Caso Neymar: MP pede arquivamento de investigação que apura denúncia de estupro

As promotoras Estefânia Paulin e Flávia Merlini do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid), do Ministério Público Estadual, pediram à Justiça o arquivamento da investigação que apura a denúncia de estupro e agressão contra o jogador Neymar.
A manifestação foi entregue por volta das 16h à Vara de Violência Doméstica de Santo Amaro. Caberá à Justiça decidir se homologa ou não o pedido do Ministério Público. Se a juíza considerar o parecer improcedente, pode acionar o procurador-geral de Justiça para que outro promotor analise o caso.
“Decidimos pelo arquivamento do processo por não haver provas suficientes. Isso não significa a absolvição do averiguado. Há a possibilidade de reabertura do inquérito”, afirmou Flávia.
Sobre as supostas agressões, o MP entendeu que faziam parte de um contexto. “Havia lesões apenas em um dedo. Pelo laudo particular apresentado pela vítima, não entendemos que havia uma lesão que comprovasse o estupro”, disse Estefânia.
Segundo Flávia, “todas as provas colhidas estavam todas em contradição”. “Pedimos para a vítima a produção de várias provas e não houve movimentação da parte para isso, por essa razão entendemos pelo arquivamento”.
“Ela não produziu nenhuma prova que ela disse que tinha. A delegada pediu para ela plugar o celular a um computador para ela ver o vídeo e ela não quis fazer isso. Ela não quis entregar o celular também, depois ela disse que ele foi furtado.” disse Estefânia.
Sobre o fato de a polícia e o MP não esperarem as imagens do hotel em Paris, na França, onde supostamente ocorreu o estupro, Flávia disse que “eram desnecessárias porque eram da parte externa do hotel”.
Neymar não pode ser considerado “absolvido” porque o inquérito pode ser reaberto. O advogado de Najila, Cosme Araújo, disse que não viu o pedido do MP.
“O que se comprovou foi que houve a lesão corporal, que os tapas, a vermelhidão ocorreram para satisfação de ambas as partes. Os laudos oficiais não comprovaram as agressões alegadas por ela. Isso não é suficiente para comprovar o ato do estupro”, disse Estefânia.
A delegada Juliana Lopes Bussacos, titular da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, concluiu no dia 29 de julho o inquérito que apurava as acusações de estupro e agressão feitas pela modelo Najila Trindade Mendes de Souza contra Neymar. A polícia decidiu não indiciar o jogador de futebol pelos supostos crimes.
No começo do mesmo mês, a Justiça acolheu pedido da delegada e autorizou a prorrogação do inquérito por até 30 dias para que diligências complementares pudessem ser feitas.

Cronologia do caso:
Início de maio
• Najila mantém contato via rede social com Neymar e ambos passam a se corresponder
• Eles acertam a ida de Najila a Paris, com passagem paga pelo jogador

15 de maio
• Neymar e Najila se encontram num hotel em Paris, onde ela estava hospedada;
• Neste dia, segundo a modelo, ela foi vítima de agressão e de estupro

16 de maio
• Os dois voltam a se falar por um aplicativo de mensagens. Ela diz que quer ver o jogador de novo. Neymar diz: “Claro que eu quero transar com você de novo”.
• O jogador vai de novo ao hotel em que Najila está. Um vídeo mostra a modelo agredindo o jogador a tapas no quarto. O vídeo é interrompido sem mostrar o desfecho da cena;
• Neymar deixa o hotel. Mais tarde, os dois trocam mensagens por uma rede social: a modelo envia uma foto com marcas no corpo dela. Neymar responde dizendo que ela havia sido culpada pelas marcas. “Tá doido?”, questionou a modelo, afirmando que pediu para o jogador e que Neymar chegou a pedir desculpas a ela;

21 de maio
• Já de volta ao Brasil, Najila se submete a um exame com o médico Luiz Eduardo Rossi Campedelli. O laudo aponta hematomas, arranhões nos glúteos, transtorno ansioso e depressivo e traumatismos superficiais não especificados;

31 de maio
• A modelo registra ocorrência de estupro em uma delegacia de São Paulo;

1º de junho
• O caso vem a público. O pai do jogador diz que o atleta é vítima de uma tentativa de extorsão; o advogado que representava Najila na ocasião nega.

2 de junho
• Neymar grava um vídeo em que diz que a relação dos dois foi consentida. “Foi uma relação entre homem e mulher, dentro de quatro paredes, algo que acontece com todo casal (…) Agora fui pego de surpresa por causa disso.”

3 de junho
• Escritório de advocacia contratado pela mulher que acusa o jogador Neymar de estupro rescindiu o contrato com a clientealegando que ela havia relatado para os advogados que havia sofrido uma agressão, mas não mencionou estupro.

5 de junho
• Em entrevista, a modelo disse que se recusou a manter relação sexual com o jogador porque não havia preservativo; segundo ela, ele a virou e bateu violentamente nas nádegas dela;

6 de junho
• Neymar depõe em uma delegacia do Rio. Na saída, agradece pelo apoio. “Me senti muito amado.”

7 de junho
• Najila presta depoimento em delegacia de SP sobre acusação contra Neymar e diz que vídeo com Neymar estava em tablet que foi furtado.

10 de junho
• Segundo advogado de Najila abandona o caso.

12 de junho
• Estivens Alves, ex-marido de Najila Trindade Mendes de Souza, presta depoimento na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. Segundo o advogado dele, Estivens vai falar sobre a visita que fez ao apartamento de Najila para retirar o tablet e o notebook do filho do casal.

13 de junho
• Neymar depõe em delegacia de São Paulo.

18 de junho
• Najila depõe novamente sobre caso Neymar após Justiça determinar que ela entregasse o celular, porém, advogado da modelo diz que celular de Najila sumiu depois que ela deu o 1º depoimento sobre caso Neymar.

19 de junho
• Najila entrega novo celular para a polícia após sumiço do aparelho que usou para falar com Neymar, diz advogado

28 de junho
• Amiga da modelo, Yasmin Abdalla presta depoimento para esclarecer como se deu o sumiço do celular de Najila que teria sido usado para gravar o segundo encontro com Neymar em Paris.

1º de julho
• Polícia pede mais prazo para investigar caso em que Neymar é acusado de estupro.

11 de julho
• MP concorda com pedido da polícia por mais prazo para investigar caso em que Neymar é acusado de estupro.

12 de julho
• Justiça dá mais prazo para a polícia concluir inquérito do caso em que Neymar é acusado de estupro.

Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo; Luisa Gonzalez/Reuters
G1

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