Prêmio Educador do Ano vai para professora de aldeia indígena de Rondônia

educadoraUma professora formada em pedagogia a distância e que trabalha em uma escola rural indígena no interior de Rondônia foi eleita, na noite desta segunda-feira (30), a Educadora do Ano, por seu projeto de alfabetização na língua indígena Paiter Suruí em Cacoal. Elisângela Dell-Armelina Suruí, de 38 anos, dá aulas na Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental e Médio Sertanista Francisco Meireles.
O projeto de Elisângela, batizado de “Mamug Koe Ixo Tig”, que significa “A fala e a escrita da criança”, incluiu a elaboração de um material didático próprio em Paiter Suruí para os 15 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, que estudam todos na mesma sala multisseriada.
No total, a escola tem apenas 33 alunos e é uma de dez escolas localizadas na terra indígena dos Suruí em Rondônia, que tem cerca de 1.800 habitantes. Terra que não é natal de Elisângela, mas adotiva.
Nascida em Ji-Paraná, em Rondônia, ela se mudou com seis anos com o pai, caminhoneiro, e a madrasta, para o Sudeste. Até então, ela ainda não tinha sido registrada. “Fui registrada com seis anos em Vila Valério, no Espírito Santo.” Ela se formou no ensino médio em terras capixabas, mas voltou para o Norte com 20 anos, para a casa da bisavó, em Cacoal.
“Foi então que fiquei sabendo de uma oportunidade para ser professora na comunidade.”
Elisângela se mudou para a aldeia Nabeko D Abadakiba e se tornou parte dela. Acabou se casando com um indígena, com quem três filhos, de 15, 12 e dois anos.

De monitora voluntária a professora titular
Quando se mudou para a aldeia, em 2001, Elisângela trabalhou na escola de forma voluntária, como monitora de um professor. Depois da pressão dos moradores para que ela tivesse uma formação na área, ela decidiu se matricular na faculdade de pedagogia. Como na aldeia não existe nem faculdade, ela se matriculou na graduação a distância na Unopar. E como na aldeia não tinha internet, ela precisou percorrer a distância de 50 km até a cidade uma vez por semana durante três anos e meio. “Eu fazia tudo de uma vez, em um dia só.”
A graduação, porém, serviu de trampolim para uma série de cursos de formação continuada para professores indígenas do governo de Rondônia e também uma pós-graduação em gestão, supervisão e orientação.

Material de apoio
O projeto “Mamug Koe Ixo Tig” surgiu quando ela viu a necessidade de elaborar o próprio material didático. “Na nossa sala tem livros em língua portuguesa e um alfabeto e palavras soltas na língua materna. Então as crianças precisavam de um material de apoio”, reconta ela.
A iniciativa da professora serviu para mais do que alfabetizar os 15 estudantes em sua língua materna. “Com esse projeto, a nossa língua nunca será esquecida”, afirmou, em um depoimento em vídeo, uma das moradoras da aldeia.

Trabalho a ser replicado
Elisângela explicou que seu projeto foi feito para os falantes de Paiter Suruí, mas pode ser replicado em outras comunidades indígenas e quilombolas pelo Brasil. O fato de essas línguas serem de tradição oral e de as comunidades perderem cada vez mais moradores para as cidades impede a transmissão do conhecimento para as novas gerações.
“O conhecimento está com os mais velhos, e é importante levar esse conhecimento para a sala de aula.”
No caso da pequenina escola
Sertanista Francisco Meireles, em Cacoal, a sala de aula era praticamente o único lugar interno disponível aos alunos. “Os alunos estão muito distantes, a realidade deles é outra”, explica ela, afirmando que não há computadores, internet, quadra esportiva ou biblioteca. “A escola tem três salas de aula, uma cozinha, um refeitório e dois banheiros.”
O projeto, porém, extrapolou as paredes da escola, com atividades de campo na aldeia e nos arredores da floresta. Entre os dez finalistas do prêmio, o projeto de Elisângela foi o que viajou de mais longe até a cerimônia desta segunda-feira.
“Não pode vir ninguém, porque é muito longe e a logística é muito difícil”, explicou a professora no palco da Sala São Paulo, no Centro da capital paulista, ao receber o troféu Educador do Ano, no fim da cerimônia do Prêmio Educador Nota 10, realizado pela Fundação Victor Civita, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Lemann, a Associação Nova Escola e as empresas Somos Educação e Faber Castell Brasil.

