Um salto para a educação 4.0

Em março, os 22 alunos do curso técnico em Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em Patos, interior da Paraíba, iniciaram mais um semestre letivo entusiasmados. Os instrutores do curso, como de costume, já tinham toda a programação de aulas com previsão de conteúdos, diferentes atividades e avaliações. Mas o instrutor Ítalo Vasconcelos, responsável pela disciplina Comunicação Empresarial, se deparou com um desafio duplo.
Primeiro, devido à pandemia do novo coronavírus, as aulas passaram a ser virtuais. Além disso, estreou a quarta temporada da popular série espanhola A Casa de Papel, um dos maiores sucessos mundiais da plataforma de streaming Netflix.
O que as aulas do Ítalo têm a ver com isso? Todos os seus alunos, que têm média 15 anos, “maratonaram” a série assim que estreou, na primeira semana de abril. Ítalo, que nunca havia assistido à série, enxergou aí uma oportunidade.
“Todos só falavam sobre ela, então decidi assistir tudo e refazer meu plano de aulas associando os elementos da narrativa da série para que eles pudessem se conectar melhor com os conteúdos”, explica Ítalo. Além de trabalhar elementos da comunicação como oralidade, escrita e expressões corporais, o instrutor fez diversas associações sobre como a boa comunicação é fundamental na hora de apresentar um projeto, vender uma ideia, desenvolver a estratégia de um negócio, no processo de construção e execução de liderança e na hora de definir estratégias de marketing.
“O que fiz foi me adaptar mais uma vez à realidade. No trabalho final da disciplina, os alunos tiveram que gravar um vídeo fazendo associações do que estudamos com a série, e eles foram muito criativos. Um dos grupos criou um talk show”, destaca Ítalo.
A recepção da turma foi instantânea. “Facilitou a assimilação do conteúdo com a história”, conta Flávia Nicolle, umas das alunas.

Inovação com agilidade
O que o instrutor Ítalo fez em suas aulas não é um caso isolado no Sistema Indústria. Além de outras iniciativas semelhantes no SENAI, o Serviço Social da Indústria (SESI) também adotou, nos últimos meses, uma série de mudanças educacionais, que criaram projetos e desafios inovadores para transformar o ensino e garantir a qualidade de seus cursos, apesar da pandemia.
Desde junho, alunos do ensino técnico do SENAI contam com um aplicativo de realidade aumentada (RA), capaz de fazer a conexão entre o mundo real e o conteúdo que está sendo ministrado. É a mesma tecnologia que ficou bastante conhecida com o jogo Pokemon Go. A ferramenta busca facilitar o aprendizado de quem cursa o ensino profissional a partir de uma experiência mais interativa e dinâmica com a área de estudo.
Os estudantes do SENAI já utilizavam aplicativos de RA com conteúdo restrito para cada área. Para ter acesso ao app, disponível para Android e iOS, basta baixá-lo e, com a câmera do tablet ou do celular, fazer a conexão entre a imagem impressa do livro didático e a imagem mostrada no celular em três dimensões, com movimento, som e interação.
Ao interagir, são mostrados simuladores, equipamentos de combate a incêndio, sistemas de geração de energia elétrica, circuitos eletroeletrônicos, instrumentos de medição e vários outros. A observação e a interação com esses elementos ocorrem de maneira intuitiva.
Para o gerente de Educação Profissional do SENAI, Felipe Morgado, a tecnologia facilita o aprendizado. “Qualquer medida que possa ajudar na compreensão dos conteúdos é bem-vinda, ainda mais um app que contém informações de tantas áreas de profissões da indústria”, diz.
Desafios com a Inteligência Artificial
Outra iniciativa que tem engajado muitos estudantes é o desafio nacional de inteligência artificial promovido por meio de uma parceria entre a Microsoft, o SESI e o SENAI. Até 30 de outubro, alunos das duas instituições poderão se inscrever na seletiva que vai escolher os melhores projetos do setor industrial que utilizem recursos de inteligência artificial do Microsoft Azure.
As equipes podem ser formadas por até cinco estudantes a partir de 16 anos, com orientação de um instrutor responsável. Os estudantes serão divididos em três categorias a partir do curso em que estiverem matriculados e terão como desafio o desenvolvimento de um chatbot que auxilie na resolução de um problema, melhore algum produto ou processo da indústria ou, ainda, apresente soluções inovadoras a partir de ideias já existentes.
“Com essa parceria, conseguiremos ensinar inteligência artificial para grupos de estudantes e, ao mesmo tempo, solucionar problemas importantes da indústria nacional”, explica a diretora de Educação da Microsoft Brasil, Vera Cabral. Os melhores projetos serão premiados com notebooks e vouchers para exames de certificação da Microsoft .

Jogo on-line auxilia na educação durante pandemia
Ainda em parceria com a Microsoft e também com a BigBrain, o SESI lançou outra estratégia para envolver seus estudantes de maneira lúdica e capaz de gerar reflxões e análises. Para isso, recorreu ao Minecraft, reconhecido game on-line, com o objetivo de incentivar um envolvimento maior dos alunos na aprendizagem e, ainda, estimular elementos como criatividade e colaboração.
Foi assim que surgiu o desafio relâmpago “Mundo em Ação! Prevenção e Educação”, que incentiva os mais de 134 mil estudantes dos ensinos fundamental I e II do SESI a criarem, no Minecraft Education Edition, um mundo antes da pandemia de Covid-19 e outro depois dela.
Para cumprir o desafio na plataforma de aprendizado baseado em jogos, os estudantes têm que pesquisar mais sobre os impactos da doença e as mudanças ela provoca no comportamento das pessoas e dos estabelecimentos e nos serviços públicos em sua própria cidade. A ideia é que todas as áreas do conhecimento sejam trabalhadas com a utilização dessa plataforma de jogo com muita criatividade.
“As escolas SESI se reinventaram, se adaptaram e redesenharam as aulas, aproveitando as oportunidades de aprendizagem. O SESI respondeu muito bem às demandas geradas pela pandemia e se organizou rapidamente para chegar à casa dos estudantes e continuar com o processo de aprendizagem”, ressalta a gerente de Educação Tecnológica do SESI, Kátia Marangon Barbosa.
A Indústria contra o coronavírus: vamos juntos superar essa crise
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