Dia do índio: Hino Nacional cantado em Tupi Guarani marca celebração no DF; veja vídeo

cacique“Onhe endu Ypiranga gui hembe kanguy’i”. A versão clássica do Hino Nacional Brasileiro ganhou uma adaptação inusitada durante uma cerimônia oficial no Ministério da Justiça, nesta segunda-feira (16).
A letra, em português, de um dos símbolos da República foi traduzida para o Tupi Guarani pelo cacique Tukumbó Dyeguaká, violonista profissional com mais de 40 anos de carreira (vídeo acima). A cerimônia marcou o início da semana indígena, com o Dia do Índio lembrado na próxima quinta (19).
Ao G1, o violonista contou que a ideia da tradução veio atrelada à uma tentativa de incluir os povos nativos do país no que ele chama de “cultura brasileira”. Falado por mais de 120 mil indígenas, o Tupi Guarani é considerado por linguistas como a “língua-mãe” que mais influenciou a base de outros idiomas falados e reconhecidos no Brasil.
“Com o índio cantando o hino na sua própria língua, a gente passa a se sentir um brasileiro e não mais um excluído.”
A gente precisa se sentir nesse contexto, como a raiz desse caldeirão de culturas que deu no povo brasileiro”, explica o cacique Robson Miguel.
Na tradução livre, o músico disse ter demorado três dias para concluir o trabalho e, então, conseguir ser fiel à maioria das palavras. Robson conta, no entanto, que em alguns momentos precisou recorrer a adaptações para dar um novo significado às expressões que não têm correspondência no Tupi, como “berço esplêndido”.
“A cultura indígena não tem berço, o índio põe o filho no balaio ou ele está sempre no colo da mãe. Para fazer a tradução, usei como ‘deitado muito seguro no colo de sua mãe’ “, conta.

“Onhenó Kuri pewe Guarã Monde’apy”
Outras expressões que exigiram um “jeitinho” do tradutor do hino foram “lábaro que ostentas estrelado” e “verde-louro desta flâmula”. Os termos – difíceis de compreender mesmo em português – foram adaptados para “pano que mostra estrelas” e “verde-louro deste paninho”.
“Ostentar não é costume comum na cultura indígena, então tive que substituir toda essa frase para algo que chegasse mais próximo, que representasse aquilo que o índio é”.
“A cultura indígena é desprovida de valores. A gente acredita em primeiro ser, para depois ter. Ser rico é não sentir falta de nada, portanto, índio não penhora”, brinca Robson Miguel.

VEJA VERSÃO ORIGINAL DO HINO NACIONAL:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
[…] Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
[…] Ó Pátria amada, idolatrada, salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

VERSÃO EM TUPI GUARANI:

Onhe endu Ypiranga gui hembe kanguy’i
Xondáro sapukai omboryry
Kuaray aça oetxape vy nhanderesaka
Hendy pe arai re agu’i
[…] Ywy aywu’py, Nhemboete, Oúma ! Oúma!
Pindorama nhe’em baraete overá endy
Mborayu ha’e nhearô gui ywy oguejy
Yvá porã py tory potim açy
Kurutxú ra’ angaa hetxakã.
Tuitxa odjegui rrae oíny rraepy
Iporã, hatã há’agaa ndaovaiguái
Tuitxa odjekuaa araka’ e werã
Ywy porã
Rreta va’ egui
Ndee rra’e
Ywy aywu’py
Ko Yuy Rra’y kwery Gui txy Marangatu
Ywy aywu’py, Pindorama!

VERSÃO ADAPTADA DO TUPI PARA A LÍNGUA PORTUGUESA

Ouviram-se do Ipiranga as margens calmas
O grito dos guerreiros estremeceu
O raio do sol brilhou ofuscante
Brilhou no céu nesse instante
[…] Se a garantia dessa igualdade
Conseguimos trazer com braço forte
Em teu seio, a paz
Nosso peito chama a própria morte
[…] Terra amada, respeitada, Saúdo! Saúdo!
Brasil, é a voz forte, raio reluzente
De amor e de esperança à terra desce
No céu formoso, riso e límpido,
A imagem da cruz das estrelas resplandece.
Grande pela própria natureza,
É bonito, é forte, a imagem é incomparável
Aparece o grande futuro
Terra bonita,
Entre outras muitas,
Você é a Terra amada!
Dos filhos desta terra é mãe gentil
Terra amada,
Brasil!

HINO PELA INCLUSÃO
Apesar de não ser oficializada, a versão em Tupi Guarani foi cantada pela primeira vez, em Brasília, durante uma conferência indígena em 2006. Para o autor, o violonista e cacique do povo guarani Itaoca Mongaguá, Robson Miguel, a letra é uma tentativa de “posicionar a conquista do povo indígena” nas lutas históricas, como a da Independência.
“A história sempre foi ariana, mas com o hino traduzido conseguimos reverter a situação, de unir culturas e incluir a [cultura] indígena sem romantizar”. O exemplo dado é relação ao primeiro verso da música, que narra a chegada às margens do rio Ipiranda.
“A narrativa do hino conta que do outro lado da margem calma do Ipiranga, uns guerreiros gritavam por ‘independência ou morte’, então eu procurei adaptar, mas sem adulterar o sentido histórico”.

Versão oficial
Com a melodia composta em 1822, o hino nacional brasileiro já teve duas versões oficiais ao longo da história. A primeira foi executada em 1831, quando da abdicação de Dom Pedro I. A outra é do tempo de Dom Pedro II.
Com a República, o novo governo decidiu eliminar as lembranças do Império e, então, um concurso foi criado para escolher o novo hino. Para agradar, a música foi mantida e uma outra letra eleita. Ganhou a escrita por Osório Duque Estrada em 1909, que é a versão tal qual como cantamos até hoje.
Um dos registros mais antigos do hino nacional foi escrito a mão pelo próprio autor, Osório Duque Estrada. O documento está guardado nos arquivos da Academia Brasileira de Letras e é datado de 1922.

VEJA O VIDEO:

G1

cacique“Onhe endu Ypiranga gui hembe kanguy’i”. A versão clássica do Hino Nacional Brasileiro ganhou uma adaptação inusitada durante uma cerimônia oficial no Ministério da Justiça, nesta segunda-feira (16).
A letra, em português, de um dos símbolos da República foi traduzida para o Tupi Guarani pelo cacique Tukumbó Dyeguaká, violonista profissional com mais de 40 anos de carreira (vídeo acima). A cerimônia marcou o início da semana indígena, com o Dia do Índio lembrado na próxima quinta (19).
Ao G1, o violonista contou que a ideia da tradução veio atrelada à uma tentativa de incluir os povos nativos do país no que ele chama de “cultura brasileira”. Falado por mais de 120 mil indígenas, o Tupi Guarani é considerado por linguistas como a “língua-mãe” que mais influenciou a base de outros idiomas falados e reconhecidos no Brasil.
“Com o índio cantando o hino na sua própria língua, a gente passa a se sentir um brasileiro e não mais um excluído.”
A gente precisa se sentir nesse contexto, como a raiz desse caldeirão de culturas que deu no povo brasileiro”, explica o cacique Robson Miguel.
Na tradução livre, o músico disse ter demorado três dias para concluir o trabalho e, então, conseguir ser fiel à maioria das palavras. Robson conta, no entanto, que em alguns momentos precisou recorrer a adaptações para dar um novo significado às expressões que não têm correspondência no Tupi, como “berço esplêndido”.
“A cultura indígena não tem berço, o índio põe o filho no balaio ou ele está sempre no colo da mãe. Para fazer a tradução, usei como ‘deitado muito seguro no colo de sua mãe’ “, conta.

