Há 30 anos, governadores prometem resolver a violência no RJ; veja frases

rioViolentoHá pelo menos três décadas, a população do Rio assiste, vivencia e sofre com o aumento da violência. O combate ao crime organizado sempre foi parte importante do discurso dos governadores do estado. Os resultados, no entanto, nunca alcançaram a paz que o povo deseja, e que os políticos prometem.
O RJTV reuniu declarações de quem já governou – ou ainda governa – o estado fluminense para relembrar a escalada do crime no estado, que levaram à intervenção federal.
Em julho de 1986, o Ibope perguntou à população fluminense: quais problemas deveriam receber mais atenção do governo? A violência ficou em primeiro lugar. Ano após ano, as autoridades reconheceram que a situação era grave e que era preciso agir.
Rocinha, 1988. A imagem de um salva de tiros para homenagear um bandido morto foi o anúncio de dias difíceis. A arma usada, um fuzil, até então era pouco conhecida. O tráfico de drogas se espalhava pelas comunidades do Rio: 68 morros tinham pontos de venda de drogas.

BRIZOLA
“Nós estamos firmes. Cada vez eu estou certo que os serviços, nossos serviços policiais, preventivos ou não, estão atuando sempre com eficiência maior e estamos procurando atacar as causas”, declarou, à época, Leonel Brizola (1922 – 2004), que governou o Rio entre 1983 e 1987, depois entre 1991 e 1994.
Grupos de extermínio – formados por policiais e ex-policiais – cometiam muitos assassinatos, principalmente, na Baixada Fluminense. No governo seguinte, o crime continuava avançando.

MOREIRA FRANCO
“Nós vamos enfrentar os grupos de crime organizado, custe o que custar e doa a quem doer, que eu sou intransigente”, disse Moreira Franco, que governou o Rio entre 1987 e 1981 e neste sábado (17) esteve em reunião no Palácio Guanabara, como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.
No Rio, os bandidos começaram a atirar com fuzil bem antes do que a polícia. E os governantes entenderam que o fuzil do tráfico deveria ser combatido com o fuzil da polícia.
A PM começou a usar esse armamento nos anos de 1990, que foram marcados por chacinas. Nesse período, presos ordenavam sequestros. Os bandidos organizavam comboios para roubar carros, para transportar armas e drogas.

MARCELO ALENCAR

“Cria-se uma nova sociedade dentro da sociedade com nova escala de valores, com nova disciplina. Você tem razão, que história é essa do traficante determinar que não abram as lojas porque um bandido deles foi morto, quer dizer, essas coisas realmente agridem a ordem social desejável para a sociedade formal, nós (…)
“Eu estou dizendo que vou fazer. Os marginais que estão me ouvindo sabem que eu vou combatê-los, que eu sou intransifente”, declarou o Marcelo Alencar (1925 -2014), que governou o RJ entre 1995 e 1998.
Nos anos 2000, bandidos atacavam postos de policiamento, metralhavam e jogavam granadas em prédios públicos. As balas perdidas e os bondes do tráfico continuavam aterrorizando a vida do carioca.
A maior chacina da história do estado deixou 29 mortes. Policiais foram acusados do crime. O Rio de Janeiro que já tinha três facções criminosas e viu o avanço das milícias.

GAROTINHO
“Você vai sentir uma mudança de conceito, né? O policiamento ostensivo vai ser maior, mas nós vamos tombar gradativamente todos os itens da criminalidade”, disse Anthony Garotinho, governador entre 1999 e 2002.

BENEDITA
“Até então só se apagou incêndio. Eu estou esperando uma resposta, e não é nem de 20 anos. eu morei 57 anos na favela e sei muito bem como o poder público se tornou ausente e como faltou responsabilidade na discussão de uma verdadeira política de segurança pública.”
“Hoje o que nós estamos mais uma vez fazendo é criando ações emergenciais para combater uma situação que está ainda localizada”, disse Benedita, governadora em 2002.

ROSINHA GAROTINHO
“O que eles querem é acabar com o regime diferenciado dentro dos presídios, que nós não abrimos mão, não concordamos e não vamos negociar com bandido”, declarou Rosinha, que governou entre 2003 e 2007.
Três governadores e nenhuma solução. Em 2008, uma nova política de segurança pública foi criada no estado: as Unidades de Polícia Pacificadora.

SÉRGIO CABRAL
“Nós vamos continuar nessa linha de enfrentamento a esse tipo de situação que infelizmente o Rio de Janeiro ainda vive”, disse Cabral, que governou entre 2008 e 2013.
Os índices de criminalidade reduziram, mas, a partir de 2013, começou uma escalada crescente da violência.

PEZÃO
“O que me preocupa muito é o tráfico voltar. Tentar voltar. E o que preciso for pra fazer, né, como nós fizemos lá, prendemos os bandidos, aprendemos armamentos, a gente vai continuar a fazer. É um enfrentamento muito duro, mas a gente tem priorizado a segurança pública.”
E a gente vai cada vez investir mais. Estamos com grandes operações previstas, aonde a gente vai continuar a combater a criminalidade. Não vai faltar dinheiro para a segurança pública e para nenhuma política pública”, declarou o governador Pezão, em 2015.
O dinheiro, no entanto, faltou, e o governo reconheceu a incapacidade do estado de resolver o problema.
“Nós, só com a Polícia Militar e a Polícia Civil, nós não estamos conseguindo deter a guerra entre facções no nosso estado e ainda com um componente grave, que são as milícias.”
Trinta anos não foram suficientes pra se encontrar soluções.
G1

