De mato e abandono a trânsito melhor e mais segurança: como está a vida no entorno dos estádios da Copa no Brasil

legadoQuando o Brasil foi escolhido para receber a Copa de 2014, muita gente se animou com o desenvolvimento prometido pela série de obras que aconteceriam, principalmente nas regiões ao redor dos estádios.
Quatro anos depois, o G1 voltou a essas regiões que receberam milhares de torcedores nos dias de jogos para ver o “legado” deixado pelo Mundial. Veja a situação em cada uma das 12 cidades-sede:
Amazonas

Os comerciantes que se mantiveram no entorno da Arena da Amazônia tentam atualmente viver da clientela formada por quem mora ou trabalha no entorno do estádio, localizado em uma das avenidas mais movimentadas de Manaus. Mas eles reclamam que a falta de estacionamento dificulta que os estabelecimentos prosperem, principalmente nos dias de jogos. “Tanto na chegada quanto na saída de eventos por aqui, é um caos”, afirma o sócio de uma distribuidora, Rafael Holanda.
Bahia

O entorno da Arena Fonte Nova, que foi reconstruída para o Mundial de 2014, mantém vivo o movimento com atividades de esporte, shows e eventos quatro anos depois do torneio. Conta a favor o fato de o estádio estar em uma área central de Salvador, com residências, comércio, atrações turísticas, além de dois importantes terminais de transporte.
Ceará

Moradores e comerciantes afirmam que as obras feitas para a Copa de 2014 melhoraram o trânsito e a iluminação no entorno da Arena Castelão, em Fortaleza – que recebeu seis jogos do Mundial, dois deles com a Seleção Brasileira. Os donos de pequenos estabelecimentos dizem que, quatro anos depois, a melhor infraestrutura ajuda o comércio.
Já o Centro de Formação Olímpica, construído ao lado da Arena para ser um moderno complexo esportivo para preparação de atletas, está subutilizado e hoje funciona apenas em pequenos torneios e shows.

legado2Distrito Federal

Quatro anos depois da Copa no Brasil, o entorno do estádio Mané Garrincha, em Brasília, nem de longe lembra o projeto inicial, que previa uma área arborizada, com jardim, lagoas artificias e um complexo sistema de drenagem. Segundo o Tribunal de Contas, R$ 6,98 milhões foram desembolsados nas obras que nunca começaram. Em crise, o governo atual do DF tenta passar o estádio e arredores para a gestão privada.
Apesar de estar localizada em uma região central, a área do estádio não tem nenhum atrativo para o público que passa por ali – não há bancos, marquises, árvores, lixeiras ou comércio. Sem uso permanente, a manutenção é rara e a degradação da área avança a olhos vistos. Nos eventos noturnos, o público reclama da falta de iluminação e de policiamento.

Mato Grosso

Localizada numa área predominantemente residencial, a Arena Pantanal em Cuiabá aumentou a segurança e valorizou os imóveis no seu entorno, afirmam os moradores. A área é usada para lazer, prática de exercícios e comércio.

Minas Gerais

No estádio de Belo Horizonte onde aconteceu o fatídico 7 x 1, os comerciantes do entorno afirmam que estão perdendo de goleada desde que a Copa acabou há quatro anos. As mudanças no trânsito do entorno do Mineirão reduziram muito a quantidade de vagas para estacionamento, o que afastou a clientela. Para piorar, na reforma do estádio, o estacionamento foi transformado na Esplanada do Mineirão, local de shows e eventos culturais e esportivos.
O que compensa um pouco, afirmam, são os eventos que a Esplanada recebe quase três vezes por mês. Os shows de grande porte acabam levando para a região da Lagoa da Pampulha um movimento que não é muito comum no local, além de turistas.

Paraná

Reformada para a Copa de 2014, a Arena da Baixada em Curitiba fica de frente para a Praça Afonso Botelho, que teve uma obra de revitalização concluída em março deste ano – a entrega tinha sido prometida para a época do Mundial. O local oferece atividades físicas e esportivas com capacidade para 1,8 mil atendimentos por mês.

Pernambuco

Único estádio fora de uma capital a receber jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena de Pernambuco foi construída praticamente no meio do nada, em São Lourenço da Mata, distante 19 km do Recife. No entorno seria erguida a Cidade da Copa, que traria para a região residências, centros comerciais e uma universidade. Mas tudo está do mesmo jeito desde o fim do torneio.
Ao redor da arena, a única coisa que cresceu foi mato e a quantidade de entulho. “A promessa é que teria muita vantagem com essa arena, mais comércio, mais moradia, mas só vi piorar”, afirma José Paulo Alves, de 65 anos, que mora próximo ao estádio. A distância do Centro e a dificuldade de transporte para o local faz com que pouca gente se anime a ir aos poucos eventos que ocorrem no estádio.

legado3Rio de Janeiro

Local que recebeu um dos maiores esquemas de segurança no dia da final da Copa de 2014, o entorno do Maracanã vive uma realidade bem diferente hoje. Quem circula pela região, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, reclama do abandono e do aumento da criminalidade. O número de roubos de celular, por exemplo, aumentou 220% se comparado com 4 anos atrás. O roubo de veículos aumentou 190%.
Faltam policiais para o patrulhamento de rotina, há lava-jatos irregulares e em um ponto de concentração de usuários de crack. A facilidade de transporte, com linhas de ônibus e metrô, é um ponto positivo apontado pelas pessoas que frequentam o entorno do Maracanã. Porém, a sensação de abandono é uma unanimidade.

