Ator jovem e negro é arrastado por agressores sob olhares de seguranças de terminal em SP

diogoVídeos obtidos com exclusividade pelo G1/ TV Globo mostram que o jovem Diogo Cintra, de 24 anos, foi perseguido por um agressor com um porrete e um homem com colete semelhante aos dos seguranças do Terminal Dom Pedro II, no Centro de São Paulo, depois foi agarrado por agressores dentro do terminal sob os olhares dos seguranças e levado para o lado fora, onde relatou ter sido espancado.
As imagens de câmeras de segurança mostram ainda que o jovem volta ao local muito machucado em seguida, quando finalmente é atendido pelos seguranças.
O caso aconteceu entre 5h07 e 5h23 da madrugada de quarta-feira (15). Os funcionários do terminal envolvidos foram afastados, segundo a SPTrans, empresa que gerencia o sistema de ônibus em São Paulo.
Cronologia
5h07

Um dos vídeos mostra Diogo, com casaco marrom, é perseguido perto de uma das filas de ônibus do terminal. Um homem leva um porrete nas mãos. O outro usa um jaleco amarelo e um boné semelhante aos dos seguranças do terminal. Ele corre para dentro do terminal Parque Dom Pedro II.
5h15

Oito minutos depois, outro vídeo mostra uma confusão dentro do terminal. Em pé, Diogo é levado por um grupo de homens para fora do terminal e alguns cachorros vão para cima dele. Diogo está com os dois sapatos calçados. Os seguranças, que usam um jaleco com a frase “Posso ajudar?”, viram as costas para ele.
5h16

Momentos ante de ser arrastado para fora, Diogo olha para uma outra segurança (mulher). Um último segurança vai até a catraca para aparentemente saber se o rapaz tinha sido levado pelos agressores.
5h22

Outro vídeo mostra Diogo entrando novamente no terminal cambaleando, ensanguentado. Ele está sem o sapato no pé direito e aparenta estar meio confuso. Ele caminha em direção a um ônibus, passa por trás de uma lanchonete e encontra um grupo de seguranças em seguida. Seguranças levam para o local uma cadeira de rodas. Diogo senta na cadeira de rodas e é levado por um dos seguranças.
Revolta e racismo
Diogo Cintra revelou ter sido assaltado, agredido e vítima de racismo na madrugada de quarta-feira (15). Ele ainda exibe as marcas da violência pelo corpo: pés, braços, rosto marcados pelas pauladas, socos e mordidas de cachorro.
Cintra relatou que voltava de uma festa da companhia de teatro na qual trabalha quando foi abordado por dois homens pedindo que entregasse o celular e dinheiro. Como estava perto do terminal de ônibus, ele correu para pedir apoio aos vigilantes do local.
“Cheguei no Terminal pedindo ajuda para a vigilância e a vigilante falou: ‘Corre, sai daqui. A gente não tem como fazer nada, só corre'”, disse em entrevista ao G1.
Ainda dentro do espaço, ele avistou quatro seguranças e novamente tentou ter auxílio. “Os caras [que o tinham abordado] já estavam vindo com pedaço de pau.”
Segundo Cintra, após ele pedir ajuda aos seguranças, os dois homens voltaram até ele, então acompanhados de uma mulher e três homens com dois cachorros. Em frente aos seguranças, o grupo alegou que tinha sido roubado por Cintra.

“Eu perguntei para eles o que eu havia roubado, mas o segurança me mandou calar a boca. Meu celular estava descarregado e não pude mostrar que aquele celular era meu”, recorda.
Cintra revela que entregou o aparelho para os assaltantes na frente dos seguranças e diz que em momento algum sua versão dos fatos foi considerada verdadeira.
Procurada, a São Paulo Transporte (SPTrans) disse que determinou o imediato afastamento dos funcionários que trabalhavam no Terminal Parque Dom Pedro II na madrugada em que ocorreram as agressões denunciadas pelo ator Diogo Cintra. “Os funcionários permanecerão afastados até que sejam concluídas todas as apurações e o fato seja elucidado. Tão logo tomou conhecimento da ocorrência, a SPTrans solicitou esclarecimentos à SPUrbanuss, responsável pela administração do Terminal. A SPTrans está colaborando com as autoridades policiais para esclarecer o caso o mais depressa possível. O processo de apuração ocorre mesmo durante o final de semana prolongado. A SPTrans reitera repudiar com veemência quaisquer atos de agressões e de racismo.”
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, por meio de nota, que o caso está sendo investigado no 1º Distrito Policial, na Sé. A vítima ainda deverá ser ouvida, segundo a pasta, e imagens do Terminal Parque Dom Pedro serão analisadas para a identificação dos autores das agressões.
G1

diogoVídeos obtidos com exclusividade pelo G1/ TV Globo mostram que o jovem Diogo Cintra, de 24 anos, foi perseguido por um agressor com um porrete e um homem com colete semelhante aos dos seguranças do Terminal Dom Pedro II, no Centro de São Paulo, depois foi agarrado por agressores dentro do terminal sob os olhares dos seguranças e levado para o lado fora, onde relatou ter sido espancado.
As imagens de câmeras de segurança mostram ainda que o jovem volta ao local muito machucado em seguida, quando finalmente é atendido pelos seguranças.
O caso aconteceu entre 5h07 e 5h23 da madrugada de quarta-feira (15). Os funcionários do terminal envolvidos foram afastados, segundo a SPTrans, empresa que gerencia o sistema de ônibus em São Paulo.
Cronologia
5h07

Um dos vídeos mostra Diogo, com casaco marrom, é perseguido perto de uma das filas de ônibus do terminal. Um homem leva um porrete nas mãos. O outro usa um jaleco amarelo e um boné semelhante aos dos seguranças do terminal. Ele corre para dentro do terminal Parque Dom Pedro II.
5h15

Oito minutos depois, outro vídeo mostra uma confusão dentro do terminal. Em pé, Diogo é levado por um grupo de homens para fora do terminal e alguns cachorros vão para cima dele. Diogo está com os dois sapatos calçados. Os seguranças, que usam um jaleco com a frase “Posso ajudar?”, viram as costas para ele.
5h16

Momentos ante de ser arrastado para fora, Diogo olha para uma outra segurança (mulher). Um último segurança vai até a catraca para aparentemente saber se o rapaz tinha sido levado pelos agressores.
5h22

Outro vídeo mostra Diogo entrando novamente no terminal cambaleando, ensanguentado. Ele está sem o sapato no pé direito e aparenta estar meio confuso. Ele caminha em direção a um ônibus, passa por trás de uma lanchonete e encontra um grupo de seguranças em seguida. Seguranças levam para o local uma cadeira de rodas. Diogo senta na cadeira de rodas e é levado por um dos seguranças.
Revolta e racismo
Diogo Cintra revelou ter sido assaltado, agredido e vítima de racismo na madrugada de quarta-feira (15). Ele ainda exibe as marcas da violência pelo corpo: pés, braços, rosto marcados pelas pauladas, socos e mordidas de cachorro.
Cintra relatou que voltava de uma festa da companhia de teatro na qual trabalha quando foi abordado por dois homens pedindo que entregasse o celular e dinheiro. Como estava perto do terminal de ônibus, ele correu para pedir apoio aos vigilantes do local.
“Cheguei no Terminal pedindo ajuda para a vigilância e a vigilante falou: ‘Corre, sai daqui. A gente não tem como fazer nada, só corre'”, disse em entrevista ao G1.
Ainda dentro do espaço, ele avistou quatro seguranças e novamente tentou ter auxílio. “Os caras [que o tinham abordado] já estavam vindo com pedaço de pau.”
Segundo Cintra, após ele pedir ajuda aos seguranças, os dois homens voltaram até ele, então acompanhados de uma mulher e três homens com dois cachorros. Em frente aos seguranças, o grupo alegou que tinha sido roubado por Cintra.

“Eu perguntei para eles o que eu havia roubado, mas o segurança me mandou calar a boca. Meu celular estava descarregado e não pude mostrar que aquele celular era meu”, recorda.
Cintra revela que entregou o aparelho para os assaltantes na frente dos seguranças e diz que em momento algum sua versão dos fatos foi considerada verdadeira.
Procurada, a São Paulo Transporte (SPTrans) disse que determinou o imediato afastamento dos funcionários que trabalhavam no Terminal Parque Dom Pedro II na madrugada em que ocorreram as agressões denunciadas pelo ator Diogo Cintra. “Os funcionários permanecerão afastados até que sejam concluídas todas as apurações e o fato seja elucidado. Tão logo tomou conhecimento da ocorrência, a SPTrans solicitou esclarecimentos à SPUrbanuss, responsável pela administração do Terminal. A SPTrans está colaborando com as autoridades policiais para esclarecer o caso o mais depressa possível. O processo de apuração ocorre mesmo durante o final de semana prolongado. A SPTrans reitera repudiar com veemência quaisquer atos de agressões e de racismo.”
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, por meio de nota, que o caso está sendo investigado no 1º Distrito Policial, na Sé. A vítima ainda deverá ser ouvida, segundo a pasta, e imagens do Terminal Parque Dom Pedro serão analisadas para a identificação dos autores das agressões.
G1