Selecionada entre 5 mil inscrições
Em sua 20ª edição, o Prêmio Educador Nota 10 bateu recorde e recebeu 5.006 inscrições. Os 50 finalistas receberam uma assinatura de um ano do site Nova Escola Clube. Além disso, os dez vencedores, que tiveram seus nomes divulgados em agosto, receberam a mesma assinatura e um vale-presente de R$ 15 mil. A escola deles também recebeu um vale-presente no valor de R$ 1 mil.
Já o prêmio Educador do Ano, que Elisângela recebeu nesta segunda-feira, inclui ainda outro vale-presente no valor de R$ 15 mil. A escola onde o projeto foi implementado leva como prêmio R$ 5 mil em vale-presente.

Veja outros projetos vencedores entre 5.006 inscrições:

Adriane Gallo Alcantara da Silva
• Área: gestora/diretora
• Projeto: A formação contínua dinamizando a escola
• Escola: EMEIF Profª Coraly Julia Gonçalves Carneiro
• Cidade: Assis – SP
• Resumo: Quando assumiu a direção de uma escola em Assis, no interior paulista, Adriane iniciou um trabalho de qualificação profissional com os professores, em parceria com as vice-diretoras e as coordenadoras pedagógicas. O objetivo era analisar os instrumentos de avaliação, estudar e propiciar trocas com docentes de outros municípios. A partir daí nasceu um evento que acontece a cada início e final de semestre. Além disso, a escola conta, hoje, com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) no apoio à formação continuada dos profissionais.

Cristiane Pereira de Souza Francisco
• Área: educação física (fundamental I)
• Projeto: Bolinhas de Gude: Descobrindo outras formas de ensinar, aprendendo outros jeitos de aprender
• Escola: Escola Estadual Antonio de Oliveira Bueno Filho
• Cidade: Araraquara – SP
• Resumo: Ela começou deixando as crianças brincarem de bolinha de gude na aula de educação física, sem regras nem intervenções. Os alunos do 1º ano, protagonistas da aprendizagem, foram se apropriando da atividade em etapas, graças à escuta atenta e sensível de Cristiane. O diálogo constante com a turma deu visibilidade à forma da criança pensar e interagir ao jogar, suas percepções, hipóteses, questionamentos, estratégias e interpretações. Assim, de um jeito inovador, a professora descobriu como as crianças aprendem um jogo e como o professor pode ensiná-lo.

Denise Rodrigues de Oliveira
• Área: educação infantil (creche)
• Projeto: Promovendo a autonomia através do espaço
• Escola: EMEI Floresta Encantada
• Cidade: Novo Hamburgo – RS
• Resumo: Confiando na potência das crianças, Denise reorganizou o berçário para dar a elas novas possibilidades de exploração, com menos interferência dos adultos. Ela idealizou e construiu materiais, brinquedos e objetos desafiadores e adequados às suas descobertas. Além disso, tomou a decisão de tirar os berços da sala, rompendo com o modo estereotipado e tradicional de administrar a hora do sono nas creches. Assim, os bebês podiam adormecer e acordar no seu tempo, movimentar-se ao despertar sem depender das professoras, interagir com os amigos e com o ambiente.

Di Gianne de Oliveira Nunes
• Área: história (ensino médio)
• Projeto: Regime Fechado, Visão Aberta
• Escola: Escola Estadual Monsenhor Alfredo Dohr
• Cidade: Lagoa da Prata – MG
• Resumo: A Bíblia pode ser usada como fonte histórica? Essa dúvida manifestada por um aluno disparou um trabalho intenso em que passagens da Bíblia foram o estopim para diversas investigações da História Antiga. A turma de EJA do professor Di Gianne cumpre penas de regime fechado em uma unidade do sistema prisional, uma APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), e estudou sobre sociedades como as dos egípcios, assírios e romanos, em materiais fornecidos pelo docente. As pesquisas também ajudaram os alunos a compreender aspectos de conflitos atuais entre israelenses e palestinos — justificados em boa medida por argumentos históricos —, ou do fundamentalismo islâmico. Di Gianne provou que os recuperandos se interessam pelo estudo da História quando se propõe a eles um trabalho de forma diferenciada.

