Empresários sugerem candidatura de Tereza Cristina (PP) a presidente e Flávio Bolsonaro como vice

Lideranças empresariais do agronegócio tentam construir uma alternativa para destravar a formação de uma chapa presidencial de oposição envolvendo a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Diante da resistência do PP em apoiar formalmente o filho de Jair Bolsonaro, a proposta em discussão é inverter a composição inicialmente cogitada: Tereza seria candidata à Presidência, e Flávio ocuparia a vaga de vice.
A informação foi publicada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo a apuração, a estratégia surgiu depois de o PP rejeitar a possibilidade de uma coligação com o PL para lançar Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
A avaliação de lideranças do agronegócio é que uma chapa encabeçada por Tereza teria mais chances de ser aceita dentro da federação União Progressistas, formada por União Brasil e PP. O grupo político, neste momento, resiste a apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Outro argumento usado por defensores da ideia é eleitoral. Por ser considerada menos associada à extrema direita, Tereza Cristina seria vista por esses setores como um nome com maior potencial de competitividade contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.
Segundo lideranças do agronegócio ouvidas pela coluna, Tereza Cristina teria recebido bem a proposta e afirmado que estaria “pronta” para assumir o desafio. Flávio Bolsonaro, por outro lado, indicou que não pretende abrir mão de sua candidatura à Presidência, como já era esperado por aliados.
A movimentação ocorre após uma conversa entre Flávio e Tereza na quarta-feira (29), quando os dois discutiram a possibilidade de uma chapa com a senadora na condição de vice. Na ocasião, Tereza confirmou o encontro por meio de nota, mas ressaltou que qualquer acordo dependeria de negociações partidárias entre PL e PP.
O cenário mudou nesta sexta-feira (31), quando o PP oficializou que não pretende apoiar formalmente Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Em nota, a direção do partido informou que ouviu as bases da legenda e decidiu adotar neutralidade na disputa nacional.
A decisão do PP enfraquece a tentativa do PL de atrair Tereza Cristina para a vice de Flávio e amplia o impasse sobre a composição da chapa. Ao mesmo tempo, abriu espaço para que setores do agronegócio defendam uma solução inversa, com a senadora no topo da aliança.
A proposta, porém, ainda enfrenta obstáculos importantes. O principal deles é a resistência de Flávio Bolsonaro em ceder a cabeça de chapa, além da necessidade de alinhamento formal entre partidos que, até agora, não chegaram a um acordo nacional.
Foto: Agência Senado
Brasil 247



