tonho, faziam um escândalo que dava gosto, Juliana parecia que estava com o Diabo no corpo, pulava, gritava, derrubou o vaso no chão, pintava e bordava e dava.
Ja molhadinha, dona Clotilde foi no quarto da mais nova, a Adriana e o cônjuge Chico, silêncio total, não se ouvia nada, nem o barulho da cortina ao sabor do vento.
Preocupada saiu de mansinho, escutou mais um pouco da farra das outras e voltou pra festa.
No outro dia, todo mundo reunido na área, pai, mãe, os três machos satisfeitos, com pinta de heróis e as três ex donzelas, com a cabeça baixa, com um sorriso amarelo, a mãe não se aguentou e perguntou.
Adriana, minha filha, ontem a noite, por acaso, foi por acaso mesmo, eu passei la em cima e nos quartos das suas irmãs era uma bagunça de lascar, uma animação sem tamanho, elas gemiam gritavam e pediam mais e mais, ja no seu quarto estava tudo quieto, você não gemia, não gritava, não falava nada, aconteceu ou deixou de acontecer alguma coisa?
Não, mãe, não tinha nada de errado, não foi a senhora mesmo que nos ensinou a não falar de boca cheia?

Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com