Depois do encolhimento, vem o esticar-se

DepoisE Ele ouviu tudo no mais absoluto silêncio.
Já havia discutido sobre aquilo muitas vezes, usado todos os seus argumentos, achado ruim, brigado, xingado.
Cansara.
Agora, só o silêncio.
“Terminou?”
-Terminei.
Escutou o último grito.
Saiu da sala sem fazer barulho.
Sentia-se extremamente infeliz e injustiçado.
Seu corpo doía.
Cada pedacinho, como se por cima dele tivesse passado um rolo compressor.
Não queria que tudo terminasse assim.
Havia começado de um jeito tão encantador…
Mesmo sem aceitar o fim resolveu ir embora.
Não dava mais.
Ele dizia a verdade.
Ela não acreditava.
Ele não tinha como provar.
Ela só escutava a própria voz.
Pegou algumas coisas, arrastou-se até o carro, saiu sem rumo.
Rodou, rodou, rodou até encontrar a solidão.
Parou.
O sol ia embora silenciosamente.
Ele desceu do carro e sentou-se para observar.
Quando se deu conta, estava sozinho na mais profunda escuridão.
Pensou em voltar e tentar se explicar novamente.
Desistiu.
Entrou no carro e foi procurar um lugar para passar a noite.
Ao encontrar, não se deu o trabalho de acender as luzes.
Ficou parado olhando a escuridão.
Viu os astros passarem pelo céu e a noite terminar.
Silenciosamente, como fora, o sol voltou.
Encontrou-o com a mesma roupa, sem comer, arrasado do mesmo jeito.
Ao ver a manhã já indo longe, Ele se lembrou de que, no meio da madrugada, a escuridão fora terrível.
De que, a certa altura, tivera a impressão de que até mesmo as estrelas tinham indo descansar.
Mas de que o sol, mesmo assim, voltara a brilhar.
Foi quando Ele resolveu se levantar, precisava sair daquela situação.
Ficar parado, chorando e sentindo-se injustiçado não mudaria nada em sua vida.
Tomou um banho.
Comeu.
E saiu.
Para onde?
Não sabia.
Fazer o quê?
Não tinha ideia.
Mas saiu.
Já se encolhera, era hora de se esticar!
Vivi Antunes é ajuntadora de letrinhas e assim o faz às segundas, quartas e sextas no www.viviantunes.com.br

DepoisE Ele ouviu tudo no mais absoluto silêncio.
Já havia discutido sobre aquilo muitas vezes, usado todos os seus argumentos, achado ruim, brigado, xingado.
Cansara.
Agora, só o silêncio.
“Terminou?”
-Terminei.
Escutou o último grito.
Saiu da sala sem fazer barulho.
Sentia-se extremamente infeliz e injustiçado.
Seu corpo doía.
Cada pedacinho, como se por cima dele tivesse passado um rolo compressor.
Não queria que tudo terminasse assim.
Havia começado de um jeito tão encantador…
Mesmo sem aceitar o fim resolveu ir embora.
Não dava mais.
Ele dizia a verdade.
Ela não acreditava.
Ele não tinha como provar.
Ela só escutava a própria voz.
Pegou algumas coisas, arrastou-se até o carro, saiu sem rumo.
Rodou, rodou, rodou até encontrar a solidão.
Parou.
O sol ia embora silenciosamente.
Ele desceu do carro e sentou-se para observar.
Quando se deu conta, estava sozinho na mais profunda escuridão.
Pensou em voltar e tentar se explicar novamente.
Desistiu.
Entrou no carro e foi procurar um lugar para passar a noite.
Ao encontrar, não se deu o trabalho de acender as luzes.
Ficou parado olhando a escuridão.
Viu os astros passarem pelo céu e a noite terminar.
Silenciosamente, como fora, o sol voltou.
Encontrou-o com a mesma roupa, sem comer, arrasado do mesmo jeito.
Ao ver a manhã já indo longe, Ele se lembrou de que, no meio da madrugada, a escuridão fora terrível.
De que, a certa altura, tivera a impressão de que até mesmo as estrelas tinham indo descansar.
Mas de que o sol, mesmo assim, voltara a brilhar.
Foi quando Ele resolveu se levantar, precisava sair daquela situação.
Ficar parado, chorando e sentindo-se injustiçado não mudaria nada em sua vida.
Tomou um banho.
Comeu.
E saiu.
Para onde?
Não sabia.
Fazer o quê?
Não tinha ideia.
Mas saiu.
Já se encolhera, era hora de se esticar!
Vivi Antunes é ajuntadora de letrinhas e assim o faz às segundas, quartas e sextas no www.viviantunes.com.br