Cidade japonesa faz história ao eleger primeira mulher no parlamento local

O nome da japonesa Misuzu Ikeda tem grandes chances de estar em algumas das próximas questões de concurso público: em uma rara mudança na política do seu país, ela foi a primeira mulher eleita para a assembleia de sua cidade, Tarumizu, no sudoeste da ilha, na província de Kagoshima, a 1,1 mil km de Tóquio.
Ikeda terminou a eleição na terceira colocação entre 17 candidatos para 14 assentos no parlamento local, cuja cidade — apesar do reconhecimento oficial — possui uma pequena população de 15 mil pessoas. Percebendo que ela era a primeira mulher em 61 anos de história do município, o jornal Asahi Shimbun publicou um texto afirmando que sua chegada à cadeira mostra um progresso da sociedade japonesa.
A eleição também marcou a primeira vez que uma candidata mulher lutou por um assento no parlamento de Tarumizu em vinte anos, e a primeira vez que duas mulheres concorreram à legislatura. A outra candidata, Rieko Takahashi, não foi escolhida nas urnas.
Seis outras mulheres foram eleitas em cidades maiores do Japão nas eleições que ocorreram no final de abril — quebrando o recorde anterior de quatro, em 2015. O número de mulheres eleitas para assembleias municipais japonesas alcançou 1.239 no total — outro recorde –, de acordo com o jornal Mainichi Shimbun.
Apesar disso, o Japão ainda possui uma das menores taxas de participação política feminina em comparação com outros países. Antes das eleições de abril, quatro entre cada cinco membros das assembleias das cidades ao longo da ilha eram homens, com quase 20% dos parlamentos sem nenhuma representante do sexo feminino. Essa realidade fez com que o Legislativo nacional aprovasse uma lei no ano passado exigindo que os partidos se esforcem para igualar o número de candidatas mulheres ao de homens.
Apesar da mudança, listas de candidatos, assembleias locais e as duas casas do parlamento japonês ainda estão dominados por homens. Muitas mulheres que concorrem a cargos políticos encontram resistências de organizações partidárias dominadas pelo sexo masculino, enquanto um quarto das mulheres eleitas em assembleias locais dizem que já foram assediadas sexualmente pelos colegas parlamentares e constituintes.
“O que está por trás disso é que o Japão ainda tem uma sociedade masculina e não se acostumou com mulheres que estão tentando assumir papéis de liderança e que falam o que pensam”, disse Masae Ido, ex-parlamentar, ao jornal Asahi Shimbun.
Somente 10% dos congressistas da Casa Baixa — espécie de Câmara dos Deputados — do Japão são mulheres, de acordo com uma pesquisa feita pela Inter-Parliamentary Union — no ranking do estudo sobre representatividade feminina na política da entidade, o Japão aparece na posição 165 entre 193 países.
No Reino Unido, 32% dos membros da Casa dos Comuns, o parlamento análogo ao japonês, são mulheres. Nos Estados Unidos, 23,7% dos parlamentares no Congresso são do sexo feminino.
Apesar de afirmar o desejo de estabelecer uma sociedade em que as “mulheres possam brilhar”, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, indicou apenas uma mulher — a ministra de revitalização regional Satsuki Katayama — para seu gabinete recém-eleito, em outubro passado.

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