Desmanche do Estado chega à mobilidade urbana e ao trânsito. Novas regras devem trazer mais mortes e mutilações

O termo ‘mobilidade urbana’ perdeu de vez a importância e a força no Brasil, passou a ser muito mais uma expressão agradável de se ouvir, porém sem importância. Durante décadas esse tema foi esquecido, porém entrou em alta, passando alguns anos (talvez uma década) no centro das principais discussões dos poderes públicos em suas três esferas de governo.

Nesse período, o planejamento, os investimentos e a execução de obras de infraestrutura melhoraram e amenizaram os problemas que se acumularam e que começaram a aparecer na forma de engarrafamentos, congestionamentos e retenções veiculares nas cidades de grande e médio porte. Mas, de uma hora para outra, tudo parece voltar à estaca zero, fato altamente preocupante.

Como tudo que deu certo e foi construído no tempo em que as políticas públicas eram favoráveis à população e que agora teria que ser destruído por insanidade de um governo que não planejou, não se preparou e não sabe como é governar um pais continental como é o Brasil, o povo é que vai pagar a conta que diga-se de passagem será muito alta, dadas as maluquices que vem sendo cometidas.

Nosso país vinha até então adotando medidas que a longo prazo iriam fazer efeito e nos colocar no caminho dos países desenvolvidos. Entre estas medidas podemos destacar as que punem os maus motoristas com a perda da carteira de habilitação, controle de velocidade em rodovias e vias expressas nas cidades, construção de ciclovias e ciclofaixas, entre tantas outras.

Não é que de repente tudo começou a virar poeira e escombros e os avanços darem lugar ao retrocesso, pois bem, esta é a realidade atual deste país. Mas, o que será dito pelas famílias que perdem diariamente os seus entes queridos no e para um trânsito que mata mais de 60 mil pessoas por ano, irão aplaudir as desastrosas medidas que matam e mutilam? Difícil responder por que a falta de conscientização política faz o povo ser contra ele mesmo.

Outro fato alarmante e preocupante é o desmantelamento do transporte coletivo. Volto a repetir que não existe pais desenvolvido sem um transporte coletivo forte. A verdade, é que o setor em cidades médias do Nordeste começa a ligar o sinal de alerta e será em pouco tempo um serviço que irá desaparecer, caso nada seja feito.

Campina Grande, uma das principais cidades da região Nordeste vem enfrentando sérios problemas no seu transporte coletivo de passageiros. Os consórcios que exploram o serviço disponibilizam uma boa frota de ônibus, investem nos operadores que passam por treinamentos e reciclagem para bem atender os passageiros, renovam periodicamente os veículos, tudo isso medidas que somadas a insumos (pneus e peças) e elevados preços dos combustíveis fazem com que a operacionalização da engrenagem que não oferece nenhum tipo de subsidio fique a cada ano mais deficitária.

E assim vamos regredindo a passos largos, fruto de uma mudança que está nos levando para os lugares sombrios do atraso. Mexer em áreas essenciais que podem custar mais vidas, simplesmente por caprichos políticos é no mínimo irresponsabilidade que a história irá registrar, mostrando que quem assim age será lembrado apenas de forma negativa.

Por Josinaldo Neves
Jornalista, radialista e mestrando em Desenvolvimento Regional

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