rioViolentoHá pelo menos três décadas, a população do Rio assiste, vivencia e sofre com o aumento da violência. O combate ao crime organizado sempre foi parte importante do discurso dos governadores do estado. Os resultados, no entanto, nunca alcançaram a paz que o povo deseja, e que os políticos prometem.
O RJTV reuniu declarações de quem já governou – ou ainda governa – o estado fluminense para relembrar a escalada do crime no estado, que levaram à intervenção federal.
Em julho de 1986, o Ibope perguntou à população fluminense: quais problemas deveriam receber mais atenção do governo? A violência ficou em primeiro lugar. Ano após ano, as autoridades reconheceram que a situação era grave e que era preciso agir.
Rocinha, 1988. A imagem de um salva de tiros para homenagear um bandido morto foi o anúncio de dias difíceis. A arma usada, um fuzil, até então era pouco conhecida. O tráfico de drogas se espalhava pelas comunidades do Rio: 68 morros tinham pontos de venda de drogas.

BRIZOLA
“Nós estamos firmes. Cada vez eu estou certo que os serviços, nossos serviços policiais, preventivos ou não, estão atuando sempre com eficiência maior e estamos procurando atacar as causas”, declarou, à época, Leonel Brizola (1922 – 2004), que governou o Rio entre 1983 e 1987, depois entre 1991 e 1994.
Grupos de extermínio – formados por policiais e ex-policiais – cometiam muitos assassinatos, principalmente, na Baixada Fluminense. No governo seguinte, o crime continuava avançando.

MOREIRA FRANCO
“Nós vamos enfrentar os grupos de crime organizado, custe o que custar e doa a quem doer, que eu sou intransigente”, disse Moreira Franco, que governou o Rio entre 1987 e 1981 e neste sábado (17) esteve em reunião no Palácio Guanabara, como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.
No Rio, os bandidos começaram a atirar com fuzil bem antes do que a polícia. E os governantes entenderam que o fuzil do tráfico deveria ser combatido com o fuzil da polícia.
A PM começou a usar esse armamento nos anos de 1990, que foram marcados por chacinas. Nesse período, presos ordenavam sequestros. Os bandidos organizavam comboios para roubar carros, para transportar armas e drogas.

MARCELO ALENCAR

“Cria-se uma nova sociedade dentro da sociedade com nova escala de valores, com nova disciplina. Você tem razão, que história é essa do traficante determinar que não abram as lojas porque um bandido deles foi morto, quer dizer, essas coisas realmente agridem a ordem social desejável para a sociedade formal, nós (…)
“Eu estou dizendo que vou fazer. Os marginais que estão me ouvindo sabem que eu vou combatê-los, que eu sou intransifente”, declarou o Marcelo Alencar (1925 -2014), que governou o RJ entre 1995 e 1998.
Nos anos 2000, bandidos atacavam postos de policiamento, metralhavam e jogavam granadas em prédios públicos. As balas perdidas e os bondes do tráfico continuavam aterrorizando a vida do carioca.
A maior chacina da história do estado deixou 29 mortes. Policiais foram acusados do crime. O Rio de Janeiro que já tinha três facções criminosas e viu o avanço das milícias.

GAROTINHO
“Você vai sentir uma mudança de conceito, né? O policiamento ostensivo vai ser maior, mas nós vamos tombar gradativamente todos os itens da criminalidade”, disse Anthony Garotinho, governador entre 1999 e 2002.

BENEDITA
“Até então só se apagou incêndio. Eu estou esperando uma resposta, e não é nem de 20 anos. eu morei 57 anos na favela e sei muito bem como o poder público se tornou ausente e como faltou responsabilidade na discussão de uma verdadeira política de segurança pública.”
“Hoje o que nós estamos mais uma vez fazendo é criando ações emergenciais para combater uma situação que está ainda localizada”, disse Benedita, governadora em 2002.

ROSINHA GAROTINHO
“O que eles querem é acabar com o regime diferenciado dentro dos presídios, que nós não abrimos mão, não concordamos e não vamos negociar com bandido”, declarou Rosinha, que governou entre 2003 e 2007.
Três governadores e nenhuma solução. Em 2008, uma nova política de segurança pública foi criada no estado: as Unidades de Polícia Pacificadora.

SÉRGIO CABRAL
“Nós vamos continuar nessa linha de enfrentamento a esse tipo de situação que infelizmente o Rio de Janeiro ainda vive”, disse Cabral, que governou entre 2008 e 2013.
Os índices de criminalidade reduziram, mas, a partir de 2013, começou uma escalada crescente da violência.

PEZÃO
“O que me preocupa muito é o tráfico voltar. Tentar voltar. E o que preciso for pra fazer, né, como nós fizemos lá, prendemos os bandidos, aprendemos armamentos, a gente vai continuar a fazer. É um enfrentamento muito duro, mas a gente tem priorizado a segurança pública.”
E a gente vai cada vez investir mais. Estamos com grandes operações previstas, aonde a gente vai continuar a combater a criminalidade. Não vai faltar dinheiro para a segurança pública e para nenhuma política pública”, declarou o governador Pezão, em 2015.
O dinheiro, no entanto, faltou, e o governo reconheceu a incapacidade do estado de resolver o problema.
“Nós, só com a Polícia Militar e a Polícia Civil, nós não estamos conseguindo deter a guerra entre facções no nosso estado e ainda com um componente grave, que são as milícias.”
Trinta anos não foram suficientes pra se encontrar soluções.
G1