Leia: Se correr, Moraes prende; se ficar, Moraes cassa, por Alex Solnik
Os Bolsonaros — pai e filho —, achando que Nunes Marques os blindaria, abusaram logo na largada. Imaginaram que estavam sob o chapéu do TSE. Não se deram conta de que o STF está acima do TSE. Um é “superior” eleitoral; o outro é “supremo”. A corte mais alta do país.
Também subestimaram o fato de que Bolsonaro pai está na esfera do STF. Não sei se por ignorância ou por arrogância, ou ambas, resolveram botar para quebrar. Na convenção do 01, a estrela foi um vídeo feito por IA em que Bolsonaro surgiu com sua cara e sua voz, pedindo votos para o filhinho e alegando que não era ele. Deu merda, é claro.
Bolsonarão não tem direitos políticos. É óbvio, portanto, que não pode pedir votos. Ainda mais no período em que ninguém pode pedi-los. E ainda por cima atacando Moraes e o STF: “Não fiz nada de errado; errados estão eles”. Apavorado, como o mau aluno que é pego colando na prova, o 01 saiu em defesa do pai. Papai não sabia. Fiz tudo à revelia do papai. Como ele não tem muito apego à verdade, Moraes resolveu perguntar a Bolsonarão: sabia ou não sabia? Deu OK ou não deu?
Se deu, o que implica que o filhinho mentiu mais uma vez, fez o que não podia. E vai perder o direito à prisão relativa, em sua mansão de Brasília. Se não deu, o 01 cometeu o crime de deepfake. E ficará inelegível. Nem candidato a presidente, nem a senador. Entendo que ambos cometeram crimes. E são reincidentes. Um tem que voltar para a Papudinha, de onde nunca deveria ter saído. O outro, voltar à vida de cidadão comum e tentar se defender, na Justiça, dos processos que o esperam. Desta vez sem a proteção do papai.
Por Alex Solnik
Colunista do Brasil 247 e comentarista na TV 247, é jornalista e escritor. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete.
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