Amamentação reduz risco de obesidade para a criança, afirma estudo da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um estudo neste mês afirmando que a amamentação com leite materno pode prevenir a obesidade do bebê a longo prazo. O estudo, conduzido por cientistas de diversas partes do mundo, foi apresentado no começo de junho no Congresso Europeu de Obesidade, na Escócia.
“Quanto mais uma criança é amamentada, maior a proteção contra obesidade. Esse conhecimento pode fortalecer nossos esforços na prevenção da obesidade. Intervenções com crianças obesas, incluindo aquelas com a forma severa do problema, podem trazer grandes benefícios, não apenas para a saúde e o bem-estar da criança, mas para sistemas de saúde nacionais. Então, temos de fazer tudo que pudermos para promover e proteger a amamentação pela região”, disse Bente Mikkelsen, diretora da Divisão de Doenças Crônicas e de Promoção da Saúde a longo prazo da OMS-Europa em entrevista coletiva.
No ano passado, a OMS divulgou um relatório mostrando que um em cada oito adultos no mundo é obeso. A projeção é de que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de indivíduos estejam com excesso de peso, sendo mais de 700 milhões com obesidade. Já o número de crianças com sobrepeso e obesidade pode chegar a 75 milhões caso nada seja feito – incluindo 427 mil crianças com pré-diabetes, 1 milhão com hipertensão arterial e 1,4 milhão com aumento do acúmulo de gordura no fígado.
A Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) aponta que mais de 50% da população brasileira tem excesso de peso.
Embora a OMS recomende que bebês recebam apenas leite materno – da mãe ou de uma doadora – no primeiro semestre de vida, países europeus como França, Malta e Irlanda sofrem com taxas baixas de amamentação materna. Na Itália, 21,2% dos bebês não amamentados tornaram-se crianças com obesidade mórbida, mesmo percentual verificado na Espanha, segundo a entidade internacional.
É a segunda conclusão médica sobre os benefícios da amamentação em três meses: em abril, outro estudo apresentado no Encontro das Sociedades Acadêmicas Pediátricas 2019 em Baltimore, nos Estados Unidos, mostrou que bebês prematuros que consomem leite materno têm níveis significativamente mais altos de substâncias químicas importantes para o crescimento do cérebro.
Para realizar a pesquisa, os cientistas selecionaram bebês que tinham baixo peso ao nascer (menos de 1,5 mil gramas) e 32 semanas de idade gestacional ou menos ao nascer. A equipe coletou dados da massa branca frontal direita e do cerebelo da amostra de crianças via espectroscopia de ressonância magnética de prótons. Os espectros de massa branca cerebral mostraram níveis significativamente maiores de inositol, uma molécula semelhante à glicose, para bebês alimentados com leite materno, em comparação com os bebês alimentados com fórmula, de acordo com o estudo.
O consumo de suplementos, como Whey Protein e Ômega 3, também faz parte da lista de hábitos saudáveis para bebês e mulheres grávidas: uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisa Médica e de Saúde do Sul da Austrália constatou que o consumo de Ômega 3 durante a gravidez pode reduzir significativamente as chances de um parto prematuro. O estudo analisou os períodos de gestação de 20 mil mulheres espalhadas pela Inglaterra, Estados Unidos e Austrália, comparando aquelas que mantinham dietas sem suplementos com as que aumentaram a ingestão dos ácidos graxos no mesmo espaço de tempo.
O resultado foi que essas últimas quase não deram à luz antes da hora. Assim, o estudo concluiu que o Ômega 3 é capaz de reduzir a chance de um bebê nascer antes de 34 semanas em 42%.
Segundo os cientistas, a explicação para isso é que, quando grávidas, é comum que as mulheres produzam hormônios chamados prostaglandinas em maior quantidade do que o normal – eles são responsáveis pelos riscos de um parto prematuro, mas tendem a ter seus efeitos quase anulados pelos ácidos do Ômega 3.
No final, as grávidas que aumentaram as doses do suplemento durante o período tiveram um risco 11% menor de ir para a maternidade antes da hora.
Além de evitar partos prematuros, o Ômega 3 também pode proporcionar o crescimento e desenvolvimento cerebral do feto: pesquisas científicas já consentem que o EPA e o DHA atuam sobre as funções neuronais, retinianas e imunológicas do bebê em formação na barriga da mãe.
Além disso, depois do nascimento, as mães podem continuar consumindo o suplemento para outros benefícios à saúde dos filhos pequenos: daí em diante, os ácidos graxos passam a contribuir para o desenvolvimento da visão e na prevenção a doenças alérgicas – inclusive alergias alimentares nos primeiros anos do bebê.
“A mãe passa para o bebê, via leite, o Ômega 3 que foi ingerido via suplementação – e isso é ótimo para ambos”, diz Diogo Círico, nutricionista da Growth Supplements.

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