Indústria da construção registra segundo ano de forte crescimento

A evolução do PIB da indústria em 2022 foi impulsionada pela indústria da construção. Esse segmento, foi beneficiado pelas taxas de juros vigentes em 2020 e 2021, que deixaram muitos projetos em andamento para 2022, e da ampliação do programa Casa Verde e Amarela. A CNI projeta que a indústria da construção encerrará 2022 com crescimento de 7%.
A CNI projeta que o PIB de serviços encerre 2022 com crescimento de 3,9%
O setor de Serviços avançou de forma consistente ao longo de 2022, devido a maior circulação de pessoas, à recuperação do poder de compra da população e ao processo de digitalização dos serviços. E foi o principal responsável pelo crescimento econômico em 2022. Todas as categorias de serviços superaram o patamar em que se encontravam antes da pandemia, exceto os serviços prestados às famílias. Para este ano, a CNI projeta que o PIB de serviços cresça 3,9%.
Política fiscal: aumento das despesas deve piorar quadro fiscal em 2023
Aumento da arrecadação em 2022, influenciado pelo crescimento da atividade econômica, pela recuperação do mercado de trabalho e pelas arrecadações atípicas relacionadas à exploração de recursos naturais e privatizações favoreceram o quadro fiscal da economia brasileira. Nesse cenário, o governo federal deve encerrar 2022 com superávit primário de R$ 75,1 bilhões (0,9% do PIB projetado pela CNI), o primeiro superávit desde 2013.
O cenário fiscal de 2023, contudo, será diferente. A PEC da Transição possibilita a expansão adicional de até R$ 200 bilhões nas despesas primárias do governo federal em 2023, fora do teto de gastos. A expansão dos gastos pode gerar efeitos positivos sobre o crescimento do PIB em um primeiro momento, mas pode trazer consequências negativas para a economia brasileira, com aumento de inflação, desvalorização do câmbio e aumento dos juros.
Taxa de juros básica deve permanecer elevada e terminar 2023 em 11,75% ao ano
Na projeção da CNI, dado o quadro fiscal de 2023, a expectativa é que o Banco Central do Brasil manterá a Selic em 13,75% a.a. até meados de setembro de 2023, quando deve iniciar o ciclo de cortes da Selic – tendo em vista a provável convergência das expectativas de inflação em 2024 e 2025 para suas respectivas metas –, de modo que a Selic encerre 2023 em 11,75% ao ano.
Juros altos em um cenário de endividamento elevado vai reduzir concessão de crédito
Para 2023, as concessões de crédito às empresas devem apresentar menor crescimento, em razão, principalmente, da taxa de juros em patamar elevado, que encarece o crédito, e da desaceleração da atividade econômica, que tende a reduzir a demanda pelo crédito.
Para os consumidores, três fatores devem contribuir para uma desaceleração ainda mais forte no crédito: a taxa de inadimplência, alto nível de comprometimento de renda e endividamento e o menor ritmo de crescimento da massa de rendimento real.
Estima-se que a inflação seja de 5,7% em 2022, acima da meta de inflação de 3,5% para o ano, e de 2023 em 5,4%, também acima da meta de inflação de 3,25% para o ano.
Emprego e Renda: melhoria do mercado de trabalho deve ser menor em 2023
O mercado de trabalho deverá apresentar resultados menos positivos em 2023 quando comparado à sua trajetória em 2022. A expectativa da CNI é de que o número de pessoas ocupadas tenha crescimento de 3,1% ao final de 2023, em relação a este ano. Essa será a principal razão para o crescimento esperado de 3,7% para a massa de rendimento real em 2023.
Assim, a taxa de desemprego deverá apresentar relativa estabilidade em 2023. A expectativa da CNI é de uma taxa de desemprego média de 8,9%, e uma taxa de desemprego para o quarto trimestre – final do período – de 8,6% em 2023.
Setor Externo: queda das exportações e das importações no próximo ano
As previsões não são positivas para o comércio exterior brasileiro em 2023, com quedas de 1,8% nos valores das exportações e de 2,2% nas importações. Espera-se que haja manutenção dos preços de combustíveis e alimentos em patamares elevados, embora menores do que em 2022. Calcula-se que o saldo da balança comercial seria de US$ 55,9 bilhões, mesmo valor projetado para o final de 2022.
Esse saldo é insuficiente para cobrir o déficit nas balanças de serviços e de rendas projetados para 2023, o que implica saldo negativo na conta de transações correntes de US$ 28 bilhões. O déficit de 1,7% do PIB em 2023 é déficit 0,1 ponto percentual superior a 2022.
Dólar deve encerrar 2023 em R$ 5,45
Na projeção da CNI para o comércio exterior em 2023, a taxa de câmbio encerrará o ano em R$ 5,45 por dólar, com média anual de R$ 5,33 por dólar. O principal fator que deve influenciar a taxa de câmbio no campo doméstico em 2023 é a situação fiscal. Além disso, as discussões sobre alterações de regras fiscais, que podem ocorrer no próximo ano, tendem a levar a expectativa de um aumento do risco Brasil e uma maior volatilidade cambial até o primeiro trimestre do próximo ano. Na comparação com a taxa de câmbio R$/US$ média de 2022 projetada pela CNI, trata-se de uma desvalorização de 7,4% em razão do cenário de maior risco fiscal e de sustentada demanda por dólar.

compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *