Jonatan Sousa

 

A nova fase da crise editorial no Brasil

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O mercado editorial brasileiro está em crise. Mas não é só de vendas que estou falando. A crise é de identidade. O sistema parece ter parado no tempo e as editoras não se preocupam, em momento algum, na busca de algum tipo de renovação. Muito pelo contrário.
Quando alguma tendência de mercado surge em alguma das editoras, todas as outras passam a “investir” na mesma coisa. Se alguém lança um livro para colorir e vende MUITO, todas as outras correm para também publicar livros de colorir. Foi o que aconteceu em 2015. Com isso o mercado satura. O perfil de leitores é quebrado. Até surgir mais uma tendência, que mais uma vez não será nada benéfica para os que amam as grandes histórias que envolvem desde crianças sonhadoras até o adulto mais cético que existe.
E essa tendência surgiu. Livros de youtubers. Alguém lança, vende como se fosse banana na feira, e então todo o mercado é invadido por uma certeza: “precisamos lançar a maior quantidade de livros de youtubers possíveis!”.
Todas as editoras escancaram as portas em busca do youtuber com a maior quantidade de inscritos, sedentos para lançar qualquer coisa que fidelize ainda mais seu público. E essa tarefa sobrou para os livros.
Mas isso tudo tem uma explicação muito simples. As editoras não querem ter trabalho de lançar um autor, fazer eventos de divulgação onde não há a certeza da presença de público interessado, e bolar estratégias de marketing que precisam abocanhar um grupo que vem crescendo cada vez mais. Simplesmente não querem ter todo esse trabalho. Então a ideia é lançar um livro que já venha com esse pacote completo. E os youtubers carregam tudo isso consigo. Eles fazem o próprio marketing e é certeza trazerem consigo um público que irá consumir os livros. Pode-se calcular até números de venda cada vez mais precisos.
Só que esse processo é uma tendência mundial, infelizmente. Você consegue o que quiser se já tiver um público definido. Se surgir vaga de ator ou atriz para alguma novela ou filme, é fácil escolher qualquer um que já faz sucesso em outra mídia e jogar para o público, mesmo que não tenha preparo algum. Isso vale para qualquer área hoje em dia. Só que é muito triste ver esse tipo de “solução” dentro do mercado editorial brasileiro. Mas isso é uma discussão para outro dia.
Só gostaria de terminar dizendo que, basta ver a lista dos mais vendidos do Brasil, na Publishnews, para ter a certeza de que os leitores, principalmente o grande público jovem, está deixando de adquirir obras primas da literatura mundial para ler obras que provavelmente não irão acrescentar em nada na vida deles. Em tempos de crise, estão substituindo Cem Anos de Solidão e Crime e Castigo por Kéfera, volumes 1 e 2.

Por Jonatan de Sousa Rodrigues, graduando em Jornalismo pela UEPB, Redator Web e colunista quando sobra um tempinho

 

 

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