Alexandre de Moraes bloqueia mansão de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de uma mansão em Angra dos Reis (RJ), alvo de uma disputa judicial entre o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o jogador Richarlison. O imóvel integra o patrimônio da WT Administração de Imóveis e Bens, empresa vinculada ao defensor.
Em sua decisão, Moraes anunciou a ordem judicial no âmbito de um inquérito no qual Willer é investigado por suspeita de lavar dinheiro a partir de apostas on-line. Entre os imóveis citados na denúncia sobre o advogado está uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões. A propriedade pertenceu ao atacante da seleção brasileira Richarlison, que declarou ter aplicado recursos próprios no local e rejeitado uma oferta de compra feita por Flávio Bolsonaro.
A disputa ganhou repercussão em setembro de 2022, após uma reportagem do jornalista Guilherme Amado. A disputa envolve a Sport 70, empresa vinculada ao jogador e ao empresário Renato Rocha Velasco, e a WT Administração de Imóveis e Bens, ligada ao advogado Willer Tomaz.
A controvérsia chegou ao Judiciário após divergências sobre os direitos de posse da propriedade. O processo incluiu Flávio Bolsonaro na condição de testemunha, sem que o senador integrasse a ação como uma das partes envolvidas.
O atacante Richarlison relatou que recebeu diferentes propostas para negociar a mansão, incluindo uma atribuída a Flávio Bolsonaro, mas optou por conservar o imóvel. Posteriormente, uma decisão judicial retirou do jogador a posse da propriedade, que passou a ser objeto de questionamentos sobre as circunstâncias de sua transferência.
O advogado Willer Tomaz é amigo do senador. O parlamentar é alvo de dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira investigação, instaurada em setembro sob a relatoria do ministro André Mendonça, apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro (PL) e que recebeu cifras milionárias do empresário Daniel Vorcaro – o ex-controlador do Banco Master está preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
A segunda investigação teve início em outubro e apura suspeitas de crimes financeiros, incluindo lavagem de dinheiro. Além de Flávio Bolsonaro, o inquérito envolve o advogado Willer Tomaz, que mantém uma relação de amizade com o parlamentar. O ministro Alexandre de Moraes conduz o caso no STF.
Rogério Correia
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) comentou a decisão anunciada pelo STF. “Pessoal, urgente, importante e grande vitória”, disse em publicada divulgada na rede social X, antigo Twitter.
O petista relacionou a decisão judicial às denúncias que apresentou contra o advogado e Flávio Bolsonaro, apontados pelo parlamentar como envolvidos em supostas irregularidades na transferência de propriedades em Angra dos Reis.
“A matrícula foi bloqueada”, afirmou Correia. “Foi uma solicitação que eu fiz ao ministro Alexandre de Moraes, para que ele prestasse atenção neste caso e bloqueasse aquilo que veio de ilegal de Willer Tomás e toda a sua lavagem de dinheiro.”
O deputado afirmou que pretende ampliar a atuação judicial para alcançar outros imóveis vinculados a Willer Tomaz. Segundo ele, as propriedades teriam passado por procedimentos semelhantes aos que motivaram seus questionamentos sobre o caso de Richarlison. “Mas eu estou apresentando amanhã mesmo o bloqueio de mais cinco ilhas”, pontuou.
O parlamentar afirmou que pretende continuar acompanhando as transferências de direitos de ocupação em ilhas de Angra dos Reis. Para Correia, a investigação deve esclarecer se agentes públicos favoreceram interesses particulares na administração de áreas pertencentes à União.
“Agora, nós vamos voltar com essas ilhas para o litoral brasileiro, para que o povo brasileiro seja dono delas”, disse Correia, ao defender a revisão dos procedimentos administrativos.
O deputado também dirigiu uma mensagem a Richarlison, agradecendo ao jogador pelas denúncias que levaram o caso ao debate público. “E obrigado, viu, por ter tido a coragem de fazer a denúncia contra essa gente”, afirmou.
Brasil 247



