Homem chama universitários no Rio Grande do Sul de ‘negros sujos’

A Polícia Civil identificou nesta terça-feira (16) o suspeito de ofender dois estudantes negros da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do Rio Grande do Sul, na semana passada. De acordo com o delegado Antonio Firmino de Freitas Neto, titular da 4ª Delegacia de Polícia, o homem é funcionário de uma empresa responsável pelo recolhimento de lixo no campus da universidade.
Na tarde desta terça, o delegado procurou o dono da empresa, que ajudou a identificar o funcionário que aparece nas imagens das câmeras de segurança cedidas à polícia. “Ele disse que a empresa não compactua com esse tipo de comportamento e que o funcionário será punido severamente”, relatou o Firmino, que preferiu não divulgar o nome da companhia.
Conforme o delegado, o suspeito, que estava na carona de um caminhão de lixo, e o motorista do veículo, como testemunha, serão ouvidos nesta quarta-feira (17). Uma das vítimas, a aluna de 23 anos, já prestou depoimento. O aluno de 19 anos ainda será ouvido.
A polícia irá concluir o inquérito e encaminhar à Justiça. Em caso de condenação, a pena para o crime de injúria qualificada, quando alguém é ofendido verbalmente por conta de cor, raça, etnia ou religião, varia de um a três anos de reclusão e multa.
A denúncia foi registrada pelos estudantes na delegacia na última quarta (11). No boletim de ocorrência, os alunos relatam que foram xingados e ameaçados quando chegavam a uma agência bancária, que fica dentro da universidade. De acordo com a aluna, um homem que recolhia lixo no local disse: “seus nego sujo, vai lavar esses cabelo, macaco fedido”.
Por telefone, a assessoria de imprensa da UFSM disse que, como não envolve um servidor ou estudante da universidade, não cabe à instituição abrir processo administrativo, cabe à polícia fazer a investigação. A universidade disse que colaborou para agilizar o levantamento das provas, solicitando, inclusive, imagens das câmeras de segurança da agência bancária que fica no interior do campus e que mostravam melhor a cena. A UFSM disse ainda que seguirá dando apoio aos estudantes que foram vítimas dos ataques.

Outros casos na UFSM
Essa não é a primeira vez que um caso de racismo é registrado dentro da UFSM. Em setembro de 2017, frases como ‘o lugar de vocês é no tronco’ e ‘fora negros’ foram escritas em paredes do Diretório Livre Acadêmico do Direito da universidade. Revoltados com a situação, na época, estudantes realizaram uma mobilização com cartazes contra o preconceito.
Em novembro, do mesmo ano, mensagens racistas foram escritas nas paredes de uma sala do curso de Ciências Sociais da UFSM. Ofensas foram endereçadas a três alunos. Outras frases foram percebidas no local: “Fora macacos” e “Brancos no topo”, além do desenho de uma suástica. Dias depois, alunos ocuparam a reitoria em protesto contra as pichações, pedindo que a reitoria adote medidas ligadas às manifestações racistas e de apologia ao nazismo.
Em julho deste ano, a universidade aprovou novo código de conduta após casos de racismo. O documento apresenta medidas e punições contra alunos infratores, como advertências, repreensão por escrito e suspensão das aulas por um prazo que pode variar de três a 90 dias, podendo chegar até mesmo ao desligamento da instituição.
O documento aprovado divide os tipos de infração em leve (com aplicação de advertência), média (com advertência ou repreensão), grave (com suspensão máxima de 45 dias) e gravíssima (cabível de suspensão ou o desligamento da instituição).
G1

Banner Add

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial