Aluno suspenso do Mackenzie que ameaçou matar ‘negraiada’ pede perdão, mas é indiciado por racismo

Em entrevista exibida na TV Globo, o estudante de Direito do Mackenzie Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos, afirmou que não é “racista, nem preconceituoso, muito menos violento”. A declaração foi dada após a repercussão do vídeo em que ele aparece indo votar com uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dizendo: “Tá vendo essa negraiada? Vai morrer!”.
“Só queria pedir perdão pelos sentimentos que eu causei nas pessoas que se sentiram até ameaçadas, enfim, agredidas, pela contundência do meu áudio aí completamente infeliz”, disse Baleotii, por telefone, à emissora de TV.
Ainda na noite de terça, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do DHPP instaurou inquérito policial para investigar o crime de discriminação ou preconceito de raça. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o aluno envolvido “será convocado para prestar esclarecimentos.”
No vídeo, não é possível saber se o caso ocorreu no primeiro ou no segundo turno. “Indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. É, tá vendo essa negraiada? Vai morrer! Vai morrer! É capitão, c*ralho”, diz o estudante na gravação.
O jovem também foi demitido do escritório de advogados no qual estagiava. O De Luca, Derenusson, Schuttoff e Azevedo Advogados (DDSA) publicou uma nota em suas redes sociais afirmando que repudia ações que violem direitos e garantias estabelecidas pela constituição federal.
O caso provocou revolta entre os estudantes da instituição que organizaram uma numerosa manifestação nas dependências do campus localizado em Higienópolis. Em gravações do ato, é possível ver palavras de ordem a exemplo de “Racistas não passarão” e “Mackenzie, se posiciona, os seus alunos não aceitam essa vergonha”.
Outra manifestação está marcada para a noite desta terça, organizada pelo Coletivo Negro Afromack.

Veja a nota do reitor do Mackenzie, Benedito Aguiar Neto, na íntegra:
“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.
Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade.”
Benedito G. Aguiar Neto
Reitor

INDICIADO POR CRIME RACIAL
A Polícia Civil indiciou o estudante de direito Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos, por crime racial após ele aparecer em vídeo indo votar com uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dizendo: “Tá vendo essa negraiada? Vai morrer!”.
Segundo a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do DHPP, o estudante vai responder pelas penas incluídas no artigo 20, parágrafo 2., da Lei do Crime Racial 7.716/89: “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, estando sujeito a reclusão de dois a cinco anos e multa”.
No vídeo, o estudante diz que está “indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco pra ver um vadio vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo, ó, tá vendo essa negraiada (apontando a câmera para uma moto ocupada por duas pessoas), vai morrer, vai morrer, é capitão caralho!”. Um segundo vídeo recebido pela Decradi também é protagonizado pelo mesmo autor onde ele aparece no interior de um apartamento manuseando uma arma de fogo, dizendo: “Capitão levanta-te, hoje o povo brasileiro precisa de você”.

Suspenso da faculdade
Pedro é estudante do último semestre de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo. Centenas de alunos da instituição protestaram em dois atos durante a manhã e à noite de terça-feira (30) contra as declarações racistas e pedindo a expulsão do rapaz.
A faculdade suspendeu o estudante por cinco dias e divulgou nota afirmando que “tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas”. Nesta quarta-feira, uma comissão de professores iria analisar o caso e pretendia ouvir o aluno. Pedro pode vir a ser expulso da faculdade.

G1

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