Tropas de Israel abrem fogo contra delegação diplomática em Jenin, na entrada do campo de refugiados

Tropas israelenses abriram fogo, com munição real, contra uma delegação diplomática internacional que se dirigia ao campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia ocupada, na manhã desta quarta-feira (21). Segundo a agência palestina WAFA, os disparos ocorreram quando os representantes estavam próximos ao portão leste do campo, instalado pelas forças de ocupação israelenses.
Segundo a reportagem, os soldados posicionados nos arredores do campo atiraram de forma direta e intensa contra os diplomatas e um grupo de jornalistas que acompanhavam a visita. O objetivo da missão diplomática era verificar as condições humanitárias da população local e os impactos do cerco militar imposto por Israel.
A delegação, composta por representantes de ministérios estrangeiros e árabes, esteve na sede do governo local em Jenin, onde foi recebida por autoridades da província. Durante o encontro, o governador apresentou um panorama da grave situação econômica da cidade, as perdas em infraestrutura e comércios, bem como os efeitos da ofensiva militar sobre os cerca de 22 mil palestinos que foram forçados a deixar suas casas.
O Ministério das Relações Exteriores e dos Expatriados da Palestina condenou veementemente o ataque. Em nota, a chancelaria afirmou que o episódio configura “uma violação grave e flagrante do direito internacional” e contraria as normas fundamentais das relações diplomáticas previstas na Convenção de Viena de 1961, que assegura a proteção e a imunidade de representantes diplomáticos.
A pasta palestina também classificou a ação como “uma escalada perigosa” que demonstra o “desrespeito sistemático” das autoridades israelenses à soberania da Palestina e aos princípios do direito internacional.
Entre os integrantes da delegação atingida estavam embaixadores e representantes diplomáticos do Egito, Jordânia, Marrocos, União Europeia, Portugal, China, Áustria, Brasil, Bulgária, Turquia, Espanha, Lituânia, Polônia, Rússia, Japão, Romênia, México, Sri Lanka, Canadá, Índia, Chile, França e Reino Unido, além de outros países.
Foto: REUTERS/Ammar Awad
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