Primeiras impressões da ‘Boa Terra’, por Thomas Bruno Oliveira

Vim a Salvador-BA na última terça-feira afim de participar do Encontro Internacional de Jornalistas de Turismo, evento muito bem organizado pela seccional baiana da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (ABRAJET), tendo à frente o jornalista Gorgônio Loureiro. Ainda na terça estive na companhia do tio Ernani Nascimento (Nando) e seu irmão Fernando, os dois recifenses; Nando visitava seu irmão que há anos mora na Boa Terra e o motivo do encontro não poderia ser mais especial: Raissa Araújo, filha do Fernando, nascida em Lauro de Freitas na grande Salvador, iria se apresentar no The Voice Brasil, programa de competição musical exibido na TV Globo depois da novela das nove. Antes de assistir o programa, para conter a ansiedade, fomos a um restaurante cuja especialidade é a lambreta.
Desconhecia totalmente a existência desse marisco, um pouco semelhante a ostra, cujo caldo é um tanto quanto afrodisíaco, uma delícia! Neófito em terras baianas, comecei a me encantar ali, atraído por seus sabores. No dia seguinte, na companhia do tio Nando e do amigo Agnaldo, conheci o Mercado Modelo com toda sorte de coisas; artesanato, souvenires de todos os tipos em uma aura encantada de cores e musicalidade. Uma escuta mais atenta revela sons de berimbau e atabaques, vendidos aos montes, energia singular. No Mercado, em um de seus bares, provei outra iguaria, a pitchitchinga, um peixinho miúdo, parente da nossa piabinha e da manjubinha, igualmente deliciosa. Dali observava o contrastante relevo, construções escorregavam pela encosta da cidade alta até a cidade baixa, pareciam querer beijar o mar. Serena, a igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia testemunha o acordar e o dormir da cidade baixa, área tipicamente comercial, conhecido como bairro do comércio, antigo polo financeiro da cidade que, após a criação do shopping Iguatemi foi aos poucos perdendo a relevância. Isso porque a cidade energizou-se ao redor desse novo empreendimento com toda sua lógica comercial e de serviços, tornando a área circundante – hoje o bairro Iguatemi – na mais concorrida e valorizada da cidade a partir de então.
Lembro em conversa com a amiga Ida Steinmüller que o saudoso Nilton Vieira Rique afirmou a seu esposo – o industrial Humberto Almeida – no início da década de 1970, que o comércio do futuro seria “mall”, ou seja, um tipo de atividade compactada em um espaço físico com gerenciamento do lugar agregando comércio e serviços, ou seja, o conceito de shopping que teria visto nos Estados Unidos em uma de suas viagens. E eis que o empresário, banqueiro e político Newton Rique cria em Salvador em 1975 o Shopping Iguatemi, o segundo do Brasil, hoje Shopping da Bahia, que mantém em sua entrada um busto em reverência a seu criador. Filho de Campina Grande, o visionário Rique muda sensivelmente a história da cidade de Salvador. A partir do shopping um novo polo financeiro e empresarial se desenvolve, marco urbano da capital soteropolitana.
A caminho do hotel, no Rio Vermelho, vi o pulsar boêmio da cidade. Essa região é conhecida por seus bares e restaurantes e sua marca é a boemia. Vi que requalificações estão sendo feitas na orla e outras já conclusas demonstram o bom gosto e o empenho do poder público no investimento no bem viver baseado na convivência na cidade valorizando o turismo. Mesmo sem conhecer, não consigo imaginar este trecho de orla que espia a Baía de Todos os Santos sem essas inovações.
Chega a noite da quarta-feira, abertura do Encontro Internacional. Hora de reencontrar colegas de todo o Brasil. A semana promete!

Thomas Bruno Oliveira
Jornalista e Historiador, membro da Abrajet. É cronista dos jornais A União e Contraponto além da Revista de Turismo

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