Rio Grande do Norte

A melhoria do trânsito no entorno da Arena das Dunas é apontada pelos moradores de Natal como o melhor legado deixado pela Copa. A construção de túneis e de um viaduto na região do movimentado bairro de Lagoa Nova ajudou a dar fluidez para a circulação dos veículos.
Mas nem todo mundo ficou satisfeito. Os comerciantes afirmam que o viaduto melhorou o trânsito, porém tornou o acesso às lojas complicado. Imóveis estão fechados, porque a conclusão da obra desvalorizou os pontos comerciais. Eles reclamam que também diminuiu a circulação de pessoas a pé nas calçadas, o que aumentou a insegurança. Leia a reportagem completa

Rio Grande do Sul

Quem mora ou trabalha no entorno do estádio do Beira-Rio afirma que as intervenções feitas para a Copa de 2014 melhoraram o trânsito e reduziram os alagamentos – que eram os principais problemas da área antes do Mundial.
Localizado na Região Central de Porto Alegre, o estádio está entre duas avenidas que ligam o Centro à Zona Sul da cidade: a Avenida Padre Cacique e a Avenida Edvaldo Pereira Paiva – que foram melhoradas para o Mundial. Também foi construído um viaduto. “Se tu olhar hoje a Avenida Padre Cacique, não tem mais problema de alagamento, visualmente é um lugar muito bonito, tudo melhorou, luminosidade, tudo”, afirma Igor Dummer, de 38 anos, que tem uma oficina no local.

São Paulo

Os investimentos milionários na Arena Itaquera, que recebeu o primeiro jogo da Copa de 2014, resultaram em beneficio para o tráfego do entorno, lucro para o mercado imobiliário e para o Shopping Metrô Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.
Mas no que diz respeito à segurança e à aridez do bairro, quem frequenta a região afirma que pouco mudou nos últimos quatro anos. Não há muita circulação de pedestres e, quem se arrisca a andar a pé por ali, diz que é perigoso.

G1

legadoQuando o Brasil foi escolhido para receber a Copa de 2014, muita gente se animou com o desenvolvimento prometido pela série de obras que aconteceriam, principalmente nas regiões ao redor dos estádios.
Quatro anos depois, o G1 voltou a essas regiões que receberam milhares de torcedores nos dias de jogos para ver o “legado” deixado pelo Mundial. Veja a situação em cada uma das 12 cidades-sede:
Amazonas

Os comerciantes que se mantiveram no entorno da Arena da Amazônia tentam atualmente viver da clientela formada por quem mora ou trabalha no entorno do estádio, localizado em uma das avenidas mais movimentadas de Manaus. Mas eles reclamam que a falta de estacionamento dificulta que os estabelecimentos prosperem, principalmente nos dias de jogos. “Tanto na chegada quanto na saída de eventos por aqui, é um caos”, afirma o sócio de uma distribuidora, Rafael Holanda.
Bahia

O entorno da Arena Fonte Nova, que foi reconstruída para o Mundial de 2014, mantém vivo o movimento com atividades de esporte, shows e eventos quatro anos depois do torneio. Conta a favor o fato de o estádio estar em uma área central de Salvador, com residências, comércio, atrações turísticas, além de dois importantes terminais de transporte.
Ceará

Moradores e comerciantes afirmam que as obras feitas para a Copa de 2014 melhoraram o trânsito e a iluminação no entorno da Arena Castelão, em Fortaleza – que recebeu seis jogos do Mundial, dois deles com a Seleção Brasileira. Os donos de pequenos estabelecimentos dizem que, quatro anos depois, a melhor infraestrutura ajuda o comércio.
Já o Centro de Formação Olímpica, construído ao lado da Arena para ser um moderno complexo esportivo para preparação de atletas, está subutilizado e hoje funciona apenas em pequenos torneios e shows.

legado2Distrito Federal

Quatro anos depois da Copa no Brasil, o entorno do estádio Mané Garrincha, em Brasília, nem de longe lembra o projeto inicial, que previa uma área arborizada, com jardim, lagoas artificias e um complexo sistema de drenagem. Segundo o Tribunal de Contas, R$ 6,98 milhões foram desembolsados nas obras que nunca começaram. Em crise, o governo atual do DF tenta passar o estádio e arredores para a gestão privada.
Apesar de estar localizada em uma região central, a área do estádio não tem nenhum atrativo para o público que passa por ali – não há bancos, marquises, árvores, lixeiras ou comércio. Sem uso permanente, a manutenção é rara e a degradação da área avança a olhos vistos. Nos eventos noturnos, o público reclama da falta de iluminação e de policiamento.

