CFM diz que cloroquina não tem comprovação científica no tratamento mas libera para pacientes críticos

O CFM (Conselho Federal de Medicina) liberou nesta 5ª feira (23.abr.2020) o uso da cloroquina para tratamento de pacientes com covid-19 e estabeleceu 3 situações para a prescrição da droga. O presidente do conselho, Mauro Ribeiro, destacou que a entidade não recomenda o uso do medicamento, apenas liberou o uso da droga. O posicionamento foi apresentado a Bolsonaro e seus ministros nesta manhã.

O presidente do conselho afirmou que a decisão foi baseada em estudos observacionais, uma vez que não existe comprovação científica para o uso da medicação no tratamento da covid-19. Contudo, a prescrição da hidroxicloroquina deve ser consentida pelo paciente, que será alertado sobre a eficácia não comprovada e dos efeitos colaterais do medicamento.

“O posicionamento é que não existe nenhuma evidência científica forte que sustente o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19. É uma droga amplamente usada para outras doenças há 70 anos, mas para covid não tem ensaio clínico prospectivo randomizado feito por pesquisadores e publicado em revistas importantes que aponte para benefício de uso da hidorxicloroquina para covid-19″, disse Mauro Ribeiro.

O CFM estabeleceu 3 casos em que a droga poderá ser prescrita a pacientes com covid-19:

• pacientes críticos: internados em terapia intensiva, com lesão pulmonar estabelecida e reação inflamatória sistêmica. Ainda que nenhuma evidência indique ação da hidroxicloroquina nesses casos, o medicamento pode ser prescrito por compaixão. Isso significa que este paciente já está fora de outras possibilidades terapêuticas e, com autorização de familiares, o médico poderá receitar a droga;

• pacientes com sintomas leves: no momento em que chega ao hospital. A cloroquina poderá ser prescrita com autorização do paciente ou da família para interferir na replicação viral;

• pessoas com sintomas de gripe comum: nessa situação, o médico poderá receitar a droga, depois que descartadas as possibilidades de infecção por influenza A ou B, dengue ou H1N1.

Mauro Ribeiro reforçou os impactos da doença nos sistemas de saúde e econômicos do mundo e disse se tratar de 1 acontecimento sem precedentes na história. “Somos guiados pela ciência e, infelizmente, até o momento não existe nenhuma droga com eficácia comprovada ao tratamento a essa doença”, disse.

O presidente do CFM, no entanto, disse acreditar que em poucos meses exista estudo científico que comprove a eficácia de algum medicamento para tratamento da covid-19.

“Até o momento, na literatura mundial, não existe nenhuma droga que faça qualquer diferença no tratamento dessa doença. Logo nós teremos. Porque hoje existem mais de 500 ensaios clínicos no mundo sendo estudados por grandes cientistas e nós acreditamos que no prazo de talvez 2 meses nós tenhamos alguma coisa mais palpável. Mas hoje, não existe esse tratamento”, disse Ribeiro.

MSN

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