Diogo Fernando dos Santos
• Área: língua portuguesa (fundamental I)
• Projeto: Quem escreve sou eu!
• Escola: Escola Municipal Professora Odete Corrêa Madureira
• Cidade: Pindamonhangaba – SP
• Resumo: O desejo do professor Diogo era que seus alunos escrevessem mais e melhor. Para isso, nada mais acertado do que mostrar textos que causam impacto no leitor. Ao eleger os contos de Clarice Lispector e Sylvia Orthof, ele deu à turma do 5º ano oportunidades de apreciar, discutir e analisar excelentes referências. Apostando no potencial das crianças, ele incentivou a produção coletiva e individual de textos autorais e orientou várias etapas de revisão. Tudo foi documentado em um blog, para que o processo de escrita e seus avanços fossem compartilhados com as famílias.

Flávia Roberta Alves Costa
• Área: artes (fundamental II)
• Projeto: Inspirações Indígenas
• Escola: Escola Municipal Divino Espírito Santo
• Cidade: Recife – PE
• Resumo: A professora Flávia faz uma pesquisa etnográfica para conhecer as comunidades indígenas de Pernambuco e sua produção artística. Em seguida, envolveu os alunos do 6º ano e suas famílias em outra pesquisa sobre a descendência indígena dos alunos. Na escola, eles tomaram contato com o tema por meio de contação de histórias e apreciação de imagens e receberam a visita dos Fulni-ô. A turma entrevistou os indígenas, assistiu e participou de danças e conheceu as pinturas corporais deste povo. Os alunos fizeram desenhos de observação de artefatos, criaram tramas com papel e pintaram grafismos e palavras no corpo, propostas que diferenciam os processos de criação dos indígenas e os dos estudantes. O projeto valorizou a relação das crianças com suas raízes e com sua construção de identidade como povo brasileiro.

Gislaine Carla Waltrik
• Área: geografia (ensino médio)
• Projeto: Gênero e Sexualidade, o que a Geografia tem com isso?
• Escola: Colégio Astolpho Macedo Souza
• Cidade: União da Vitória – PR
• Resumo: A professora Gislaine resolveu investigar como a sexualidade é expressa no espaço geográfico escolar. Para isso, planejou atividades para os alunos observarem se as questões de gênero provocam ou não segregações espaciais e se há espaços marginais para determinados gêneros. Trabalhou a noção do próprio corpo como espaço, parafraseando um dos maiores geógrafos brasileiros, Milton Santos: “o espaço é a casa do homem, mas também a sua prisão”. Gislaine também aproveitou conteúdos da Geografia que se aproximam da sexualidade humana como análise do crescimento demográfico, globalização e tráfico de pessoas, controle de natalidade e pirâmide etária.

Luana Viegas de Pinho Portilio
• Área: ciências (fundamental I)
• Projeto: Conhecendo as Aves do Entorno
• Escola: Escola Colibri
• Cidade: Embú das Artes – SP
• Resumo: Os alunos do 1º ano de Luana aprenderam na prática os comportamentos de um observador de aves. Tiveram como desafio, neste estudo, investigar o entorno da escola para conhecer e identificar quais as aves que visitavam o local. Além de ler textos e assistir a documentários e programas de reportagem, eles anotaram e desenharam em um livro de observações as características, as cores, os tamanhos e os tipos de bico das aves encontradas. Muitas crianças comprovaram nesses registros coisas pesquisadas nos textos, como o comportamento das aves, a construção de ninhos e sua alimentação. Ao propor situações de aprendizagem com questões desafiadoras e possíveis de serem respondidas pela observação da natureza, a professora desenvolveu a cultura científica em seus alunos, o que envolve a capacidade de compreender e interpretar o mundo.

Rosely Marchetti Honório
• Área: história (fundamental II)
• Projeto: O migrante mora em minha casa
• Escola: Emef Infante Dom Henrique
• Cidade: São Paulo – SP
• Resumo: O bairro do Canindé abriga um dos maiores pólos da indústria de confecções do país, que emprega mão de obra imigrante em situação precária. Ali, em uma escola do bairro, a professora Rosely observou preconceito entre os colegas, principalmente contra os bolivianos, e resolveu entrelaçar conteúdos históricos com a vida dos estudantes, descendentes de migrantes e imigrantes. Depois de entrevistar suas famílias, aprender sobre racismo em várias épocas e encontrar confecções irregulares em um estudo de meio, os alunos foram sensibilizados para uma ação de combate ao trabalho escravo na região.
G1

educadoraUma professora formada em pedagogia a distância e que trabalha em uma escola rural indígena no interior de Rondônia foi eleita, na noite desta segunda-feira (30), a Educadora do Ano, por seu projeto de alfabetização na língua indígena Paiter Suruí em Cacoal. Elisângela Dell-Armelina Suruí, de 38 anos, dá aulas na Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental e Médio Sertanista Francisco Meireles.
O projeto de Elisângela, batizado de “Mamug Koe Ixo Tig”, que significa “A fala e a escrita da criança”, incluiu a elaboração de um material didático próprio em Paiter Suruí para os 15 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, que estudam todos na mesma sala multisseriada.
No total, a escola tem apenas 33 alunos e é uma de dez escolas localizadas na terra indígena dos Suruí em Rondônia, que tem cerca de 1.800 habitantes. Terra que não é natal de Elisângela, mas adotiva.
Nascida em Ji-Paraná, em Rondônia, ela se mudou com seis anos com o pai, caminhoneiro, e a madrasta, para o Sudeste. Até então, ela ainda não tinha sido registrada. “Fui registrada com seis anos em Vila Valério, no Espírito Santo.” Ela se formou no ensino médio em terras capixabas, mas voltou para o Norte com 20 anos, para a casa da bisavó, em Cacoal.
“Foi então que fiquei sabendo de uma oportunidade para ser professora na comunidade.”
Elisângela se mudou para a aldeia Nabeko D Abadakiba e se tornou parte dela. Acabou se casando com um indígena, com quem três filhos, de 15, 12 e dois anos.

De monitora voluntária a professora titular
Quando se mudou para a aldeia, em 2001, Elisângela trabalhou na escola de forma voluntária, como monitora de um professor. Depois da pressão dos moradores para que ela tivesse uma formação na área, ela decidiu se matricular na faculdade de pedagogia. Como na aldeia não existe nem faculdade, ela se matriculou na graduação a distância na Unopar. E como na aldeia não tinha internet, ela precisou percorrer a distância de 50 km até a cidade uma vez por semana durante três anos e meio. “Eu fazia tudo de uma vez, em um dia só.”
A graduação, porém, serviu de trampolim para uma série de cursos de formação continuada para professores indígenas do governo de Rondônia e também uma pós-graduação em gestão, supervisão e orientação.

Material de apoio
O projeto “Mamug Koe Ixo Tig” surgiu quando ela viu a necessidade de elaborar o próprio material didático. “Na nossa sala tem livros em língua portuguesa e um alfabeto e palavras soltas na língua materna. Então as crianças precisavam de um material de apoio”, reconta ela.
A iniciativa da professora serviu para mais do que alfabetizar os 15 estudantes em sua língua materna. “Com esse projeto, a nossa língua nunca será esquecida”, afirmou, em um depoimento em vídeo, uma das moradoras da aldeia.

Trabalho a ser replicado
Elisângela explicou que seu projeto foi feito para os falantes de Paiter Suruí, mas pode ser replicado em outras comunidades indígenas e quilombolas pelo Brasil. O fato de essas línguas serem de tradição oral e de as comunidades perderem cada vez mais moradores para as cidades impede a transmissão do conhecimento para as novas gerações.
“O conhecimento está com os mais velhos, e é importante levar esse conhecimento para a sala de aula.”
No caso da pequenina escola
Sertanista Francisco Meireles, em Cacoal, a sala de aula era praticamente o único lugar interno disponível aos alunos. “Os alunos estão muito distantes, a realidade deles é outra”, explica ela, afirmando que não há computadores, internet, quadra esportiva ou biblioteca. “A escola tem três salas de aula, uma cozinha, um refeitório e dois banheiros.”
O projeto, porém, extrapolou as paredes da escola, com atividades de campo na aldeia e nos arredores da floresta. Entre os dez finalistas do prêmio, o projeto de Elisângela foi o que viajou de mais longe até a cerimônia desta segunda-feira.
“Não pode vir ninguém, porque é muito longe e a logística é muito difícil”, explicou a professora no palco da Sala São Paulo, no Centro da capital paulista, ao receber o troféu Educador do Ano, no fim da cerimônia do Prêmio Educador Nota 10, realizado pela Fundação Victor Civita, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Lemann, a Associação Nova Escola e as empresas Somos Educação e Faber Castell Brasil.