“Onhenó Kuri pewe Guarã Monde’apy”
Outras expressões que exigiram um “jeitinho” do tradutor do hino foram “lábaro que ostentas estrelado” e “verde-louro desta flâmula”. Os termos – difíceis de compreender mesmo em português – foram adaptados para “pano que mostra estrelas” e “verde-louro deste paninho”.
“Ostentar não é costume comum na cultura indígena, então tive que substituir toda essa frase para algo que chegasse mais próximo, que representasse aquilo que o índio é”.
“A cultura indígena é desprovida de valores. A gente acredita em primeiro ser, para depois ter. Ser rico é não sentir falta de nada, portanto, índio não penhora”, brinca Robson Miguel.

VEJA VERSÃO ORIGINAL DO HINO NACIONAL:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
[…] Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
[…] Ó Pátria amada, idolatrada, salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

VERSÃO EM TUPI GUARANI:

Onhe endu Ypiranga gui hembe kanguy’i
Xondáro sapukai omboryry
Kuaray aça oetxape vy nhanderesaka
Hendy pe arai re agu’i
[…] Ywy aywu’py, Nhemboete, Oúma ! Oúma!
Pindorama nhe’em baraete overá endy
Mborayu ha’e nhearô gui ywy oguejy
Yvá porã py tory potim açy
Kurutxú ra’ angaa hetxakã.
Tuitxa odjegui rrae oíny rraepy
Iporã, hatã há’agaa ndaovaiguái
Tuitxa odjekuaa araka’ e werã
Ywy porã
Rreta va’ egui
Ndee rra’e
Ywy aywu’py
Ko Yuy Rra’y kwery Gui txy Marangatu
Ywy aywu’py, Pindorama!

VERSÃO ADAPTADA DO TUPI PARA A LÍNGUA PORTUGUESA

Ouviram-se do Ipiranga as margens calmas
O grito dos guerreiros estremeceu
O raio do sol brilhou ofuscante
Brilhou no céu nesse instante
[…] Se a garantia dessa igualdade
Conseguimos trazer com braço forte
Em teu seio, a paz
Nosso peito chama a própria morte
[…] Terra amada, respeitada, Saúdo! Saúdo!
Brasil, é a voz forte, raio reluzente
De amor e de esperança à terra desce
No céu formoso, riso e límpido,
A imagem da cruz das estrelas resplandece.
Grande pela própria natureza,
É bonito, é forte, a imagem é incomparável
Aparece o grande futuro
Terra bonita,
Entre outras muitas,
Você é a Terra amada!
Dos filhos desta terra é mãe gentil
Terra amada,
Brasil!

HINO PELA INCLUSÃO
Apesar de não ser oficializada, a versão em Tupi Guarani foi cantada pela primeira vez, em Brasília, durante uma conferência indígena em 2006. Para o autor, o violonista e cacique do povo guarani Itaoca Mongaguá, Robson Miguel, a letra é uma tentativa de “posicionar a conquista do povo indígena” nas lutas históricas, como a da Independência.
“A história sempre foi ariana, mas com o hino traduzido conseguimos reverter a situação, de unir culturas e incluir a [cultura] indígena sem romantizar”. O exemplo dado é relação ao primeiro verso da música, que narra a chegada às margens do rio Ipiranda.
“A narrativa do hino conta que do outro lado da margem calma do Ipiranga, uns guerreiros gritavam por ‘independência ou morte’, então eu procurei adaptar, mas sem adulterar o sentido histórico”.

Versão oficial
Com a melodia composta em 1822, o hino nacional brasileiro já teve duas versões oficiais ao longo da história. A primeira foi executada em 1831, quando da abdicação de Dom Pedro I. A outra é do tempo de Dom Pedro II.
Com a República, o novo governo decidiu eliminar as lembranças do Império e, então, um concurso foi criado para escolher o novo hino. Para agradar, a música foi mantida e uma outra letra eleita. Ganhou a escrita por Osório Duque Estrada em 1909, que é a versão tal qual como cantamos até hoje.
Um dos registros mais antigos do hino nacional foi escrito a mão pelo próprio autor, Osório Duque Estrada. O documento está guardado nos arquivos da Academia Brasileira de Letras e é datado de 1922.

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G1