Mobilidade urbana, tema em involução: transporte coletivo expõe a gravidade do problema

Mobilidade urbana parece um termo que vem perdendo sua força no Brasil. Durante décadas esse tema foi esquecido, porém, entrou em alta, passando alguns anos (talvez uma década) nas principais discussões dos poderes públicos nas suas três esferas de governo. Neste período, o planejamento, os investimentos e a execução de obras de infraestrutura- melhoraram e amenizaram os problemas que se acumularam e que começaram aparecer em forma de engarrafamentos, congestionamentos e retenções veiculares nas cidades de grande e médio porte-, mas, de uma hora para outra tudo parece voltar à estaca zero, fato altamente preocupante.

A conjuntura da política econômica brasileira continua cada vez mais desfavorável ao transporte público de passageiros – uma das forças motoras do desenvolvimento do país. O Brasil anda mesmo na contramão dos países desenvolvidos, onde o custo é elevado para quem utiliza o carro particular como forma de subsidiar parte dos gastos com o coletivo. Por aqui, se faz exatamente o contrário: barateamos a manutenção do veículo individual, oferecemos incentivos fiscais para sua aquisição e nos esforçamos ao máximo para dar trafegabilidade a estes carros em nossas cidades.

Já para o transporte coletivo, elevam-se os custos da manutenção e, salvo honrosas exceções, pouco se faz para implantar faixas exclusivas e corredores de ônibus, e nem se fala em sistemas sobre trilhos, como os trens, metrôs e VLTs.

Após estes argumentos, observo com extrema preocupação quando acompanho as estatísticas que mostram a perda significativa de passageiros em Campina Grande, realidade enfrentada pelos consórcios operadores do transporte coletivo de passageiros na cidade. Uma série de fatores vem há muito tempo contribuindo para isto, um deles, talvez o mais expressivo, é o transporte clandestino, que não recolhe impostos, que não garante as gratuidades para que tem direito e nem a meia passagem para os estudantes, no entanto, o tal transporte concorre em pé de igualdade com o transporte regular de passageiros

É bom que se diga também, pois, muita gente talvez não saiba que o ônibus transporta 70% da população e ocupa 30% do espaço urbano, enquanto isso, o transporte individual, ocupa 70% do espaço das cidades levando apenas 30% de seus habitantes, dura realidade de um país onde sua elite acha que ‘coletivo’ é sinônimo de pobreza, infelizmente por pensarmos desta forma estamos involuindo e os problemas que pareciam que aos poucos seriam resolvidos, novamente começam a mostrar força.

E as consequências? Elas também se apresentam e nossa “progressista” classe média juntamente com nossos ricos, vai ficando parada em ruas abarrotadas de potentes e bonitos veículos que por não ter espaço não desenvolvem a sonhada e confortável mobilidade que aos poucos vai sendo substituída por perda de tempo, de dinheiro e estresse a doença da moda e da atualidade.

Ainda Está em tempo de se fazer a escolha, vamos decidir se queremos uma cidade cada vez mais travada e ocupada por carros ou se queremos ela para as pessoas, a escolha também é nossa, afinal, queremos um transporte coletivo que funcione com efetividade ou um transporte que cada vez mais desordena o já confuso trânsito? Os gestores vão seguir a lógica que vem de longas datas com os alinhavos e acomodações políticas ou vão seguir os planos de mobilidade feitos por técnicos especialistas em trânsito, transporte, acessibilidade? Inquietações que precisam de respostas urgentes, para dependendo delas, vermos o modelo de transporte e de mobilidade que queremos.

jNevesJosinaldo Neves
Radialista e Jornalista

Mobilidade urbana parece um termo que vem perdendo sua força no Brasil. Durante décadas esse tema foi esquecido, porém, entrou em alta, passando alguns anos (talvez uma década) nas principais discussões dos poderes públicos nas suas três esferas de governo. Neste período, o planejamento, os investimentos e a execução de obras de infraestrutura- melhoraram e amenizaram os problemas que se acumularam e que começaram aparecer em forma de engarrafamentos, congestionamentos e retenções veiculares nas cidades de grande e médio porte-, mas, de uma hora para outra tudo parece voltar à estaca zero, fato altamente preocupante.

A conjuntura da política econômica brasileira continua cada vez mais desfavorável ao transporte público de passageiros – uma das forças motoras do desenvolvimento do país. O Brasil anda mesmo na contramão dos países desenvolvidos, onde o custo é elevado para quem utiliza o carro particular como forma de subsidiar parte dos gastos com o coletivo. Por aqui, se faz exatamente o contrário: barateamos a manutenção do veículo individual, oferecemos incentivos fiscais para sua aquisição e nos esforçamos ao máximo para dar trafegabilidade a estes carros em nossas cidades.

Já para o transporte coletivo, elevam-se os custos da manutenção e, salvo honrosas exceções, pouco se faz para implantar faixas exclusivas e corredores de ônibus, e nem se fala em sistemas sobre trilhos, como os trens, metrôs e VLTs.

Após estes argumentos, observo com extrema preocupação quando acompanho as estatísticas que mostram a perda significativa de passageiros em Campina Grande, realidade enfrentada pelos consórcios operadores do transporte coletivo de passageiros na cidade. Uma série de fatores vem há muito tempo contribuindo para isto, um deles, talvez o mais expressivo, é o transporte clandestino, que não recolhe impostos, que não garante as gratuidades para que tem direito e nem a meia passagem para os estudantes, no entanto, o tal transporte concorre em pé de igualdade com o transporte regular de passageiros

É bom que se diga também, pois, muita gente talvez não saiba que o ônibus transporta 70% da população e ocupa 30% do espaço urbano, enquanto isso, o transporte individual, ocupa 70% do espaço das cidades levando apenas 30% de seus habitantes, dura realidade de um país onde sua elite acha que ‘coletivo’ é sinônimo de pobreza, infelizmente por pensarmos desta forma estamos involuindo e os problemas que pareciam que aos poucos seriam resolvidos, novamente começam a mostrar força.

E as consequências? Elas também se apresentam e nossa “progressista” classe média juntamente com nossos ricos, vai ficando parada em ruas abarrotadas de potentes e bonitos veículos que por não ter espaço não desenvolvem a sonhada e confortável mobilidade que aos poucos vai sendo substituída por perda de tempo, de dinheiro e estresse a doença da moda e da atualidade.

Ainda Está em tempo de se fazer a escolha, vamos decidir se queremos uma cidade cada vez mais travada e ocupada por carros ou se queremos ela para as pessoas, a escolha também é nossa, afinal, queremos um transporte coletivo que funcione com efetividade ou um transporte que cada vez mais desordena o já confuso trânsito? Os gestores vão seguir a lógica que vem de longas datas com os alinhavos e acomodações políticas ou vão seguir os planos de mobilidade feitos por técnicos especialistas em trânsito, transporte, acessibilidade? Inquietações que precisam de respostas urgentes, para dependendo delas, vermos o modelo de transporte e de mobilidade que queremos.

jNevesJosinaldo Neves
Radialista e Jornalista