Selecionada entre 5 mil inscrições
Em sua 20ª edição, o Prêmio Educador Nota 10 bateu recorde e recebeu 5.006 inscrições. Os 50 finalistas receberam uma assinatura de um ano do site Nova Escola Clube. Além disso, os dez vencedores, que tiveram seus nomes divulgados em agosto, receberam a mesma assinatura e um vale-presente de R$ 15 mil. A escola deles também recebeu um vale-presente no valor de R$ 1 mil.
Já o prêmio Educador do Ano, que Elisângela recebeu nesta segunda-feira, inclui ainda outro vale-presente no valor de R$ 15 mil. A escola onde o projeto foi implementado leva como prêmio R$ 5 mil em vale-presente.

Veja outros projetos vencedores entre 5.006 inscrições:

Adriane Gallo Alcantara da Silva
• Área: gestora/diretora
• Projeto: A formação contínua dinamizando a escola
• Escola: EMEIF Profª Coraly Julia Gonçalves Carneiro
• Cidade: Assis – SP
• Resumo: Quando assumiu a direção de uma escola em Assis, no interior paulista, Adriane iniciou um trabalho de qualificação profissional com os professores, em parceria com as vice-diretoras e as coordenadoras pedagógicas. O objetivo era analisar os instrumentos de avaliação, estudar e propiciar trocas com docentes de outros municípios. A partir daí nasceu um evento que acontece a cada início e final de semestre. Além disso, a escola conta, hoje, com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) no apoio à formação continuada dos profissionais.

Cristiane Pereira de Souza Francisco
• Área: educação física (fundamental I)
• Projeto: Bolinhas de Gude: Descobrindo outras formas de ensinar, aprendendo outros jeitos de aprender
• Escola: Escola Estadual Antonio de Oliveira Bueno Filho
• Cidade: Araraquara – SP
• Resumo: Ela começou deixando as crianças brincarem de bolinha de gude na aula de educação física, sem regras nem intervenções. Os alunos do 1º ano, protagonistas da aprendizagem, foram se apropriando da atividade em etapas, graças à escuta atenta e sensível de Cristiane. O diálogo constante com a turma deu visibilidade à forma da criança pensar e interagir ao jogar, suas percepções, hipóteses, questionamentos, estratégias e interpretações. Assim, de um jeito inovador, a professora descobriu como as crianças aprendem um jogo e como o professor pode ensiná-lo.

Denise Rodrigues de Oliveira
• Área: educação infantil (creche)
• Projeto: Promovendo a autonomia através do espaço
• Escola: EMEI Floresta Encantada
• Cidade: Novo Hamburgo – RS
• Resumo: Confiando na potência das crianças, Denise reorganizou o berçário para dar a elas novas possibilidades de exploração, com menos interferência dos adultos. Ela idealizou e construiu materiais, brinquedos e objetos desafiadores e adequados às suas descobertas. Além disso, tomou a decisão de tirar os berços da sala, rompendo com o modo estereotipado e tradicional de administrar a hora do sono nas creches. Assim, os bebês podiam adormecer e acordar no seu tempo, movimentar-se ao despertar sem depender das professoras, interagir com os amigos e com o ambiente.

Di Gianne de Oliveira Nunes
• Área: história (ensino médio)
• Projeto: Regime Fechado, Visão Aberta
• Escola: Escola Estadual Monsenhor Alfredo Dohr
• Cidade: Lagoa da Prata – MG
• Resumo: A Bíblia pode ser usada como fonte histórica? Essa dúvida manifestada por um aluno disparou um trabalho intenso em que passagens da Bíblia foram o estopim para diversas investigações da História Antiga. A turma de EJA do professor Di Gianne cumpre penas de regime fechado em uma unidade do sistema prisional, uma APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), e estudou sobre sociedades como as dos egípcios, assírios e romanos, em materiais fornecidos pelo docente. As pesquisas também ajudaram os alunos a compreender aspectos de conflitos atuais entre israelenses e palestinos — justificados em boa medida por argumentos históricos —, ou do fundamentalismo islâmico. Di Gianne provou que os recuperandos se interessam pelo estudo da História quando se propõe a eles um trabalho de forma diferenciada.