Mato Grosso

Localizada numa área predominantemente residencial, a Arena Pantanal em Cuiabá aumentou a segurança e valorizou os imóveis no seu entorno, afirmam os moradores. A área é usada para lazer, prática de exercícios e comércio.

Minas Gerais

No estádio de Belo Horizonte onde aconteceu o fatídico 7 x 1, os comerciantes do entorno afirmam que estão perdendo de goleada desde que a Copa acabou há quatro anos. As mudanças no trânsito do entorno do Mineirão reduziram muito a quantidade de vagas para estacionamento, o que afastou a clientela. Para piorar, na reforma do estádio, o estacionamento foi transformado na Esplanada do Mineirão, local de shows e eventos culturais e esportivos.
O que compensa um pouco, afirmam, são os eventos que a Esplanada recebe quase três vezes por mês. Os shows de grande porte acabam levando para a região da Lagoa da Pampulha um movimento que não é muito comum no local, além de turistas.

Paraná

Reformada para a Copa de 2014, a Arena da Baixada em Curitiba fica de frente para a Praça Afonso Botelho, que teve uma obra de revitalização concluída em março deste ano – a entrega tinha sido prometida para a época do Mundial. O local oferece atividades físicas e esportivas com capacidade para 1,8 mil atendimentos por mês.

Pernambuco

Único estádio fora de uma capital a receber jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena de Pernambuco foi construída praticamente no meio do nada, em São Lourenço da Mata, distante 19 km do Recife. No entorno seria erguida a Cidade da Copa, que traria para a região residências, centros comerciais e uma universidade. Mas tudo está do mesmo jeito desde o fim do torneio.
Ao redor da arena, a única coisa que cresceu foi mato e a quantidade de entulho. “A promessa é que teria muita vantagem com essa arena, mais comércio, mais moradia, mas só vi piorar”, afirma José Paulo Alves, de 65 anos, que mora próximo ao estádio. A distância do Centro e a dificuldade de transporte para o local faz com que pouca gente se anime a ir aos poucos eventos que ocorrem no estádio.

legado3Rio de Janeiro

Local que recebeu um dos maiores esquemas de segurança no dia da final da Copa de 2014, o entorno do Maracanã vive uma realidade bem diferente hoje. Quem circula pela região, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, reclama do abandono e do aumento da criminalidade. O número de roubos de celular, por exemplo, aumentou 220% se comparado com 4 anos atrás. O roubo de veículos aumentou 190%.
Faltam policiais para o patrulhamento de rotina, há lava-jatos irregulares e em um ponto de concentração de usuários de crack. A facilidade de transporte, com linhas de ônibus e metrô, é um ponto positivo apontado pelas pessoas que frequentam o entorno do Maracanã. Porém, a sensação de abandono é uma unanimidade.

Rio Grande do Norte

A melhoria do trânsito no entorno da Arena das Dunas é apontada pelos moradores de Natal como o melhor legado deixado pela Copa. A construção de túneis e de um viaduto na região do movimentado bairro de Lagoa Nova ajudou a dar fluidez para a circulação dos veículos.
Mas nem todo mundo ficou satisfeito. Os comerciantes afirmam que o viaduto melhorou o trânsito, porém tornou o acesso às lojas complicado. Imóveis estão fechados, porque a conclusão da obra desvalorizou os pontos comerciais. Eles reclamam que também diminuiu a circulação de pessoas a pé nas calçadas, o que aumentou a insegurança. Leia a reportagem completa

Rio Grande do Sul

Quem mora ou trabalha no entorno do estádio do Beira-Rio afirma que as intervenções feitas para a Copa de 2014 melhoraram o trânsito e reduziram os alagamentos – que eram os principais problemas da área antes do Mundial.
Localizado na Região Central de Porto Alegre, o estádio está entre duas avenidas que ligam o Centro à Zona Sul da cidade: a Avenida Padre Cacique e a Avenida Edvaldo Pereira Paiva – que foram melhoradas para o Mundial. Também foi construído um viaduto. “Se tu olhar hoje a Avenida Padre Cacique, não tem mais problema de alagamento, visualmente é um lugar muito bonito, tudo melhorou, luminosidade, tudo”, afirma Igor Dummer, de 38 anos, que tem uma oficina no local.

São Paulo

Os investimentos milionários na Arena Itaquera, que recebeu o primeiro jogo da Copa de 2014, resultaram em beneficio para o tráfego do entorno, lucro para o mercado imobiliário e para o Shopping Metrô Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.
Mas no que diz respeito à segurança e à aridez do bairro, quem frequenta a região afirma que pouco mudou nos últimos quatro anos. Não há muita circulação de pedestres e, quem se arrisca a andar a pé por ali, diz que é perigoso.

G1