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Policial não se faz da noite para o dia

Com mais de 35 anos de polícia, o delegado Paulo Feitosa é taxativo em afirmar “que um verdadeiro policial não se faz da noite para o dia”. Ao longo da sua vida profissional, não fez outra coisa senão aprender que a rua é a melhor escola para um policial. Paulo Feitosa iniciou sua profissão como gente, atingindo Superintendência Geral da Policia Civil do Estado.
Para chegar ao ponto máximo da carreira, dedicou-se à profissão de corpo e alma, com a perspicácia inerente ao bom policial. Leitor voraz da literatura policial, Paulo Feitosa mantém constante intercâmbio profissional com os mais destacados colegas de profissão do país e diz com certa nostalgia: “a polícia antigamente era mais respeitada pela sociedade”.
Segundo Feitosa, “a boa ou a má polícia é o reflexo da personalidade dos homens que exercem o Poder Executivo, pois o subordinado não faz o chefe, são as atitudes do chefe que fazem os subordinados”. Feitosa admite que dos 16 secretários com quem trabalhou, de todos aprendeu uma lição. Fez dessa experiência o caminho por onde anda e pisa com cuidado.

NO TRABALHO
Na vida, afirma: “nada se consegue de justo e duradouro, senão com trabalho, disciplina e muito amor no que se faz. A autoridade que o Estado nos confia para exercê-la requer uma grande dose de sacrifício e dignidade, porque é assim que concebo a missão de Polícia”, enfatizou.
Para Feitosa, “a única forma eficiente de se fazer segurança, é fazer segurança do povo e não segurança com propósitos políticos”. Disciplinado, mas não subserviente, acrescenta: “nunca me dei bem com bajuladores, pelo contrário, possuo hoje meia dúzia de inimigos gratuitos e incompetentes, por entender que o policial relapso é tão pernicioso para sua instituição e para a sociedade, quanto qualquer delinquente, porém, apesar de tudo, construí fraternos amigos na Polícia”. Feitosa considera o seu primeiro chefe como exemplo de seriedade profissional, Dr. Carlos Martins Leite, ex-Delegado da DOPS, hoje, Procurador do Tribunal de Contas aposentado.
Paulo Feitosa entende que a correta filosofia policial é “investigar para depois aprender”, não parando as investigações até o desbaratamento de toda quadrilha, pois segundo ele, “este foi o método empregado durante toda a minha vida policial”. Em Campina Grande, por exemplo, Feitosa conseguiu implantar essa ideia, e o resultado foi excelente, graças à dedicação de eméritos policiais campinenses.

INVESTIR
Conforme as palavras de Paulo Feitosa, a perda da qualidade da polícia não está ligada somente ao fato da má remuneração, é preciso investir na cabeça dos homens, dando condições às Academias de Polícia, para um melhor aprimoramento dos policiais. Outro fato que dificulta sobremaneira o trabalho policial é a interferência política. “É uma pena que a politicalha interfira tanto, tornando-se sem dúvida um dos motivos principais da impunidade existente neste país”.
Outro fato de suma importância é a dicotomia policial: Polícia Civil e Polícia Militar, ambas trabalham cabeças independentes e ideias próprias. Nesse descompasso, a polícia está chegando a um ponto crítico, ou as duas se integram numa só filosofia, ou resultado será desastroso, pois a falta desse entendimento comum é que emperra o trabalho, acirrando a rivalidade entre seus membros, prejudicando sensivelmente a sociedade.
Concluindo, afirma: “os problemas vivenciados, hoje pela polícia, não se resolvem com inaugurações e aquisições de materiais. A situação atual da segurança política do Estado só será superada quando acabar com o antagonismo entre as Polícias Civil e Militar, melhoria de vencimento, e um aprimoramento maior no preparo dos policiais. Além disso, é necessário que o policial se sinta realmente vocacionado para a carreira que escolheu. O policial exerce uma profissão e não um emprego”.

Paulo Feitosa

Ex-superintendente da Polícia Civil em Campina Grande

 

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