Diogo Fernando dos Santos
• Área: língua portuguesa (fundamental I)
• Projeto: Quem escreve sou eu!
• Escola: Escola Municipal Professora Odete Corrêa Madureira
• Cidade: Pindamonhangaba – SP
• Resumo: O desejo do professor Diogo era que seus alunos escrevessem mais e melhor. Para isso, nada mais acertado do que mostrar textos que causam impacto no leitor. Ao eleger os contos de Clarice Lispector e Sylvia Orthof, ele deu à turma do 5º ano oportunidades de apreciar, discutir e analisar excelentes referências. Apostando no potencial das crianças, ele incentivou a produção coletiva e individual de textos autorais e orientou várias etapas de revisão. Tudo foi documentado em um blog, para que o processo de escrita e seus avanços fossem compartilhados com as famílias.

Flávia Roberta Alves Costa
• Área: artes (fundamental II)
• Projeto: Inspirações Indígenas
• Escola: Escola Municipal Divino Espírito Santo
• Cidade: Recife – PE
• Resumo: A professora Flávia faz uma pesquisa etnográfica para conhecer as comunidades indígenas de Pernambuco e sua produção artística. Em seguida, envolveu os alunos do 6º ano e suas famílias em outra pesquisa sobre a descendência indígena dos alunos. Na escola, eles tomaram contato com o tema por meio de contação de histórias e apreciação de imagens e receberam a visita dos Fulni-ô. A turma entrevistou os indígenas, assistiu e participou de danças e conheceu as pinturas corporais deste povo. Os alunos fizeram desenhos de observação de artefatos, criaram tramas com papel e pintaram grafismos e palavras no corpo, propostas que diferenciam os processos de criação dos indígenas e os dos estudantes. O projeto valorizou a relação das crianças com suas raízes e com sua construção de identidade como povo brasileiro.

Gislaine Carla Waltrik
• Área: geografia (ensino médio)
• Projeto: Gênero e Sexualidade, o que a Geografia tem com isso?
• Escola: Colégio Astolpho Macedo Souza
• Cidade: União da Vitória – PR
• Resumo: A professora Gislaine resolveu investigar como a sexualidade é expressa no espaço geográfico escolar. Para isso, planejou atividades para os alunos observarem se as questões de gênero provocam ou não segregações espaciais e se há espaços marginais para determinados gêneros. Trabalhou a noção do próprio corpo como espaço, parafraseando um dos maiores geógrafos brasileiros, Milton Santos: “o espaço é a casa do homem, mas também a sua prisão”. Gislaine também aproveitou conteúdos da Geografia que se aproximam da sexualidade humana como análise do crescimento demográfico, globalização e tráfico de pessoas, controle de natalidade e pirâmide etária.

Luana Viegas de Pinho Portilio
• Área: ciências (fundamental I)
• Projeto: Conhecendo as Aves do Entorno
• Escola: Escola Colibri
• Cidade: Embú das Artes – SP
• Resumo: Os alunos do 1º ano de Luana aprenderam na prática os comportamentos de um observador de aves. Tiveram como desafio, neste estudo, investigar o entorno da escola para conhecer e identificar quais as aves que visitavam o local. Além de ler textos e assistir a documentários e programas de reportagem, eles anotaram e desenharam em um livro de observações as características, as cores, os tamanhos e os tipos de bico das aves encontradas. Muitas crianças comprovaram nesses registros coisas pesquisadas nos textos, como o comportamento das aves, a construção de ninhos e sua alimentação. Ao propor situações de aprendizagem com questões desafiadoras e possíveis de serem respondidas pela observação da natureza, a professora desenvolveu a cultura científica em seus alunos, o que envolve a capacidade de compreender e interpretar o mundo.

Rosely Marchetti Honório
• Área: história (fundamental II)
• Projeto: O migrante mora em minha casa
• Escola: Emef Infante Dom Henrique
• Cidade: São Paulo – SP
• Resumo: O bairro do Canindé abriga um dos maiores pólos da indústria de confecções do país, que emprega mão de obra imigrante em situação precária. Ali, em uma escola do bairro, a professora Rosely observou preconceito entre os colegas, principalmente contra os bolivianos, e resolveu entrelaçar conteúdos históricos com a vida dos estudantes, descendentes de migrantes e imigrantes. Depois de entrevistar suas famílias, aprender sobre racismo em várias épocas e encontrar confecções irregulares em um estudo de meio, os alunos foram sensibilizados para uma ação de combate ao trabalho escravo na região.
G1