ESPERANDO A JARDINEIRA

Cucurrucuu, pra quem não sabe, essa palavra é a onomatopeia do canto do galo, pra quem não sabe o que é onomatopeia, faça como eu fiz, procure no google.
Cucurrucuu, e o galo repete quando o sol vem despontando la de trás da serra, ou da frente, sei la, pra quem está do lado de la, o galo é que está atrás da serra.
Então, quando a gente precisava ir na vila, que ficava bem distante do nosso sítio, o galo era o nosso relógio, A gente levantava, ia no banheiro, dava uma cagada, escovava os dentes, tomava um banho (se estivesse frio, nem pensar ) depois tomava um café sossegado, que a mãe já tinha coado e ia pra estrada esperar a jardineira.
A cada um quilômetro e meio, mais ou menos, o chofer parava pra pegar mais gente, que vinha com galinha, verdura, jerimum e mais uma pá de coisas. Quando a jabiraca chegava na vila, já era tarde, o sol estava de rachar mamona e muitas pessoas não tinham tempo de fazer tudo o que precisava. Depois de muita reclamação, mudaram o horário, a furreca começou a passar mais cedo, de madrugada, antes do galo entoar sua melodia.
O primeiro dia que eu tive que ir na vila no horário novo, eu e o tio Crisóstomo, nós não tínhamos despertador (e pra que ? ninguém nunca se importou com a hora, nosso relógio era o galo, o sol e a barriga quando roncava de fome ) EU dormi tranquilo, mas o tio ficou preocupado e quase não pregou o olho, só sei que fui acordado com ele me cutucando, …tá na hora ..vamos..e fomos.
Chegamos na estrada e ficamos esperando, O tio olhava pro céu cheio de estrelas e falou….será que não está muito cedo, não? Deve de estar, eu respondi…..então vamos sentar aqui na grama e esperar.
Estendemos nossos casacos na grama e sentamos, ficamos cansados e deitamos.
De repente o tio falou…oh, meu sobrinho..vê se para de se mexer, sossega…mas eu estava quieto. Depois foi eu que falei….agora é o senhor que está se mexendo, parece que tem formiga no traseiro!
A condução chegou , nós montamos e seguimos viagem. Chegando lá, a primeira coisa que fiz, foi comer um pastel de carne com garapa, depois fui na loja, onde a vendedora era uma paquera minha e comprei uma peita, uma beca e um bute, enquanto isso, o tio já estava lá no meretrício, não me pergunte, fazendo o que. Depois de gastarmos nosso dinheiro com coisas úteis e necessárias, a tardinha estávamos de volta.
Quando eu desci da lotação, eu vi na cerca perto do ponto, uma baita duma cobrona cascavel, pendurada na cerca de arame farpado, então o seu Genésio veio nos contar que de manhãzinha, ele achou a bicha morta e mostrou o lugar….estão vendo aquela grama amassada ali? então, ela estava lá, vai ver que durante a noite, algum animal deitou em cima dela, tem muito burro aqui por essas bandas, vai ver que foi um deles;
Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com

Cucurrucuu, pra quem não sabe, essa palavra é a onomatopeia do canto do galo, pra quem não sabe o que é onomatopeia, faça como eu fiz, procure no google.
Cucurrucuu, e o galo repete quando o sol vem despontando la de trás da serra, ou da frente, sei la, pra quem está do lado de la, o galo é que está atrás da serra.
Então, quando a gente precisava ir na vila, que ficava bem distante do nosso sítio, o galo era o nosso relógio, A gente levantava, ia no banheiro, dava uma cagada, escovava os dentes, tomava um banho (se estivesse frio, nem pensar ) depois tomava um café sossegado, que a mãe já tinha coado e ia pra estrada esperar a jardineira.
A cada um quilômetro e meio, mais ou menos, o chofer parava pra pegar mais gente, que vinha com galinha, verdura, jerimum e mais uma pá de coisas. Quando a jabiraca chegava na vila, já era tarde, o sol estava de rachar mamona e muitas pessoas não tinham tempo de fazer tudo o que precisava. Depois de muita reclamação, mudaram o horário, a furreca começou a passar mais cedo, de madrugada, antes do galo entoar sua melodia.
O primeiro dia que eu tive que ir na vila no horário novo, eu e o tio Crisóstomo, nós não tínhamos despertador (e pra que ? ninguém nunca se importou com a hora, nosso relógio era o galo, o sol e a barriga quando roncava de fome ) EU dormi tranquilo, mas o tio ficou preocupado e quase não pregou o olho, só sei que fui acordado com ele me cutucando, …tá na hora ..vamos..e fomos.
Chegamos na estrada e ficamos esperando, O tio olhava pro céu cheio de estrelas e falou….será que não está muito cedo, não? Deve de estar, eu respondi…..então vamos sentar aqui na grama e esperar.
Estendemos nossos casacos na grama e sentamos, ficamos cansados e deitamos.
De repente o tio falou…oh, meu sobrinho..vê se para de se mexer, sossega…mas eu estava quieto. Depois foi eu que falei….agora é o senhor que está se mexendo, parece que tem formiga no traseiro!
A condução chegou , nós montamos e seguimos viagem. Chegando lá, a primeira coisa que fiz, foi comer um pastel de carne com garapa, depois fui na loja, onde a vendedora era uma paquera minha e comprei uma peita, uma beca e um bute, enquanto isso, o tio já estava lá no meretrício, não me pergunte, fazendo o que. Depois de gastarmos nosso dinheiro com coisas úteis e necessárias, a tardinha estávamos de volta.
Quando eu desci da lotação, eu vi na cerca perto do ponto, uma baita duma cobrona cascavel, pendurada na cerca de arame farpado, então o seu Genésio veio nos contar que de manhãzinha, ele achou a bicha morta e mostrou o lugar….estão vendo aquela grama amassada ali? então, ela estava lá, vai ver que durante a noite, algum animal deitou em cima dela, tem muito burro aqui por essas bandas, vai ver que foi um deles;
Valdir Fachini
valdirfachini53@gmail.com