Eleição para presidente do Uruguai terá segundo turno

O Uruguai terá segundo turno na eleição presidencial, segundo resultados confirmados na madrugada desta segunda-feira (28). O governista Daniel Martínez disputará o cargo com o oposicionista Luis Lacalle Pou em 24 de novembro.
De acordo com a Corte Eleitoral uruguaia, a taxa de comparecimento chegou a 90% – o que a instituição considerou “histórica”.
No segundo turno, Martínez tentará manter a Frente Ampla na presidência do Uruguai – a coalizão de partidos esquerdistas está no poder desde 2005. Ele terá a oposição do advogado Lacalle Pou, que tenta recolocar a direita no governo do país.
Os uruguaios também foram às urnas votar para deputado e senador, e o próximo presidente terá de compor coalizão para conseguir apoio nas duas casas. De acordo com o “El País”, nenhum partido conseguiu maioria absoluta.
Esse cenário também favorece Lacalle Pou, uma vez que tanto o Partido Colorado e o Cabildo Abierto – partidos dos dois principais candidatos derrotados – devem apoiá-lo no segundo turno. Assim, caso a Frente Ampla se mantenha na presidência, Martínez provavelmente terá minoria no Congresso.
Segundo a agência EFE, o ex-presidente Jose “Pepe” Mujica voltou ao Senado como o mais votado da Frente Ampla. Ele deixou o cargo em 2018, mas decidiu se candidatar e retornar.
As eleições presidenciais e parlamentares acontecem ao mesmo tempo que na Argentina, em um contexto de instabilidade regional, com questionamentos aos resultados da votação na Bolívia, protestos de rua em massa no Chile e no Equador.
A votação também ocorreu em meio à comoção gerada pelo anúncio de que o atual presidente, Tabaré Vázquez, está em tratamento contra um câncer de pulmão. Ao votar neste domingo, o mandatário disse: “Tenho esperança e desejo de poder colocar a faixa presidencial no próximo presidente da república”.

Reforma na segurança
A pesquisa boca de urna indica que o projeto de reforma constitucional na segurança pública – votada em plebiscito juntamente à eleição presidencial – não será aprovado por uma pequena margem. Segundo boca de urna, a proposta obterá entre 46% e 47% dos votos, insuficiente para entrar em vigor. Nenhum dos presidenciáveis apoiou a ideia.

O pacote de medidas incluía:
• criação de uma Guarda Nacional militar que terá poder de polícia
• adoção da prisão perpétua
• fim da progressão de pena em alguns casos
• possibilidade de operações de busca à noite, com autorização judicial

Disputa no segundo turno
Os dois candidatos que se enfrentam em 24 de novembro terão menos de um mês para angariar votos e vencer as eleições presidenciais. A chave será conquistar os eleitores dos presidenciáveis derrotados ainda no primeiro turno.
Assim, Lacalle Pou leva ligeira vantagem sobre Martínez. Apesar de ficar cerca de 10 pontos percentuais atrás do governista no primeiro turno, as pesquisas apontam retorno da direita à presidência do Uruguai.
A vantagem de Lacalle Pou se explica porque os dois principais candidatos derrotados têm plataforma política mais alinhada à direita. Talvi, do Partido Colorado, defende maior liberdade econômica; enquanto Manini, do Cabildo Aberto, adota forte discurso por mudanças no Código de Processo Penal e tem grande apoio dos militares uruguaios.
Conheça os presidenciáveis do Uruguai

Daniel Martínez, Frente Ampla
Candidato da situação e ex-prefeito de Montevidéu, Martínez não é visto pela principal coalizão de esquerda como um grande líder tal qual Vázquez e o ex-presidente José “Pepe” Mujica. O desafio a ele aumenta porque, se eleito, ele terá de lidar com cisões dentro da própria Frente Ampla e com um Congresso bastante fragmentado.
“Cada um com sua consciência terá de avaliar quem são as pessoas mais preparadas”, disse Martínez após sair a boca de urna, segundo o jornal uruguaio “El País”.

Luis Lacalle Pou – Partido Nacional
O advogado é a principal aposta da direita uruguaia para retornar ao poder após 15 anos de governos da Frente Ampla. Filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), o candidato propõe reequilibrar as contas públicas – o site oficial de campanha acusa o atual governo de acumular dívidas e permitir falência de empresas com capital estatal, como a companhia aérea Pluna, que fechou as operações em 2012.

Foto: Eitan Abramovich, Pablo Porciuncula Brune/AFP
G1

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