Se o transporte de passageiros ‘quebrar’, os danos à população serão enormes e alguém pagará muito caro por isso

O Brasil vive um quadro de mudanças regressivas muito forte, isso trará impactos, mudanças e uma ressignificação para o cidadão, principalmente para aquela parte da população que é carente dos serviços públicos, mas, todos independente da posição social pagarão por isso.
Tenho trazido em artigos anteriores a preocupação com o sistema de transporte coletivo de Campina Grande, já afirmei que todo país desenvolvido tem por consequência um transporte público de qualidade, pois bem, informações obtidas junto a uma fonte ligada ao transporte de passageiros campinense dão conta de que a crise no Transporte Público da cidade chegou ao ápice. Esta crise já vem de longe com a entrada em cena do transporte clandestino e agora se materializou com o transporte por aplicativo.
A conjuntura da política econômica brasileira vem cada vez mais desfavorável ao povo pobre, isso afeta diretamente o transporte público de passageiros – uma das forças motoras do desenvolvimento do país.
O Brasil anda mesmo na contramão dos países desenvolvidos, onde o custo é elevado para quem utiliza o carro particular, forma de subsidiar parte dos gastos com o transporte coletivo.
É bom que se diga também, já que muita gente talvez não saiba: o ônibus transporta 70% da população e ocupa 30% do espaço urbano, enquanto o transporte individual ocupa 70% do espaço das cidades levando apenas 30% de seus habitantes.
Dura realidade de um país onde sua elite acha que ‘coletivo’ é sinônimo de pobreza. Por se pensar desta forma, infelizmente estamos involuindo, e os problemas que aos poucos parece que seriam resolvidos, novamente começam a mostrar força.
A uberização do trabalho vem contribuindo para acelerar de forma regressiva essas drásticas mudanças. O serviço de transporte por aplicativo cadastra motoristas sem formação específica, bastando contar com a ferramenta de trabalho: um carro e um celular com acesso à Internet. Seus serviços são vendidos a preços inferiores aos praticados por taxistas e já começam a se equiparar com o transporte coletivo, que obrigatoriamente deve pagar impostos, ser certificado e cumprir uma série de normas atinentes à legislação.
E as consequências? Elas também se apresentam e nossa “progressista” classe média, juntamente com nossos ricos, vai ficando parada em ruas abarrotadas de potentes e bonitos veículos que, por não ter espaço, não desenvolvem a sonhada e confortável mobilidade. Mobilidade que aos poucos vai sendo substituída por perda de tempo, de dinheiro, e estresse, a doença da moda e da atualidade. Outra coisa a se observar é que a tendência é cada vez mais a desordem do trânsito, pois, as pessoas estão ficando desempregadas e aderindo a esta forma precária de ocupação. Mais cedo ou mais tarde, o serviço de transporte por aplicativo tende a ser regulamentado, assim sendo o preço vai subir.
Ainda está em tempo de se fazer a escolha – vamos decidir se queremos uma cidade cada vez mais travada com o número de veículos crescente, causando congestionamento e engarrafamento com mais acidente e mais poluição, ou se queremos o ônibus com rapidez e eficiência deixando mais espaço para as pessoas e as cidades com espaços mais otimizados, dessa forma ordenada e segura funciona o transporte público de passageiros, cabe as autoridades e ao poder público fazerem a escolha que passa por subsídios em tarifas, renuncia de impostos em combustível e insumos, etc.
A escolha também é nossa como cidadão e usuário, afinal, queremos um transporte coletivo que funcione com efetividade ou um transporte que cada vez mais desordena o já confuso trânsito? Os gestores vão seguir a lógica que vem de longas datas com os alinhavos e acomodações políticas ou vão seguir os planos de mobilidade feitos por técnicos especialistas em trânsito, transporte, acessibilidade? Inquietações que precisam de respostas urgentes, para, dependendo delas, vermos o modelo de transporte e de mobilidade que queremos. Uma coisa é certa, se o transporte de passageiros ‘quebrar’, os danos à população serão enormes e alguém pagará muito caro por isso.

Por Josinaldo Neves, jornalista, radialista e mestrando em Desenvolvimento Regional-UEPB

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