Alguns senadores do PL pensam em votar pelo fim da escala 6×1. Partido deve liberar bancada. Flávio é contra a matéria

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 reúne votos suficientes para ser aprovada no Senado, inclusive com o apoio de integrantes do PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Diante desse cenário, senadores da legenda defendem que a bancada seja liberada para votar conforme suas posições individuais, em uma tentativa de evitar desgastes políticos na reta final da campanha eleitoral. As informações são da jornalista Julliana Lopes, da CNN Brasil, que ouviu reservadamente parlamentares do PL.
A avaliação interna é de que a aprovação da proposta está encaminhada e que uma orientação contrária à medida poderia provocar constrangimentos dentro do partido, além de repercussões negativas para a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A estratégia de liberar os senadores permitiria que integrantes da legenda favoráveis ao fim da escala 6×1 apoiassem a proposta sem contrariar uma orientação partidária. Ao mesmo tempo, parlamentares contrários à mudança poderiam manter suas posições, evitando uma divisão pública da bancada em torno de uma das principais bandeiras defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os cálculos realizados por senadores do PL também apontam poucas possibilidades de aprovação de emendas que alterem o conteúdo da PEC e obriguem seu retorno à Câmara dos Deputados. Para ser aprovada no Senado, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação, o equivalente a três quintos dos 81 senadores.

PL busca evitar desgaste eleitoral
A discussão sobre o posicionamento do PL ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial. O fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais apostas políticas de Lula na reta final da campanha, enquanto a oposição enfrenta dificuldades para estabelecer uma posição unificada sobre a redução da jornada de trabalho.
A legenda de Flávio Bolsonaro ainda precisa definir oficialmente sua orientação para a votação. Parte dos parlamentares considera que a resistência à proposta pode representar um risco eleitoral, especialmente diante da repercussão da medida entre trabalhadores que cumprem jornadas de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
Apesar da avaliação favorável à aprovação da PEC, setores da oposição defendem uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A proposta prevê a adoção de um modelo de remuneração por hora trabalhada, em vez da redução da jornada defendida na iniciativa apoiada pelo governo federal.
O texto alternativo, entretanto, ainda não avançou no Congresso Nacional. Com isso, a discussão no Senado permanece concentrada na PEC que prevê o fim da escala 6×1.

PL deve liberar bancada do Senado
O Partido Liberal (PL) deve liberar seus senadores para votar como quiserem na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho seis por um. A informação foi confirmada pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco de oposição no Senado, em meio à divergência entre a posição da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e a avaliação de parlamentares da legenda. As informações são do jornal O Globo.
Segundo Fagundes, a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro prefere que os senadores se abstenham, mas a maioria da bancada entende que é necessário se posicionar sobre a proposta. O candidato do PL à Presidência tem se manifestado contra a PEC, uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A tendência de liberar os votos também deve ser seguida por outros partidos de oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que as legendas contrárias ao governo devem adotar a mesma estratégia. Ela foi escolhida para mediar as conversas entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e os partidos sobre a tramitação da proposta.
A definição deve ocorrer em um almoço de integrantes da oposição marcado para quarta-feira (14). As reuniões costumam acontecer às terças-feiras, mas o feriado deve dificultar a chegada de alguns parlamentares a tempo.

Flávio Bolsonaro é contrário à proposta
Flávio Bolsonaro defende um modelo mais flexível de jornada, no qual trabalhadores possam negociar as condições de trabalho diretamente com os empregadores. A posição foi apresentada pelo coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que defende a abstenção da bancada na votação.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), também criticou a proposta. “A PEC é um carro desgovernado, eleitoreiro descendo ladeira abaixo, supostamente dirigido por (Davi) Alcolumbre e Lula”, declarou.
Fagundes, por sua vez, reiterou a divergência entre a orientação da campanha e a avaliação predominante entre os senadores do partido. “O posicionamento de Rogério Marinho é pela abstenção, mas a maioria da bancada avalia que os senadores devem se posicionar”, afirmou.

Brasil 247

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