A Covid-19 e a liberação das atividades econômicas  

“O anúncio de liberação dos jogos de futebol em Porto Alegre, feito no começo da tarde desta sexta-feira (31) pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior, provocou reações dos setores que sofrem restrições na pandemia desde a primeira semana de julho. Fontes de diversos segmentos, do comércio à construção e escolas ouvidas cobram o mesmo tratamento dado ao futebol. Marchezan sinalizou que pode ter retomada na semana que vem, mas dependerá da ocupação de UTIs. Antes, porém, a pressão para permitir o funcionamento de setores deve aumentar.”  Fonte: Jornal do Comércio.

A decisão do prefeito de Porto Alegre de ceder à pressão de segmento da área esportiva não é diferente do que ocorre em outras regiões. Mas há de haver coerência na tomada de decisões para que haja uniformidade de tratamento em relação aos demais setores empresariais.

De forma racional e de sã consciência, ninguém é a favor do fechamento das atividades econômicas do país nem da inatividade dos estádios de futebol. Mas diante do grave problema mundial de pandemia, que tem ceifado miríades de vidas e contaminado milhões de pessoas, a sociedade civil e empresarial brasileira tem que ter paciência e seguir as recomendações da saúde, senão o coronavírus continuará a se multiplicar,  retardando a normalidade de nossas vidas.

Se o país tivesse um presidente da República mais responsável e que, desde o início, procurasse manter um diálogo civilizado e apartidário com os prefeitos e governadores, visando estabelecer uma linha única de ação, certamente hoje os efeitos do coronavírus nas atividades econômicas do país seriam menos danosos.

Diante da Covid-19, a maioria dos países enfrenta as mesmas dificuldades. É óbvio que os reflexos negativos na sociedade e na economia são substantivos. Mas neste momento, caberá ao governo federal, de forma solidária, socorrer a sociedade civil e empresarial, e não apenas ficar focado no resultado positivo da economia.

O que não se pode é decretar a liberação geral das atividades e esperar o resultado, que fatalmente será uma catástrofe de pessoas infectadas e mortas, sem que a rede de saúde pública e privada tenha condição de pronto atendimento.  Aí eu quero ver a justificativa daqueles que pregam a volta à normalidade de toda a economia.

Júlio César Cardoso

Servidor federal aposentado

Balneário Camboriú-SC

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