Trump volta a manifestar desejo de tomar a Groenlândia da Dinamarca e de invadir a Colômbia

Um dia depois de os Estados Unidos invadirem a Venezuela e prenderem o presidente Nicolás Maduro, Donald Trump voltou a falar sobre o desejo de anexar a Groenlândia aos EUA. A ilha, um estado semiautônomo da Dinamarca, atrai o republicano por conta da posição estratégica que o território possui no Ártico, além da reserva de terras raras e fontes de recursos naturais, como minério.
Em entrevista à revista The Atlantic neste domingo (4), Trump disse “precisar da Groenlândia” para fortalecer o sistema de defesa americano, após ser questionado se a entrada das tropas americanas na Venezuela implicaria uma maior disposição dos Estados Unidos para fazer intervenções militares na Groenlândia. “Nós precisamos da Groenlândia, com certeza. Precisamos dela para a defesa”, declarou o republicano.
Ainda no sábado (3), enquanto Nicolás Maduro desembarcava nos Estados Unidos para responder a acusações de envolvimento com tráfico de drogas, Katie Miller, esposa de Stephen Miller, chefe de gabinete da Casa Branca, já reacendia a discussão em torno da ilha ártica.
No X (antigo Twitter), ela publicou uma imagem ilustrativa que exibe a Groelândia pintada com as cores dos Estados Unidos, e escreveu na postagem a palavra “soon”, que significa “em breve”, em inglês.

‘Respeito pela integridade territorial’
Jesper Moller Sorensen, embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, respondeu ao post de Katie Miller dizendo que Estados Unidos e Dinamarca são “aliados próximos” e que os países devem “continuar a trabalhar juntos” para garantir maior segurança no Ártico.
“O Reino da Dinamarca aumentou significativamente seus esforços de segurança no Ártico — somente em 2025, destinamos US$ 13,7 bilhões que podem ser usados no Ártico e no Atlântico Norte. Porque levamos nossa segurança conjunta a sério”, afirmou Sorensen. “E, sim, esperamos total respeito pela integridade territorial do Reino da Dinamarca”, acrescentou.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também rebateu a publicação de Katie Miller e classificou a foto como “desrespeitosa”.
“A imagem compartilhada por Katie Miller, que retrata a Groenlândia envolta em uma bandeira americana, não muda absolutamente nada. Nosso país não está à venda e nosso futuro não é decidido por postagens em redes sociais”, ressaltou Frederik, concluindo que “não há necessidade de entrar em pânico. Mas há uma boa razão para falar contra o desrespeito”.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, por sua vez, escreveu nas suas redes sociais que “não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre os Estados Unidos assumirem a Groenlândia”, e reforçou que, por fazer parte da OTAN, o país “está coberto pela garantia de segurança da aliança”.
“Exorto veementemente os EUA a cessarem as ameaças contra um aliado histórico próximo e contra outro país e outro povo que já declararam claramente que não estão à venda”, salientou.
Relações tensas
As relações diplomáticas entre Estados Unidos e Copenhague estiveram sob tensão ao longo do ano, o primeiro do segundo mandato de Trump. O republicano nunca escondeu o interesse pela ilha ártica. Na sua primeira passagem pela Casa Branca, chegou a dizer que pagaria para ter a ilha sob seu domínio. Mas, neste e segundo mandato, já disse que usaria a força militar para tomar o espaço.
Em março, o vice-presidente J.D. Vance visitou uma base militar remota dos EUA na Groenlândia e acusou a Dinamarca de investir pouco na ilha. Em agosto, autoridades dinamarquesas convocaram o principal diplomata dos EUA a Copenhague após um relatório apontar que pelo menos três pessoas conectadas a Trump realizaram operações secretas e de espionagem na Groenlândia.
No final de dezembro, Donald Trump voltou a gerar um incômodo nas relações diplomáticas entre a Casa Branca e o governo da Dinamarca ao indicar o governador da Lousiana, Jeff Landry, como enviado especial dos Estados Unidos para a a região do Ártico. Na ocasião, os líderes dinamarqueses e groelandeses exigiram respeito pela integridade do território.

AÇÃO MILITAR CONTRA A COLÔMBIA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de domingo (4) que vê com bons olhos a possibilidade de uma operação militar contra a Colômbia. A declaração foi feita a repórteres a bordo do Air Force One, um dia depois da ofensiva militar norte-americana na Venezuela que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, em Caracas, ampliando a instabilidade política e diplomática na região.
Segundo a Folha de S.Paulo, ao comentar a situação colombiana, Trump fez críticas diretas ao presidente Gustavo Petro. “A Colômbia é governada por um homem doente, que gosta de produzir e enviar cocaína aos Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito mais tempo”, disse o chefe da Casa Branca. Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar dos EUA contra o país vizinho, respondeu que a ideia lhe parecia boa.
Ainda no domingo, o presidente da Colômbia classificou a operação contra Maduro como um sequestro e questionou sua legalidade. “Sem base legal para realizar uma ação contra a soberania da Venezuela, a detenção se transforma em sequestro”, escreveu Gustavo Petro em uma publicação na rede social X. O colombiano é um dos críticos mais frequentes de Trump e tem se posicionado contra ações militares dos Estados Unidos na região, que, segundo Washington, teriam como objetivo o combate ao narcotráfico.

R7 e Brasil 247

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