600 indústrias foram selecionadas para receber consultoria gratuita do Senai em fabricação de EPIS

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) selecionou 600 indústrias para receber mentoria gratuita em fabricação, adequação e ampliação de produção de equipamentos de proteção individual (EPIs). Foi divulgado o último dia 31, o resultado da segunda chamada das empresas selecionadas para receber o treinamento online, que dura oito horas. A lista está disponível no site do Edital de Inovação para a Indústria, que investirá R$ 960 mil na consultoria.
“As mentorias realizadas pelo SENAI permitem às indústrias fabricar EPIs com base em normas técnicas, garantindo com isso qualidade e eficácia na proteção contra o coronavírus”, explica o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi. “Além de abastecer o mercado com produtos que possuem os requisitos técnicos exigidos, o treinamento ajuda as empresas a gerar receita e manter empregos”, complementa.

Orientação
A mentoria é realizada pela rede de 27 Institutos SENAI de Inovação e 60 Institutos SENAI de Tecnologia distribuídos pelo país. Os participantes são orientados a elaborar máscaras e aventais hospitalares, protetores faciais e máscaras domésticas, entre outros.
Os consultores do SENAI ajudam as empresas a criar um plano de ação para realizar o trabalho, orientam sobre as especificações técnicas exigidas na fabricação de cada item conforme resoluções e consultas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), bem como a adequação das instalações do processo produtivo. Sugerem ainda linhas para financiamento caso seja necessário algum investimento. O treinamento vai ocorrer até 21 de agosto.
Entre as selecionadas na segunda chamada, 280 empresas são de micro e pequeno porte e nove são grandes empresas de renome nacional. A maioria das indústrias (189) vai fabricar máscaras de uso comum; 33 vão produzir máscaras cirúrgicas; 21 irão fornecer protetores de acetato do tipo faceshield; sete vão produzir álcool em gel e líquido e as demais receberão consultoria para oferecer outros produtos, como jalecos, aventais e toucas.
Nesta etapa, as indústrias escolhidas localizam-se em 20 unidades da Federação: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Tocantins

Tutoriais
A empresa Blu Conforteria, de Rezende (RJ), foi um das selecionadas na primeira chamada. A indústria, que fabrica almofadas, bolsas e “objetos de conforto”, como define a sócia Amanda Soares, não tinha experiência na fabricação de equipamentos de proteção. Diante da pandemia, resolveu atender o pedido de suprir a falta de máscaras de uso comum no mercado. As primeiras peças foram feitas com orientações de tutoriais da internet, conta Amanda, até que empresa conseguiu ser selecionada pela chamada do Edital de Inovação para a Indústria.
“A parceria do SENAI foi super importante para a gente alterar a nossa forma de fabricação para o novo modelo de máscara que a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou e para entender que a gente poderia personalizar e trazer uma máscara profissional e uniformizada para os nossos clientes”, explica ela.
A diretora-executiva da Rocha Produto Hospitalar, Edna Sena Souza Rocha, de Goiânia, por sua vez, conta que tinha experiência na fabricação de produtos para pessoas com dificuldade de locomoção, mas não produzia EPIs. Diante da demanda, passou a fabricar máscaras, botas, macacões hipermeáveis e capotes.
“A parceria com o SENAI veio em um momento muito importante para nós. As pessoas estavam produzindo máscaras cirúrgicas sem muita instrução. Pudemos identificar algumas falhas no nosso processo de produção, o que tem nos permitido aperfeiçoar nossas máscaras cirúrgicas para, no momento oportuno, pleitear o selo da Anvisa”, explica ela.
Com a pandemia, a cachaçaria Jiboia, do Acre, também passou a produzir um novo produto, o álcool em gel, de forma inesperada. Diante da total falta do antisséptico no estado, a destilaria de médio porte suspendeu lançamentos previstos e migrou toda a estrutura para produzir o álcool, doado a instituições de saúde.
“Fomos a única saída do estado nessa época. O Samu, serviço móvel de emergência, ficou sem álcool. Apenas para o Samu doamos mil litros para continuarem trabalhando. Foi uma situação muito delicada e conseguimos atender”, relata o empresário Jackson Soares.
A consultoria do SENAI ajudou a adequar a linha de produção e agora a empresa busca obter retorno financeiro com o novo produto. “A mentoria foi muito produtiva, estamos criando uma nova linha. Vamos continuar no ramo de bebidas, mas vamos passar a produzir álcool em gel, ou seja, uma oportunidade de negócio surgiu também nessa crise toda”, diz o empresário.

Maquinário
Um novo produto também será lançado no mercado pela Tecnind Indústria e Comércio, do Paraná, com apoio da consultoria do Edital de Inovação para a Indústria. A indústria desenvolve uma máquina para fabricação de máscaras, produto cujo mercado a China detém. O projeto do equipamento já estava pronto antes da mentoria, que ajudou com as normas de fabricação do item.
“Percebemos que as máquinas nacionais eram bastante defasadas tecnologicamente, que não eram comparáveis ao produto chinês, que é referência”, relata o empresário José Henrique Riffel. “É um desafio bastante grande, saímos do zero, apenas olhando vídeos. Agora (após a consultoria) adequamos a máquina às normas nacionais”, completa.
O SENAI também mobilizou a sua rede em todo o Brasil, assim como 389 indústrias parceiras, para aumentar a fabricação desses equipamentos, essenciais na proteção contra o novo coronavírus. Já foram produzidos 31 milhões de máscaras cirúrgicas; 20,3 milhões de máscaras de uso comum; 601 mil vestimentas hospitalares, como aventais, capotes e toucas; 501,9 mil unidades de máscaras de acetato do tipo face shield e 641 mil litros de álcool antisséptico.
O Edital de Inovação para a Indústria é uma iniciativa do SENAI e do Serviço Social da Indústria (SESI). Desde que foi criado, em 2004, foram selecionados mais de mil projetos inovadores, nos quais foram investidos mais de R$ 680 milhões. As propostas selecionadas recebem recursos e apoio para desenvolvimento de uma prova de conceito, passando por processos de validação, de protótipo e de teste na rede de inovação e tecnologia do SENAI.
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