Imagens mostram momento em que jornalista é executado em Maricá, no RJ

O vídeo mostra o jornalista entrando no carro, um gol cinza, que estava estacionado. Logo que ele entra no veículo, um homem corre até o local, abre a porta do motorista e dispara várias vezes contra a vítima.
O autor volta correndo para um carro preto, que o espera estacionado logo atrás do carro do jornalista. O motorista dá ré, manobra e foge cortando a pista e seguindo por uma rua transversal do bairro Araçatiba.
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o assassinato, o segundo contra um jornalista em menos de um mês.
A perícia foi realizada no local e diligências estão sendo feitas, ainda segundo a polícia, para esclarecer as circunstâncias e a autoria do crime. Ninguém foi preso até a publicação desta reportagem.
O enterro de Romário Barros ocorreu após cortejo em carro oficial do Corpo de Bombeiros, sob aplausos e forte comoção na tarde desta quarta (19). O corpo de Romário foi velado na Câmara de Vereadores onde parentes e amigos se despediram do jornalista. Segundo a sogra, Maria do Carmo, Romário era muito querido por todos, uma pessoa alegre.
“Vivia só para a esposa, pra gente e pro jornalzinho dele, que trabalhava com amor, com dedicação, com empenho”, desabafou.

Repercussão nacional
As duas mortes em menos de um mês chamaram a atenção das organizações que representam a classe.

Abraji
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), disse ao G1 que está apurando, por meio do Programa Tim Lopes as mortes de Romário Barros, na noite desta terça-feira (18), e Robson Giorno, em 25 de maio, foram provocadas por retaliações ao trabalho das vítimas e afirma que, neste primeiro momento, “a equipe do programa apura junto às autoridades locais”.
“Caso seja confirmada a ligação com a profissão, o Programa Tim Lopes irá a Maricá para aprofundar a apuração, como feito em 2018 no caso do assassinato de Jairo Sousa, no Pará”.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se manifestou sobre os assassinatos em Maricá.
“Assim como o assassinato de Robson Giorno, é evidente que Romário também foi vítima de um crime premeditado, configurando uma execução”.
Fenaj
De acordo com a Fenaj, a investigação de ambos os assassinatos deve ter como ponto de partida o exercício profissional e é preciso empenho para que os culpados sejam identificados e punidos.
“Exigimos das autoridades competentes celeridade na apuração dos casos, para que a população de Maricá e, em especial, os familiares dos jornalistas e a categoria possam ter uma resposta do Estado”.
A Fenaj lembrou ainda que: “a maior parte dos assassinatos de jornalistas fica impune e que a impunidade é o combustível da violência contra os profissionais”.

ABI
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles, pede celeridade na investigação das mortes de dois jornalistas em menos de um mês em Maricá (RJ). O pedido foi feito por meio de uma nota oficial emitida pela ABI na noite desta quarta-feira (19).
“O Governo do Estado do Rio de Janeiro tem o dever de investigar e identificar rapidamente os responsáveis por essas duas execuções sob pena de conivência com a espiral de violência que se apossou da região onde ocorreram os assassinatos”, diz ABI.
Por meio de nota, a ABI falou ainda sobre o importante papel do Governador Wilson Witzel no acompanhamento deste caso.
“O Governador Wilson Witzel, como ex-juiz criminal, tem ainda o compromisso moral de impedir que essas duas mortes fiquem impunes. Sua Excelência precisa acelerar as investigações para que os autores e mandantes desses crimes sejam presos e submetidos aos rigores da lei”, diz a nota da ABI.
O G1 aguarda resposta do Governo do Estado para saber quais medidas estão sendo tomadas.
G1

Banner Add

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial