Preço de aparelho de ar-condicionado pode cair pela metade durante o inverno

Em março do ano passado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas divulgou um dado surpreendente: durante todo o verão brasileiro, que começa em dezembro e termina no final de março, os produtos e serviços geralmente mais consumidos, como água, refrigerantes, cervejas, protetores solares, passagens aéreas, hotéis e aparelhos de ar-condicionado perderam 1,35% dos valores.
Agora, no inverno, alguns equipamentos úteis em todas as outras épocas do ano costumam ficar ainda mais baratos, além de serem utilizáveis também no período mais frio do ano: o ar-condicionado inverter esquenta os ambientes ao invés de esfriá-los. Foi o que constatou a enfermeira Eduarda Vasconcelos, que mora na Zona Norte de São Paulo.
“Eu achei até que o valor estava errado. Perguntei para o vendedor se era aquilo mesmo”, conta. Ela afirma que pagou pouco menos de 2 mil reais pelo equipamento, que só tem utilidade no verão. Segundo estudos realizados em invernos passados, os valores desses produtos podem cair até 57% nos meses de temperaturas baixas. Uma busca rápida na internet permite encontrar aparelhos por até R$ 1.300.
Nos períodos de calor, que começam por volta de outubro e vão até março, um aparelho de ar-condicionado semelhante ao que Eduarda comprou custa, em média, 4 mil reais. Ela, porém, é uma das poucas pessoas que conseguem aproveitar essas quedas de preços: o mercado está acostumado a buscar por produtos apenas quando eles se fazem necessários, caso de equipamentos como ventiladores, umidificadores de ambiente e roupas – agasalhos no verão e biquínis no inverno.
Uma das explicações para esse fenômeno exige uma compreensão rápida da forma como a produção de mercadorias funciona numa economia de mercado: as empresas que fabricam produtos – como aparelhos de ar-condicionado – calculam os custos de sua produção (salário dos trabalhadores, matérias-primas, gastos das máquinas, local de trabalho, etc.) com base na demanda dos interessados em comprá-los.
Em épocas quentes, a produção dessas empresas aumenta porque há mais gente procurando equipamentos que atenuem os efeitos do calor, como ar-condicionado, ventilador e umidificador de ambiente, ou que queira aproveitá-lo, indo atrás de biquínis, sungas e outros produtos para usar em praias, rios ou piscinas.
Quando a estação muda, porém, essa demanda diminui significativamente. A produção das fábricas se volta para outros equipamentos necessários em períodos frios ou para os que são buscados em qualquer época do ano – fogões, geladeiras, microondas, etc. O estoque dos “aparelhos de verão” fica ocioso e, para não perderem dinheiro, as empresas e as lojas diminuem seus preços. “Pouca gente deve saber disso. Eu, por exemplo, não tinha noção”, revela Eduarda.
O economista Gilberto Braga, professor da Faculdade de Economia e Finanças (IBMEC), do Rio de Janeiro, disse que o aproveitamento desse fenômeno depende também de certa economia de dinheiro por parte dos consumidores. “O cliente antecipa o gasto e acaba economizando. Algumas pessoas, por exemplo, estocam espumante e outras bebidas servidas geladas, pois estão mais baratas agora”, revela.
Ele conta que a mesma coisa acontece com as roupas, apesar da possibilidade de usá-las até mesmo durante o inverno. “As peças de verão podem ser utilizadas durante o tempo frio, embaixo de agasalhos, por exemplo”, aconselha.
Alguns sites lembram também que há outra facilidade em adquirir ar-condicionado no inverno: a chance de encontrar aparelhos no mercado é muito maior. Em janeiro deste ano, por exemplo, algumas lojas de eletrodomésticos ficaram sem equipamentos justamente nos dias de maior calor. No Rio, as temperaturas vão aos 40 graus, e em outras cidades, como São Paulo e Porto Alegre, chegam perto disso.
“É, de fato, uma vantagem: você paga mais barato, não pega fila e ainda pode entrar no verão já com clima fresco dentro de casa”, comemora Eduarda. “Pena é que, por enquanto, o aparelho fica ocioso”, finaliza.

Banner Add

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial